Rust no kernel Linux?

Rust no kernel Linux?

Escrito na famosa (e antiga) linguagem de programação C, o kernel Linux existe há cerca de 30 anos sempre trazendo inovação e suporte a hardwares novos em cada lançamento que realiza.

Para que ele continue sempre evoluindo, várias empresas apoiam o projeto do Kernel, seja ajudando com o código, oferecendo sugestões e até mesmo financeiramente, para que os mantenedores tenham um salário e possam pagar suas contas no fim do mês.

A Google, está financiando um projeto que visa aperfeiçoar ainda mais o kernel Linux, trocando algumas partes escritas em C pela linguagem Rust, que é mais moderna e segura, visando melhorar seus sistemas operacionais e até mesmo seus servidores.

Os projetos merecem ser atualizados

O Kernel Linux foi lançado no ano de 1991 utilizando uma linguagem que existe desde a década de 1970 (contabilizando 49 anos em 2021) e podemos dizer que mesmo funcionando bem, estamos com uma tecnologia um pouco obsoleta.

Mesmo sendo a linguagem considerada ideal para o projeto, após quase 50 anos de lançamento, várias vulnerabilidades e bugs são encontrados na linguagem, tornando-a mais suscetível a hacks de organizações criminosas e vazamentos de dados, já que a grande maioria dos servidores roda sobre o Kernel Linux.

Existente há cerca de dez anos, o projeto Rust surgiu pelas mãos da Mozilla, fundação por trás do navegador Firefox e é uma linguagem relativamente moderna, utilizada em diversos projetos, por ser eficiente, versátil e confiável.

Benéfico para todos, inclusive para a comunidade

Além dos benefícios que a Google procura, até porque a empresa não investiria em algo que não trouxesse retorno para ela, o incentivo de trazer o Rust no kernel Linux vai ser bastante benéfico para a comunidade.

Segurança: O ponto principal da utilização de uma linguagem mais moderna é a segurança do Kernel, já que ele estará protegido de alguns tipos de ataques dos quais a linguagem Rust pode se defender, como, por exemplo, o problema do buffer overflow.

Mais desenvolvedores: Por se tratar de uma linguagem mais recente, trazer o suporte a esta linguagem no kernel pode fazer com que o número de desenvolvedores cresça consideravelmente.

O Kernel vai ser reescrito com Rust?

Definitivamente não, o objetivo do projeto Rust for Linux não é reescrever todo o kernel com a nova linguagem, mas sim algumas partes específicas, possibilitando a implementação de novos componentes do Kernel.

Para o Google, esta iniciativa é interessante, pois o kernel Linux é a base do Android e do Chrome OS  e melhorando a segurança do Kernel, todos os sistemas operacionais que o utilizem como base, além dos servidores da empresa serão beneficiados.

Como funciona o apoio do Google?

Bem, o Google não trabalha diretamente com este projeto, mas em vez disso, a companhia está apoiando o Internet Security Research Group (ISRG), uma organização sem fins lucrativos que está por trás da autoridade certificadora Let’s Encrypt.

Essa parceria surge para remunerar o trabalho de Miguel Ojeda, o desenvolvedor que criou o software do acelerador de partículas “Grande Colisor de Hádrons” e que também contribui ativamente com o Linux, para que ele se dedique em tempo integral ao projeto.

Vale lembrar que nem todas as propostas feitas por Ojada serão aceitas, já que qualquer mudança submetida passa por uma análise de mantenedores do kernel. Linus Torvalds deixou claro que não se opõe a eventuais mudanças que possam ocorrer com esse projeto, contanto que sejam comprovadas as vantagens dos códigos escritos em Rust.

O que você acha dessa nova iniciativa? Será que teremos um kernel melhorado em suas versões futuras? Deixe sua opinião nos comentários e até o próximo artigo!


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