Ubuntu abre diálogo com Linux Mint sobre o caso dos Snaps ainda em 2020

Ubuntu Linux Mint Snap Flatpak

Realmente estamos passando por alguns momentos bastante interessantes, para não dizer inusitados, em 2020. A bola da vez é um “casamento” que parecia perfeito e que de uns tempos para cá começou a dar indícios que poderia estar abalado. Estou falando mais precisamente do projeto Linux Mint e o Ubuntu (Canonical).

Como abordamos no artigo sobre as novidades do Linux Mint 20, o líder do projeto Clément Lefèbvre fez duras críticas sobre como o Google Chromium via snap é distribuído e também comentou o porquê de não estar “mandando” o snap pré-instalado no Mint e que fariam um “tutorial” para isso.

Mais um capítulo na novela Mint e Ubuntu

Essa novela envolvendo o Linux Mint e o Ubuntu, ganhou mais um capítulo (que já está parecendo um dramalhão mexicano 😅). Através de uma reportagem feita pelo jornalista da ZDNet,  Steven J. Vaughan-Nichols, que conseguiu um posicionamento de um membro da equipe responsável pelo Ubuntu.

O nosso post é baseado na matéria da ZDNet, e muitas afirmações feitas só foram achada nela.

Ele conseguiu a seguinte declaração de um representante da empresa:

“Canonical designed Snaps based on a number of principles which include security, ease of use and to reduce fragmentation in the Linux ecosystem. Outside of Ubuntu, Linux Mint has the highest number of users across all compatible distributions. These users have chosen to install Snaps based on the reasons outlined above among others. We appreciate and encourage their adoption of the Snaps available in the Snapcraft Store. We would welcome Linux Mint to engage with us and our community to discuss such topics, as we do with other distributions, and work together going forward.”

“Os Snaps são projetados pela Canonical com base em vários princípios que incluem segurança, facilidade de uso e redução da fragmentação no ecossistema Linux. Fora do Ubuntu, o Linux Mint tem o maior número de usuários em todas as distribuições compatíveis. Esses usuários optaram por instalar o Snaps com base nos motivos descritos acima, entre outros. Agradecemos e incentivamos a adoção dos Snaps disponíveis na Snapcraft Store. Gostaríamos que o Linux Mint se envolvesse conosco e com nossa comunidade para discutirmos esses tópicos, como fazemos com outras distribuições, e trabalharmos juntos daqui para frente.”

Sobre a polêmica que se criou em torno do Google Chromium via Snap, o representante da Canonical disse:

“Regarding Chromium, the decision was made to ship as a Snap in the Ubuntu 19.10 release. Prior to that, we communicated this and the reasons why in a blog post. The status of Chromium remains the same in the recent Ubuntu 20.04 LTS release as it did in Ubuntu 19.10.”

“Em relação ao Chromium, foi tomada a decisão de enviar como um Snap na versão Ubuntu 19.10. Antes disso, comunicamos isso e os motivos em uma postagem no blog. O status do Chromium permanece o mesmo na versão recente do Ubuntu 20.04 LTS como fez no Ubuntu 19.10. “

Quem também foi ouvido pela reportagem da ZDNet foi o gerente de comunidade da Canonical para serviços de engenharia do Ubuntu (Canonical’s community manager for Ubuntu engineering services), Alan Pope, comentou que a empresa estava ciente que a transição do pacote DEB (compatível com o APT) para Snap não seria fácil, complementando:

