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Será que a Microsoft vai transformar o Windows em Linux?

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Será que a Microsoft está, aos poucos, transformando o Windows em uma distribuição Linux? Há alguns anos essa ideia parecia completamente absurda. Hoje ela ainda parece improvável, mas já não soa tão impossível quanto antes. Afinal, a Microsoft mantém distribuições Linux próprias, contribui com projetos open source, leva ferramentas clássicas do ecossistema Linux para dentro do Windows e depende cada vez mais do Linux em sua infraestrutura.

Essa foi apenas uma das perguntas enviadas pelos membros do canal para o Diolinux Responde deste mês. Também vamos falar sobre uma tecnologia que pode mudar o futuro dos jogos no Linux, entender por que o Photopea conseguiu conquistar tantos usuários enquanto o GIMP parece perder espaço e discutir o que esperar do próximo Linux Mint.

A Microsoft está desistindo do Windows?

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O Daniel perguntou se a Microsoft teria desistido do Windows para começar a investir em uma distribuição Linux.

Quem acompanha apenas as manchetes pode até chegar a essa conclusão. Nos últimos anos vimos a empresa lançar o Azure Linux, aproximar ainda mais o Windows do Ubuntu através do WSL e, mais recentemente, incorporar ao sistema os GNU Core Utilities, aproximando o terminal do Windows da experiência encontrada nas distribuições Linux.

São mudanças importantes, mas elas não apontam necessariamente para o desaparecimento do Windows.

O Azure Linux, por exemplo, nunca foi pensado para o desktop. Trata-se de uma distribuição voltada para infraestrutura de nuvem, servidores e ambientes corporativos. Ela existe porque faz sentido para os negócios da Microsoft, não porque representa um substituto para o Windows.

A chegada dos Core Utilities segue a mesma lógica. Durante muito tempo, desenvolvedores precisavam alternar constantemente entre comandos diferentes dependendo do sistema operacional utilizado. Agora, Windows, Linux e até macOS passam a compartilhar um conjunto muito maior de ferramentas e comandos, reduzindo essa diferença.

Na realidade, a Microsoft está tornando o Windows um ambiente mais confortável para desenvolvedores, especialmente aqueles que trabalham diariamente com Linux. Isso significa que um dia veremos um Windows rodando sobre um kernel Linux?

É impossível afirmar que isso nunca acontecerá. A Microsoft já mostrou diversas vezes que está disposta a abandonar tecnologias próprias quando encontra uma solução melhor ou mais rentável. Basta lembrar do navegador Edge, que trocou sua própria engine pelo Chromium, ou da adoção cada vez maior de projetos open source dentro da empresa.

Se um kernel Linux representasse vantagens financeiras, técnicas ou estratégicas suficientes, provavelmente a empresa não teria qualquer apego ao kernel NT. Ao mesmo tempo, também não existe hoje nenhum indício concreto de que isso esteja nos planos.

O Windows continua sendo uma das principais plataformas da Microsoft e movimenta um ecossistema gigantesco de hardware, softwares corporativos e licenciamento. Mudar esse alicerce seria uma decisão extremamente complexa.

Ainda assim, algumas ideias que pareciam completamente inviáveis dez anos atrás acabaram se tornando realidade. Durante muito tempo também parecia impossível imaginar jogos AAA rodando no Linux com poucos cliques, e hoje isso acontece graças ao Proton.

Às vezes a tecnologia evolui justamente quando deixamos de tratar certas possibilidades como impossíveis.

O multikernel ainda tem futuro?

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Essa evolução tecnológica apareceu na pergunta do Rafael, que quis saber como anda o desenvolvimento do conceito de multikernel.

O tema ganhou bastante atenção quando surgiu como uma possível solução para um dos maiores obstáculos enfrentados pelos jogos no Linux: os sistemas de anti-cheat que exigem acesso profundo ao kernel. A ideia é permitir que múltiplos kernels coexistam de maneira coordenada, possibilitando que determinados componentes executem com níveis diferentes de acesso e isolamento.

