As distribuições Linux são sistemas operacionais excelentes na maioria dos aspectos, porém, a acessibilidade é um dos pontos nos quais esses softwares ainda possuem muito espaço para melhorar.

Em um post recente, a própria Red Hat, uma das maiores empresas diretamente relacionadas a Linux, reconheceu que não dá a atenção necessária ao assunto.

A iniciativa da Red Hat por acessibilidade

Por essa razão, dois colaboradores da Red Hat, Jiri Eischmann e Christian Fredrik Schaller, recentemente, tomaram uma iniciativa para contratar Lukas Tyrychtr, um engenheiro de software cego.

acessibilidade

A intenção por trás da contratação foi aumentar o número de pessoas deficientes que trabalham diretamente no desenvolvimento de software livre, incentivando-os, gerando oportunidades e mostrando a outros contratantes o quão benéfico pode ser ter essas pessoas no seu quadro de funcionários.

Além disso, a Red Hat também pretende aproveitar a experiência desse novo profissional para tornar os softwares da empresa mais acessíveis para pessoas portadoras de deficiências.

Qual será o foco do Lukas enquanto na Red Hat

O foco inicial do Lukas será trabalhar nas aplicações do projeto GNOME que estão sendo portadas para GTK 4 e assegurar-se de que elas funcionem bem em conjunto com as aplicações de acessibilidade atuais.

Segundo Lukas, algumas aplicações como o GNOME Calendar, ainda precisam de muito trabalho para alcançarem um nível satisfatório de qualidade no que diz respeito à acessibilidade.

Além disso, o novo contratado disse que uma tarefa muito importante é educar os desenvolvedores, tanto da Red Hat quanto independentes, para projetarem suas aplicações tendo em mente buscar tudo o que pode ser feito para torná-las o mais acessível possível.

A situação atual das distros Linux no quesito acessibilidade

Lukas também foi questionado sobre as suas impressões em relação ao quão bem as distros Linux atuais conseguem atender este público. Segundo ele, a acessibilidade no Linux não está tão ruim quanto algumas pessoas pensam, embora haja muito espaço para melhorias.

Funcionalidades como o suporte a Braille em modo texto costuma funcionar sem problemas e o leitor de tela Orca, embora ainda não possua muitas alternativas, funciona bem.

Segundo Lukas, em geral, os sistemas são “bem utilizáveis” quando estão rodando as interfaces gráficas mais populares, como GNOME e KDE, navegadores modernos e as aplicações mais atuais baseadas em Electron.

Alguns pontos de melhoria seriam a inclusão do SpeakUp (módulo do Kernel Linux para leitura de tela) em distros que, como o próprio Fedora, não o entregam instalado por padrão. Aprimoramentos como a implementação de uma voz mais natural aos leitores de tela também seriam adições que ajudariam muito a melhorar a acessibilidade.

Outras iniciativas de acessibilidade no mundo Linux

Grandes projetos do mundo Linux, como GNOME e KDE, possuem as suas próprias iniciativas de acessibilidade. Como estes são projetos comunitários, qualquer desenvolvedor disposto a contribuir com a acessibilidade nestes projetos pode acessar uma Wiki que contém todas as informações sobre como participar.

Outro exemplo é o módulo SpeakUp, que começou sendo apenas um leitor de tela e atualmente é uma união de diversos projetos relacionados com acessibilidade.

Acessibilidade posta em prática

No vídeo a seguir, o Neymar do canal TTS Supremo, que é uma pessoa com deficiência visual, fala sobre como a versão com a interface gráfica MATE do Linux Mint se sai em relação à acessibilidade.

Vale destacar que o vídeo acima é interessante para todos os tipos de público e traz informações bastante relevantes para todos nós, entusiastas de T.I.

O que você pensa sobre a acessibilidade nas distribuições Linux? Será que a iniciativa da Red Hat irá surtir efeito? Comente, abaixo, quais são as suas impressões sobre o assunto.

Isso é tudo pessoal! 😉


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