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Mainframes: a tecnologia que nunca saiu de cena

Quando pensamos em computadores gigantes e antigos, muitas vezes nos vem à mente imagens de enormes máquinas com fitas magnéticas, ocupando salas inteiras. Essa imagem está fortemente associada aos Mainframes, uma tecnologia que existe desde os anos 1950, e que, surpreendentemente para muitos, ainda é amplamente utilizada em várias indústrias modernas.

Mesmo que seja raro encontrar um Mainframe na casa de alguém ou em uma pequena empresa, a realidade é que muitas das transações que fazemos no nosso dia a dia — desde compras online até a movimentação de grandes somas de dinheiro — dependem dessas máquinas robustas e confiáveis.

Mas o que é um Mainframe exatamente? E por que, em plena era da computação em nuvem e de supercomputadores, essa tecnologia de mais de 50 anos ainda desempenha um papel tão importante?

A Evolução dos Mainframes

A ideia de que os Mainframes são relíquias do passado não poderia estar mais longe da verdade. Claro, os primeiros Mainframes ocupavam salas inteiras e tinham capacidade de processamento modesta quando comparada aos padrões atuais. No entanto, com o tempo, eles evoluíram de forma drástica, passando por várias gerações de melhorias tecnológicas.

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Hoje, os Mainframes modernos, como os fabricados pela IBM, são máquinas incrivelmente poderosas. Embora tenham mantido seu design robusto, com raques enormes cheios de cabos e chips, suas capacidades se expandiram de forma extraordinária. O IBM Z, por exemplo, é capaz de processar trilhões de transações diariamente, sendo uma peça fundamental para o funcionamento de grandes bancos, instituições financeiras e até mesmo sistemas de governos.

Apesar dessa evolução, a confusão entre Mainframes e supercomputadores ainda é comum. Afinal, ambos são computadores potentes e grandes. No entanto, suas funções são bastante distintas. Enquanto supercomputadores são otimizados para resolver problemas extremamente complexos, como simulações climáticas ou análises científicas avançadas, os Mainframes são projetados para lidar com uma enorme quantidade de transações simultâneas de maneira consistente e confiável. Isso os torna ideais para ambientes que exigem altíssima disponibilidade e precisão, como no caso de transações bancárias e sistemas de gestão empresarial.

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Uma peça chave em infraestrutura

Quando você passa o cartão de crédito em uma máquina de pagamento, é bem provável que um Mainframe esteja por trás da aprovação da transação. Essas máquinas são amplamente utilizadas em operações financeiras, onde a rapidez, a segurança e a confiabilidade são essenciais. Empresas do setor bancário e da bolsa de valores utilizam Mainframes para garantir que milhões de transações sejam processadas em frações de segundos, sem falhas.

Além disso, a robustez dessas máquinas permite que elas operem de maneira ininterrupta. Se um componente falhar, outro entra em operação sem interromper as atividades. Esse nível de redundância evita qualquer tipo de downtime, algo inaceitável em operações de alta criticidade, como a movimentação de bilhões de dólares no sistema financeiro global.

A IBM, que domina o mercado de Mainframes, é responsável por cerca de 90% dos modelos em operação atualmente. Esses Mainframes são tão importantes que 92 dos 100 maiores bancos do mundo ainda confiam neles para processar suas transações. Eles também são responsáveis por 87% das transações de cartões de crédito no mundo, movimentando aproximadamente 8 trilhões de dólares anualmente.

Mainframes vs. servidores tradicionais 

Com a crescente adoção da computação em nuvem e o uso de servidores comuns, como os populares CPUs Xeon da Intel ou Epic da AMD, é natural questionar por que algumas indústrias ainda preferem utilizar Mainframes. Se empresas gigantes como Google e Amazon estão usando hardwares de mercado para grande parte de suas operações, por que não seguir o exemplo e abandonar essa tecnologia considerada “defasada”?

A resposta para essa pergunta está na natureza das operações realizadas pelos Mainframes. Embora servidores comuns sejam ótimos para muitas aplicações, eles não conseguem competir com os Mainframes quando o assunto é a capacidade de throughput de dados — ou seja, o volume de dados que pode ser processado simultaneamente com precisão.