É um conceito extremamente sofisticado e que ainda está longe de virar algo comum nos computadores domésticos. O projeto continua evoluindo através da empresa responsável pelo seu desenvolvimento, mas praticamente todo o foco está voltado para aplicações corporativas, computação em nuvem e containers.

Isso faz bastante sentido: resolver problemas de infraestrutura para grandes empresas costuma gerar retorno financeiro muito maior do que investir em soluções específicas para jogos eletrônicos. Mesmo assim, o trabalho desenvolvido pode acabar beneficiando outras áreas no futuro.

Se um dia essa tecnologia chegar ao desktop, provavelmente será porque alguma empresa enxergou valor suficiente para investir nessa adaptação. E, quando o assunto é jogos no Linux, existe uma candidata óbvia.

A Valve já demonstrou inúmeras vezes que está disposta a financiar tecnologias capazes de fortalecer o ecossistema Linux. O Proton, o DXVK, melhorias no Mesa, no Wine e em diversos componentes do kernel mostram que ela costuma apostar em projetos de longo prazo.

Por isso, se algum dia uma solução baseada em multikernel realmente se mostrar viável para resolver limitações impostas pelos anti-cheats, dificilmente ela chegará ao usuário sem algum tipo de participação da Valve.

Hoje isso ainda é especulação. Mas também era especulação quando alguém dizia, anos atrás, que milhares de jogos do Windows rodariam no Linux praticamente sem configuração alguma.

Como um editor no navegador conseguiu ultrapassar o GIMP?

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Poucas perguntas geraram tanta reflexão quanto a do Allison. Como um editor de imagens que roda diretamente no navegador conseguiu conquistar tantos usuários enquanto o GIMP parece permanecer sempre correndo atrás?

A resposta provavelmente não está relacionada ao número de ferramentas disponíveis. O GIMP continua sendo extremamente poderoso. Para muitos tipos de trabalho, ele entrega praticamente tudo o que um usuário precisa. O problema está na experiência.

O design do programa envelheceu muito mais rápido do que suas capacidades técnicas. Quem abre o GIMP pela primeira vez dificilmente sente que está utilizando um software moderno. A interface transmite uma sensação de projeto antigo, construída ao longo de décadas de pequenas evoluções em vez de grandes reformulações.

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Isso pesa bastante justamente em um mercado onde aparência, usabilidade e fluxo de trabalho possuem enorme importância. Enquanto isso, o Photopea fez exatamente o caminho contrário.

Ele praticamente reproduz a organização visual do Photoshop, reduzindo drasticamente a curva de aprendizado para quem já conhece o software da Adobe. Em poucos minutos, um usuário consegue localizar camadas, ferramentas, painéis e menus quase exatamente onde espera encontrá-los. Essa familiaridade vale muito.

Além disso, o Photopea conseguiu algo que muita gente nem percebe: apesar de funcionar no navegador, ele executa praticamente todo o processamento localmente. As imagens não precisam ser enviadas para servidores externos durante a edição. Inclusive, depois que o aplicativo é carregado, ele continua funcionando mesmo se a conexão com a internet cair.

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Essa característica fez surgir até aplicações como o Photocrea, que basicamente empacotam o Photopea dentro de uma janela própria para que ele se comporte como um aplicativo tradicional no desktop.

Enquanto isso, o GIMP continua enfrentando críticas antigas relacionadas à compatibilidade com arquivos PSD, limitações envolvendo CMYK e uma interface que permanece distante daquilo que a maior parte do mercado utiliza diariamente. É justamente por isso que projetos como o PhotoGIMP fizeram tanto sucesso.

Eles não adicionam novas funcionalidades revolucionárias. Apenas reorganizam atalhos e elementos da interface para reduzir o impacto da migração de usuários acostumados com o Photoshop. Essa adaptação poderia perfeitamente existir como uma opção oficial dentro do próprio GIMP.

Vários softwares permitem escolher diferentes esquemas de atalhos ou layouts de interface durante a configuração inicial. No caso do GIMP, isso nunca aconteceu, não por falta de capacidade técnica, mas provavelmente por escolhas filosóficas do próprio projeto.

