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O Android pode finalmente chegar com tudo nos computadores

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O líder do time de desenvolvimento do Android, Sameer Samat, deu uma entrevista ao TechRadar e, ao falar sobre os planos futuros do sistema, acabou deixando escapar uma informação que muitos já desconfiavam: o Google está trabalhando para combinar o Android e o ChromeOS em uma única plataforma.

A declaração não foi exatamente um vazamento bombástico, já que os sinais dessa fusão vinham aparecendo há anos, tanto no Android quanto no ChromeOS. No entanto, como nunca houve um anúncio oficial, tudo ficava no campo das especulações. Agora, com um executivo do Google confirmando os planos, fica claro que essa união não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

Mas o que isso significa para nós, usuários? Como essa fusão pode mudar a forma como usamos nossos dispositivos? E, mais importante: será que o Android finalmente conseguirá conquistar os computadores tradicionais?

Por que unir os dois sistemas?

O Android e o ChromeOS têm mais em comum do que parece. Ambos são baseados no kernel Linux, ambos rodam aplicativos Android e, nos últimos anos, ambos ganharam suporte para containers Linux, permitindo a execução de programas tradicionais de desktop.

O ChromeOS começou sua vida como um sistema operacional extremamente simples, essencialmente um navegador Chrome rodando em um notebook. Com o tempo, porém, o Google percebeu que só web apps não eram suficientes. Foi assim que, em 2014, o ChromeOS ganhou suporte à Google Play, permitindo que aplicativos Android fossem executados em Chromebooks. Em 2018, veio o suporte a containers Linux, tornando o sistema mais versátil para desenvolvedores e usuários avançados.

Enquanto isso, o Android também evoluiu. A versão mais recente do sistema introduziu um modo desktop semelhante ao Samsung DeX, transformando smartphones em estações de trabalho quando conectados a monitores externos. Além disso, o Android agora também suporta containers Linux, assim como o ChromeOS.

Diante disso, surge a pergunta: se os dois sistemas já fazem quase a mesma coisa, por que mantê-los separados?

Um sistema pato

O ChromeOS tem suas vantagens. Ele é leve, seguro, praticamente não requer manutenção e é uma ótima opção para empresas que precisam gerenciar muitos dispositivos. Além disso, o ChromeOS Flex permite instalar o sistema em computadores antigos, dando sobrevida a hardwares que já não aguentam mais o Windows.

Mas vamos ser sinceros: o ChromeOS é um sistema meio “pato”. Ele roda apps Android, mas não melhor do que o próprio Android. Ele roda apps Linux, mas não melhor do que uma distribuição tradicional. Ele roda web apps, mas a experiência não é muito diferente de abrir o Chrome em qualquer outro sistema.

Ou seja, ele faz muitas coisas, mas nenhuma delas de forma excepcional. E se o Android já está caminhando para cobrir esses mesmos casos de uso, faz sentido que o Google queira simplificar sua estratégia.

Se o Android substituir o ChromeOS, isso pode significar que, em breve, veremos laptops e desktops rodando o sistema. Já imaginou entrar em uma loja e encontrar um notebook com Android?

Até pouco tempo atrás, essa ideia pareceria absurda. O Android sempre foi pensado para telas sensíveis ao toque, e sua interface não era amigável para mouse e teclado. Mas isso está mudando. Com o modo desktop e o suporte a periféricos tradicionais, o Android está se tornando uma opção viável para computadores.

E isso pode ser uma jogada inteligente contra a Apple e a Microsoft. A Apple já está aproximando o macOS e o iPadOS, enquanto a Microsoft investe pesado em IA integrada ao Windows. Se o Google conseguir transformar o Android em um sistema unificado para smartphones, tablets e computadores, ele pode criar um ecossistema tão coeso quanto o da Apple, ou mais.

E o ChromeOS Flex? E o Google Chrome?

Uma das grandes vantagens do ChromeOS é a possibilidade de instalá-lo em hardwares antigos através do ChromeOS Flex. Se o ChromeOS for aposentado, será que teremos um “Android Flex” no lugar?

Essa é uma questão em aberto. O Android, em sua forma atual, não foi projetado para ser instalado em qualquer máquina, como o ChromeOS Flex. Mas se o Google realmente quiser substituir o ChromeOS, é provável que uma versão mais leve e adaptável do Android surja para preencher esse espaço.

Outro fator que pode estar influenciando essa fusão é a pressão regulatória. O governo dos EUA já “sugeriu” (leia-se: pressionou) o Google a se desfazer do Chrome. Como o ChromeOS é baseado no Chromium, o mesmo projeto que sustenta o navegador, abandonar o ChromeOS em favor do Android pode ser uma forma de proteger o negócio.

Afinal, se o ChromeOS desaparecer, o Google ainda terá o Android como plataforma dominante em dispositivos móveis e, quem sabe, competindo em computadores também.

Será que o Android vai ser o “Linux do desktop” que nunca tivemos?

Brincadeiras à parte, se o Android se tornar um sistema viável para desktops, isso pode significar milhões de novos dispositivos rodando um sistema baseado em Linux. Apesar de o Android não ser totalmente aberto (muitos componentes são proprietários), ele ainda é construído em cima do kernel Linux.

Isso pode trazer benefícios indiretos para outras distribuições. Se mais fabricantes passarem a desenvolver drivers para o Android, esses mesmos drivers podem acabar sendo compatíveis com outras versões de Linux, melhorando o suporte a hardware no mundo open source.

Mas ainda há muitas perguntas sem resposta. Como ficarão os Chromebooks atuais? O Android terá suporte empresarial tão robusto quanto o ChromeOS? E o projeto da Valve para trazer o Steam para o ChromeOS—será adaptado para o Android?

Enquanto isso, podemos apenas especular e, quem sabe, torcer para que o Android finalmente consiga fazer o que muitas distribuições Linux tentaram por anos: se tornar uma opção realmente popular entre usuários comuns no desktop.

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