O mundo do código aberto está vivendo um caso sério de amor e ódio com Rust, e agora o GRUB está prestes a entrar na festa. Vladimir Serbinenko, um dos principais desenvolvedores do projeto, decidiu experimentar como Rust poderia trazer mais segurança e modernidade para o carro-chefe da inicialização Linux.
Por que Rust no GRUB faz sentido?
Uma auditoria recente no código do GRUB revelou várias vulnerabilidades relacionadas a gerenciamento de memória, justamente o tipo de problema que Rust foi criado para evitar. Enquanto em C um erro de buffer overflow pode passar despercebido até explodir em um ataque real, Rust exige que o desenvolvedor lide com esses riscos desde o início.
Mas nem todo mundo está convencido. Alguns membros da comunidade questionam se a mudança é realmente necessária ou apenas mais um caso de “hype tecnológico”. Maxim Fomin, outro desenvolvedor, levantou a questão:
“O anúncio sobre introduzir Rust no projeto não traz nenhuma discussão técnica sobre os méritos disso. Isso reforça a crítica de que muitas vezes Rust é adotado só para parecer moderno, não por necessidade real.”
Ainda assim, a comunidade parece otimista. Afinal, se até o kernel Linux está abraçando o Rust, por que o GRUB não faria o mesmo?
Pânico, convenções e módulos dinâmicos
O experimento, ainda em fase inicial, já está disponível no GitHub, com um módulo “hello world” em Rust e as modificações necessárias no GRUB para que tudo funcione. A ideia é substituir partes críticas do código C por Rust, aproveitando sua segurança de memória para evitar vulnerabilidades — algo especialmente importante em um software que roda com privilégios elevados antes mesmo do sistema operacional carregar.
A implementação atual tem suas limitações. Por enquanto, só funciona na arquitetura i386-pc (a clássica BIOS), mas Serbinenko garante que isso é apenas uma questão de prioridade — não há impedimentos técnicos para outras plataformas.
Outra mudança significativa foi a transição de módulos .o (ET_REL) para .so (ET_DYN), tornando mais fácil integrar código Rust com o sistema existente. No entanto, há um detalhe importante: o protótipo atual compila com panic=abort, o que significa que qualquer erro grave simplesmente aborta a execução, sem chance de recuperação.
E, é claro, há o eterno problema do “ganho de peso”: cada módulo Rust carrega seu próprio runtime, aumentando ligeiramente o tamanho do bootloader. Serbinenko ainda busca soluções para compartilhar esse código entre módulos.
Se o experimento der certo, podemos esperar um GRUB mais seguro e menos propenso a falhas críticas. Mas também levanta uma questão maior: será que outros bootloaders, como o systemd-boot ou o rEFInd, seguirão o mesmo caminho?
Por enquanto, o projeto ainda é um protótipo, mas já serve como um lembrete de que até os softwares mais fundamentais estão evoluindo.
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