Enquanto essas discussões continuam, novos concorrentes começam a surgir. Um exemplo recente é o Fog Panther, editor desenvolvido especificamente para atender demandas profissionais que historicamente representam dificuldades para o GIMP, como suporte aprimorado a arquivos PSD e ao fluxo de trabalho em CMYK.

O GIMP ainda tem salvação? Sem dúvida. Ele continua sendo um dos projetos mais importantes do software livre. Mas o tempo passa para todos. E quanto mais lentamente um projeto evolui, maior se torna o espaço para que novas alternativas ocupem aquilo que antes parecia ser exclusivamente seu.

O Linux Mint 23 será um divisor de águas?

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Depois de tantos anos consolidado como uma das distribuições mais recomendadas para quem está chegando ao Linux, o Linux Mint se prepara para uma das mudanças mais importantes da sua história recente. Foi justamente sobre isso que o Kauan perguntou: o Mint 23 será um grande salto? A resposta é sim, mas talvez não pelos motivos que muita gente imagina.

O grande destaque da próxima versão será a chegada definitiva do Wayland ao Cinnamon. Depois de anos de desenvolvimento, a equipe do Mint finalmente considera que a experiência atingiu maturidade suficiente para deixar de ser tratada como experimental. 

Só que existe um detalhe importante: para o usuário, o melhor cenário possível é justamente perceber poucas diferenças.

Parece contraditório, mas faz sentido. O Wayland chega ao Linux Mint para substituir uma tecnologia que está no desktop Linux há décadas. Se essa transição for bem-sucedida, a expectativa é que tudo continue funcionando exatamente como antes, só que sobre uma base mais moderna.

Quem já utiliza ambientes como KDE Plasma ou GNOME em Wayland sabe que, quando tudo está funcionando corretamente, a mudança quase passa despercebida.

Animações mais suaves, melhor suporte a escalonamento fracionado, gerenciamento mais moderno de múltiplos monitores, melhorias de segurança e uma infraestrutura preparada para os próximos anos acabam aparecendo aos poucos, sem que exista uma única funcionalidade capaz de dizer “olha só essa novidade”. É justamente isso que eu espero do Mint.

Hoje utilizo KDE Plasma com Wayland e uma placa NVIDIA, além de monitor de alta resolução utilizando escala fracionada. Durante muito tempo essa combinação era praticamente sinônimo de problemas. Atualmente ela funciona de forma extremamente estável. O Cinnamon precisa chegar nesse mesmo patamar.

Outro destaque será o novo aplicativo de captura de tela. Ele não nasceu porque a equipe teve uma ideia revolucionária sobre screenshots. Na verdade, surgiu porque a migração para Wayland exigiu uma solução mais integrada ao novo protocolo gráfico.

Esse tipo de mudança acontece bastante durante grandes transições tecnológicas. Muitas ferramentas acabam sendo reescritas simplesmente porque o funcionamento interno do sistema mudou. Também vale lembrar que o Mint continuará baseado no Ubuntu 26.04 LTS, o que garante acesso a uma base extremamente sólida para os próximos anos.

Somando isso ao novo instalador, às melhorias no Cinnamon e à consolidação do Wayland, fica claro que estamos diante de uma das maiores mudanças estruturais já feitas pela distribuição. Talvez o usuário não sinta um impacto gigantesco logo no primeiro dia, mas existe uma boa chance de que o Mint 23 seja lembrado como a versão que preparou o terreno para todas as evoluções que virão depois.

Existe mercado para quem trabalha com Linux?

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Uma dúvida muito interessante veio do Meliante Maligno. Hoje em dia parece que qualquer conversa sobre carreira em tecnologia acaba terminando em programação. Dá a impressão de que aprender a desenvolver software é praticamente o único caminho possível. Só que o mercado é muito maior do que isso.

Quem mantém servidores funcionando, administra clusters Kubernetes, configura ambientes em nuvem, automatiza infraestrutura e garante que aplicações continuem disponíveis para milhões de usuários normalmente não trabalha escrevendo aplicativos.