Além disso, o design dos Mainframes favorece a comunicação interna de dados de maneira mais eficiente. Em vez de depender da velocidade da rede do datacenter para conectar diferentes servidores, como ocorre em uma estrutura de computação distribuída, os Mainframes centralizam todo o processamento em um único sistema, evitando gargalos e aumentando a eficiência.

Empresas que necessitam de um ambiente centralizado, como bancos e grandes indústrias, veem no Mainframe uma solução que não apenas garante desempenho e confiabilidade, mas também é mais econômica a longo prazo. Um estudo do site Planet Mainframe em 2021 mostrou que, em certos casos, o uso de um Mainframe pode ser mais barato do que montar e manter uma infraestrutura equivalente com servidores convencionais.

O Mainframe está defasado?

A dúvida levantada por um membro do canal sobre se o Mainframe está defasado e se é melhor investir apenas em servidores é compreensível. A verdade, no entanto, é que Mainframes não são simplesmente um vestígio do passado. Eles ainda têm um papel importante em diversas indústrias que exigem altíssima confiabilidade, segurança e desempenho.

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A discussão sobre a obsolescência dos Mainframes geralmente ignora o fato de que essa tecnologia continua a evoluir. Hoje, muitos Mainframes rodam sistemas operacionais modernos, como distribuições Linux (Red Hat Enterprise Linux e Ubuntu, por exemplo) e até mesmo Docker, permitindo que as mesmas aplicações rodem tanto em um Mainframe quanto em um servidor tradicional.

Além disso, a tendência atual não é de substituir completamente os Mainframes, mas sim de integrá-los em uma estrutura de nuvem híbrida, onde parte da infraestrutura roda localmente e parte na nuvem. Essa abordagem permite que as empresas aproveitem o melhor dos dois mundos: a confiabilidade dos Mainframes e a flexibilidade da computação em nuvem.

O futuro dos mainframes

A ideia de que os Mainframes estão morrendo é, portanto, um equívoco. Eles ainda desempenham um papel vital em muitas operações críticas e, graças à sua capacidade de evoluir e se adaptar às necessidades modernas, continuarão a ser uma parte importante da infraestrutura tecnológica global.

Enquanto muitas empresas migram para soluções baseadas em nuvem, outras ainda veem nos Mainframes uma solução mais robusta e econômica para suas operações. O uso de nuvem híbrida — que combina a flexibilidade da nuvem com a segurança e confiabilidade dos Mainframes — também está se tornando uma estratégia cada vez mais comum.

Portanto, vale a pena investir apenas em servidores? A resposta depende do tipo de problema que você está tentando resolver. Mainframes continuam a ser a escolha ideal para certas indústrias, especialmente aquelas que lidam com grandes volumes de dados financeiros e transações críticas.

Seja através de Mainframes, servidores ou nuvens, o mais importante é escolher a solução certa para suas necessidades. E com Mainframes ainda processando trilhões de transações financeiras todos os anos, fica claro que eles ainda têm um longo caminho pela frente antes de serem considerados uma tecnologia obsoleta.

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Conclusão

Em um mundo cada vez mais digital, onde a computação em nuvem e os servidores tradicionais dominam as discussões, os Mainframes permanecem como pilares invisíveis que sustentam grande parte das nossas interações financeiras e empresariais. Longe de serem obsoletos, eles continuam a evoluir e a desempenhar seu papel em muitas operações críticas, provando que ainda há muito espaço para essa tecnologia na era moderna.

Então, da próxima vez que você passar o cartão ou realizar uma transação bancária, lembre-se: pode ser que um Mainframe esteja garantindo que tudo aconteça de forma rápida e segura, mantendo o mundo em movimento, sem que a maioria de nós sequer perceba.

Este conteúdo foi criado baseado em uma pergunta feita por um membro para o quadro Diolinux Responde. Seja um membro você também para fazer suas perguntas, participar de um canal direto de comunicação com a nossa equipe e ainda ter acesso a uma série de cursos e vídeos exclusivos, incluindo a resposta a todas as outras perguntas feitas para o quadro!

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