O CentOS (Community ENTerprise Operating System) é uma distribuição comunitária da Red Hat voltada para servidores que possui foco em estabilidade, porém, isso mudou recentemente, já que a versão estável recebeu sua última atualização.

Prepare sua bebida favorita e vamos falar um pouco sobre as mudanças no CentOS.

Qual é essa mudança?

O suporte a versão 8 do CentOS terá suporte até o final de 2021 e logo após essa data, será substituído pelo CentOS Stream, uma versão de desenvolvimento do RHEL.

Essa pequena mudança gerou um “rebuliço” entre os usuários da distribuição e diversos membros da comunidade, além de auxiliar outras empresas que oferecem serviços baseados em Linux a conseguir uma “fatia” do mercado.

O que é o CentOS Stream?

O CentOS Stream, é uma versão de desenvolvimento do RHEL, funcionando como um midstream entre o Fedora e o RHEL. Em um comunicado no blog oficial da distribuição, o CTO Chris Wright disse:  

“O projeto CentOS Stream fica entre o Fedora e o RHEL no processo de Desenvolvimento, fornecendo uma “rolling preview” dos futuros kernels e recursos do RHEL. Isso permite que os desenvolvedores fiquem um ou dois passos à frente do que está chegando no RHEL, o que anteriormente não era possível nas versões tradicionais do CentOS.”

Caso você queira saber um pouco mais sobre essa distribuição, temos um artigo no blog.

Por quê mudar?

Bem, para a Red Hat, o CentOS nunca foi visto como um servidor de produção, mas sim como um “preview” para o RHEL, sua distribuição comercial voltada a servidores.

Um dos prováveis motivos da mudança, seria aumentar o uso do RHEL, que segundo a W3techs, não chega a 1,8%  do mercado, enquanto o CentOS possui cerca de 18% do mercado Linux. 

Com essa pequena mudança, a equipe estaria “forçando” o uso do RHEL para empresas que preferem os sistemas que utilizam tecnologias Red Hat, trazendo por sua vez mais clientes, uma vez que a distribuição é paga.

Quais os impactos dessa mudança

Um dos primeiros impactos que a mudança trouxe foi uma certa revolta dos usuários da distribuição, sysadmins e a comunidade de usuários (muitos que possivelmente nem utilizam CentOS) pela “descontinuação” da versão estável do projeto.

Outro impacto interessante pode ocorrer no uso do sistema, uma vez que empresas que utilizam a versão 7 do CentOS não precisam se preocupar até 2024 (final do prazo de suporte), porém, tudo indica que muitas empresas irão optar por utilizar o RHEL ou até mesmo, o próprio CentOS Stream.

De forma semelhante a opção acima, é possível que várias empresas optem por não utilizar mais o CentOS ou RHEL. Migrando para outras soluções de servidores baseadas em Linux como o SLES (SUSE Linux Enterprise Server) da SUSE, Ubuntu Server da Canonical, Oracle Linux da Oracle, entre outras.

Qual o motivo da revolta?

Existem vários motivos para essa revolta, entre eles, temos o fato de que no lançamento do CentOS Stream, ele era apenas uma distribuição opcional para usuários que planejam desenvolver ferramentas para os sistemas de servidor da Red Hat.

Mesmo contando com o fato que o CentOS 7 será mantido até 2024, o CentOS 8 somente irá receber suporte até o final de 2021, ao invés de ser suportado até 2029. E isso, pode gerar um certo pânico em algumas situações, como ambientes corporativos de larga escala.

Exemplo: Imagine que você é um empresário e implementou o CentOS 8 em todos os prédios de seu empreendimento se baseando na promessa de 10 anos de suporte.

A implementação de um sistema que terá suporte até o final do ano que vem, gera um prejuízo enorme para empresas, que terão que:

  • Utilizar o RHEL 8 que possui suporte pago,
  • Implementar um outro sistema operacional em seus servidores, gerando um custo não planejado aos cofres da empresa (já que o sistema só deveria ser re-implementado somente após o fim do suporte).

De certa forma, o fato do CentOS “estável” ser descontinuado não gerou tanta revolta quanto a forma pelo qual foi descontinuado.

A Red Hat poderia avisar sobre essa mudança, mantendo o suporte da versão 8 até 2029, dando tempo para que a mudança se concretize. Porém, ela simplesmente “jogou uma bomba” em seus usuários.

A hora de outras empresas “brilharem”

Bem, como foi dito acima, existe a opção de utilizar o Red Hat no lugar do CentOS 8, porém ela não é a única opção. Você pode optar por migrar sua empresa para outros produtos e várias empresas estão dispostas a te ajudar nesse processo de migração.

Algumas das opções interessantes são o Debian e Ubuntu server, que são gratuitos (o Ubuntu Server oferece a opção de suporte pago) e que podem ser viáveis para seu empreendimento ou servidor caseiro.

Uma migração instantânea com o Oracle Linux

Caso você queira uma mudança mais “amigável”, a Oracle disponibilizou em seu site um script que muda seu sistema CentOS (versões 6 e 7 por enquanto) para o Oracle Linux. 

Esse script altera as configurações do yum para utilizar o servidor Oracle Linux para atualizar pacotes e instala a versão mais recente do Oracle Unbreakable Enterprise Kernel (Kernel empresarial inquebrável da Oracle em tradução livre), sem a necessidade de reiniciar o servidor (embora seja recomendado para utilizar o Kernel novo).

Caso você queira saber mais sobre esse script e tirar algumas dúvidas, basta acessar o site do Oracle Linux.

O que você achou dessa mudança no projeto? Você utiliza o CentOS? Deixe pra gente nos comentários e até o próximo artigo!


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