Estamos falando de administradores de sistemas, engenheiros de infraestrutura, profissionais de DevOps, SREs e diversas outras especializações que utilizam Linux diariamente. É um mercado que costuma aparecer muito menos nas redes sociais justamente porque ele não gera tanto conteúdo viral.

Existe muito vídeo ensinando a criar um aplicativo em meia hora. Já configurar corretamente um ambiente de alta disponibilidade, projetar uma arquitetura escalável ou administrar centenas de servidores não costuma render tantos cliques. Mesmo assim, essas funções continuam extremamente valorizadas.

A computação em nuvem expandiu ainda mais essa demanda. Hoje praticamente toda grande empresa depende de infraestrutura baseada em Linux em algum momento, seja utilizando máquinas virtuais, containers, Kubernetes ou serviços gerenciados.

Isso cria uma necessidade constante por profissionais que realmente entendam o funcionamento do sistema. E esse “realmente” faz diferença.

Existe uma enorme diferença entre alguém que copia comandos encontrados na internet e alguém capaz de compreender por que determinado serviço falhou, interpretar logs, identificar gargalos de desempenho e construir soluções confiáveis. 

A inteligência artificial também mudou esse cenário. Ferramentas como ChatGPT ajudam bastante na produtividade, mas continuam dependendo de alguém que saiba avaliar se uma solução faz sentido ou não. 

Quem entende os fundamentos consegue utilizar IA como acelerador, quem não entende acaba apenas transferindo a responsabilidade das decisões para um modelo de linguagem.

Outro ponto interessante é que trabalhar com Linux não significa necessariamente trabalhar exclusivamente com Linux. Boa parte das vagas mistura conhecimentos de sistemas operacionais, redes, containers, automação, programação, cloud e segurança.

O profissional moderno dificilmente ficará restrito a apenas uma dessas áreas. Por isso, quem pretende construir carreira nesse segmento faz bem em manter uma mentalidade aberta. Aprender Bash continua sendo importante, Python também.

Entender Docker, Kubernetes, Git, redes, infraestrutura como código e ferramentas de automação tornou-se quase parte do pacote básico. No fim das contas, talvez o Linux tenha se tornado menos uma profissão e mais uma competência essencial dentro de várias profissões diferentes.

O que realmente faz diferença no setup?

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Para fechar o episódio, o Matheus perguntou qual item do setup se tornou indispensável no nosso dia a dia. Essa é uma pergunta curiosa porque, quando começamos a montar um setup, normalmente pensamos nos componentes mais caros, como monitor, processador ou placa de vídeo.

Mas, depois de alguns anos trabalhando todos os dias na mesma mesa, a percepção muda bastante. Os periféricos passam a fazer muito mais diferença do que parece.

No meu caso, atualmente utilizo teclado e mouse da linha MX da Logitech e gosto bastante deles. São produtos extremamente confortáveis para longas jornadas de trabalho. Mesmo assim, eu não diria que existe um apego emocional específico a esses equipamentos.

Se amanhã aparecesse outra opção equivalente, provavelmente faria a troca sem grandes dificuldades. Na verdade, acho que isso vale para praticamente todo o meu setup. Depois de muitos anos testando equipamentos diferentes, percebi que prefiro investir em conforto, ergonomia e confiabilidade do que em marcas específicas.

Quando um periférico simplesmente desaparece durante o uso, significa que ele está cumprindo muito bem sua função.

E agora eu quero devolver essa pergunta para vocês. Qual é aquele equipamento que se tornou indispensável no seu setup?

Pode ser um teclado, um mouse, um monitor, um fone de ouvido, uma cadeira ou até algum acessório completamente inesperado.

Tenho certeza de que vai surgir muita recomendação interessante nos comentários.

Aliás, se vocês tiverem curiosidade para conhecer melhor os equipamentos que utilizo atualmente, temos um conteúdo mostrando praticamente todo o meu setup, depois de vários anos de uso.

Pouca coisa mudou desde então, então ele continua sendo uma boa referência para quem gosta desse tipo de conteúdo.

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Redator, além de estudante de engenharia e computação.
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