Chromium is a very popular web browser, the fully open-source counterpart to Google Chrome. On Ubuntu, Chromium is not the default browser, and the package resides in the ‘universe’ section of the archive. Universe contains community-maintained software packages. Despite that, the Ubuntu Desktop Team is committed to packaging and maintaining Chromium because a significant number of users rely on it. Maintaining a single release of Chromium is a significant time investment for the Ubuntu Desktop Team working with the Ubuntu Security team to deliver updates to each stable release. As the teams support numerous stable releases of Ubuntu, the amount of work is compounded. Comparing this workload to other Linux distributions which have a single supported rolling release misses the nuance of supporting multiple Long Term Support (LTS) and non-LTS releases. Google releases a new major version of Chromium every six weeks, with typically several minor versions to address security vulnerabilities in between. Every new stable version has to be built for each supported Ubuntu release − 16.04, 18.04, 19.04, and the upcoming 19.10 − and for all supported architectures (amd64, i386, armhf, arm64). Additionally, ensuring Chromium even builds (let alone runs) on older releases such as 16.04 can be challenging, as the upstream project often uses new compiler features that are not available on older releases. In contrast, a Snap needs to be built only once per architecture, and will run on all systems that support Snapd. This covers all supported Ubuntu releases including 14.04 with Extended Security Maintenance (ESM), as well as other distributions like Debian, Fedora, Mint, and Manjaro.”

“O Chromium é um navegador muito popular, o equivalente de código totalmente aberto do Google Chrome. No Ubuntu, o Chromium não é o navegador padrão e o pacote reside na seção ‘universe’ do arquivo . O universe contém pacotes de software mantidos pela comunidade. Apesar disso, a equipe do Ubuntu Desktop está comprometida em empacotar e manter o Chromium porque um número significativo de usuários depende dele. Manter uma única versão do Chromium é um investimento significativo para a equipe do Ubuntu Desktop trabalhar com a equipe de segurança do Ubuntu para fornecer atualizações para cada versão estável. Como as equipes suportam inúmeras versões estáveis ​​do Ubuntu, a quantidade de trabalho é composta. A comparação dessa carga de trabalho com outras distribuições Linux que possuem uma única versão rotativa suportada perde a nuance de oferecer suporte a várias versões LTS (Long Term Support) e não LTS. O Google lança uma nova versão principal do Chromium a cada seis semanas, com várias versões secundárias para abordar vulnerabilidades de segurança no meio. Cada nova versão estável deve ser criada para cada versão suportada do Ubuntu – 16.04, 18.04, 19.04 e 19.10 – e para todas as arquiteturas suportadas (amd64, i386, armhf, arm64). Além disso, garantir que o Chromium seja compilado ((let alone runs)) em versões mais antigas, como a 16.04, pode ser um desafio, pois o projeto upstream geralmente usa novos recursos do compilador que não estão disponíveis em versões mais antigas. Por outro lado, um Snap precisa ser construído apenas uma vez por arquitetura e será executado em todos os sistemas que suportam o Snapd. Isso abrange todos os lançamentos suportados do Ubuntu, incluindo o 14.04 com Extended Security Maintenance (ESM), bem como outras distribuições como Debian, Fedora, Mint e Manjaro.”

Neste ponto, o Pope tem razão, pois essa ““necessidade”” de se fazer uma versão do aplicativo para cada distro e suas peculiaridades, é um trabalho um tanto quanto árduo e ingrato.

Outro ponto muito importante e bastante pertinente para a discussão, é o porque que as empresas que são desenvolvedoras de softwares (conhecidas como ISVs ou  Independent Software Vendor) não portam os seus produtos para Linux, e um dos motivos é essa falta de padronização.

Quem levantou essa questão foi o fundador e ex-CEO da NextCloud e ex-membro conselheiro do KDE, Frank Karlitschek, na LAS (Linux Application Summit) de 2019, em que o Linux teria “apenas 500 ou 600” aplicativos em relação ao macOS e o Windows.

Na LAS de 2019, os desenvolvedores concordam que o futuro do Desktop é a entrega dos aplicativos em conteiners. Com isso os Snaps e Flatpacks se encaixam nesta proposta, facilitando assim tanto a parte de quem desenvolve quanto de quem vai usar (usuário final). Quem também prefere essa abordagem, é Linus Torvalds, que está “cansado” da fragmentação do Desktop Linux e que isso poderia ajudar. Ele prefere o Flatpak.

Bom, eu espero que essa “novela” se resolva o mais breve possível, e que o Clément (Linux Mint) e o pessoal da Canonical (Ubuntu), consigam entrar em um acordo para que nada de mais radical aconteça.

Fonte: ZDNet

Nos vemos no próximo artigo, forte abraço!

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