Linux: A história por trás dos 29 anos

A história do Linux

Embora eu utilize Linux há apenas 2 anos, o projeto existe desde antes do meu nascimento. Recentemente o kernel Linux completou 29 anos e vamos hoje falar um pouco sobre a trajetória do sistema durante todo esse tempo.

Já vai pegando um cafezinho, ache um local confortável para leitura e “senta que lá vem a história”…

Não existiria Linux sem…

Bem, todos nós sabemos que Linus Torvalds desenvolveu um kernel e liberou na “internet” mas você sabe essa história por completo? Então, vamos falar sobre o “Evangelho de Torvalds”.

A origem do nome

O nome Linux, vem da junção de Linus + Unix, da mesma forma que o nome Diolinux (Dionatan + Linux). Mas, para você entenda um pouco sobre criação do Linux, precisamos falar um pouco sobre outros sistemas.

Temos um artigo bem legal no blog sobre a história por trás do nome Linux. Não deixe de conferir depois!

No princípio, era o Multics?!

A origem do Unix está ligada com a criação do sistema operacional Multics. Esse projeto foi realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), General Electric (GE), Bell Labs e American Telephone and Telegraph (AT&T).

O Multics era de longe o sistema operacional mais arrojado da época, já que tinha características de tempo compartilhado (vários usuários compartilhavam recursos de um único computador). Em 1969, o computador GE645 utilizava uma versão do Multics.

Imagem encontrada em: https://multicians.org/drv-bull.html

Como surgiu o Unix?

Ken Thompson, era pesquisador do Multics e trabalhava na empresa Bell Labs, que se retirou do projeto após um tempo. Porém, mesmo com a Bell Labs afastada do projeto Multics, Ken Thompson continuou seus estudos no sistema.

A idéia era desenvolver um sistema menor, mas que tivesse como base as idéias principais do Multics. Nesse momento nascia o sistema Unix. A título de curiosidade, o nome foi dado por Brian Kernighan que também era pesquisador da Bell Labs.

No ano de 1973 Dennis Ritchie, outro pesquisador da Bell Labs, reescreveu o sistema Unix para a linguagem C que foi desenvolvida por ele mesmo. Por esse motivo, o sistema teve maior aceitação por usuários externos à Bell Labs..

Unix System III e IV

Entre 1977 e 1981, o Unix foi alterado pela AT&T com algumas características particulares, lançando o System III. Após uma série de modificações, foi lançado no ano de 1983 o famoso sistema Unix System IV que passou a ser vendido.

Comercializado por grandes empresas de tecnologia, o sistema é utilizado até os dias de hoje, se tornando o padrão internacional do Unix. Atualmente o sistema Unix se encontra na versão “V”.

Minix, o antecessor do Linux!

Desta vez, vamos falar de um outro sistema operacional, talvez você ainda se lembre dele, pois dentre a história do Linux ele é o mais recente. Como explicado acima, o Unix é comercial, então foi criado um sistema baseado no Unix, porém com propósito educacional chamado de Minix.

Criado por Andrew S. Tanenbaum na Universidade Vrije em Amsterdã, inicialmente para explicar os princípios de seu livro: “Operating Systems Design and Implementation” em 1987, o sistema foi escrito em linguagem C e Assembly.

O sistema teve seu código fonte liberado para estudantes, possibilitando que eles pudessem criar novos códigos ou entender a fundo o desenvolvimento do sistema.

Atualmente o sistema Minix está em sua versão 3.3.0 e utiliza licença BSD. Você pode saber mais sobre o sistema a partir do site oficial.

E Torvalds disse: Haja o Linux…

Então, não foi bem assim que isso aconteceu… mas como foi dito acima, o Minix teve seu código fonte liberado para estudantes. A partir daí, entra em cena o nosso “salvador” Linus Torvalds, que na época era estudante de Ciências da Computação na Universidade de Helsinki.

No ano de 1991, Linus decidiu desenvolver um sistema mais poderoso que o Minix como um hobby. Para divulgar a sua idéia, ele enviou uma mensagem para um grupo na Usenet. Neste mesmo ano, Linus Torvalds liberou a versão 0.02 do Kernel e continuou trabalhando até lançar a versão 1.0 em 1994. No momento em que esse post está sendo escrito o kernel está lançando Releases Candidates para a versão 5.9.

Vale ressaltar que o Linux não é um sistema operacional completo, mas sim, um kernel e embora seja parecido com o Unix, ele não veio do mesmo local e foi escrito de outra forma. Caso você queira saber mais sobre o que é o Linux, temos um vídeo bastante interessante no canal!

Mas é Linux ou GNU/Linux?

Bem, segundo Linus Torvalds o criador do kernel, não importa o nome contanto que você use. Porém, essa discussão se estende por anos pelas comunidades do mundo afora. Mas sem dúvida nenhuma, o Linux talvez não estivesse nesse patamar hoje se não fosse o Projeto GNU.

O que é o Projeto GNU?

O nome GNU é um acrônimo para “GNU is Not Unix” e foi um projeto lançado em 1983 por Richard Stallman. Como na década de 1980 quase todo software era proprietário, e os donos evitavam e proibiam a cooperação dos usuários, tornando o projeto GNU necessário.

Em março de 1985, Richard Stallman escreveu o manifesto GNU que teve o objetivo de explicar e definir os objetivos do projeto, além de convidar pessoas para participarem e colaborarem no desenvolvimento do projeto.

As quatro liberdades

O projeto GNU foi o responsável por defender o software livre. Vale ressaltar que a palavra livre se refere a liberdade e não ao preço do software. Segundo o manifesto GNU, o usuário possui direito a quatro liberdades essenciais que são:

  • Executar: O usuário tem a liberdade de utilizar o software como ele desejar, para qualquer propósito.
  • Estudar: O usuário tem a liberdade de estudar como o software funciona e adaptá-lo para suas necessidades. Para que isso seja feito, o acesso ao código fonte é um pré-requisito.
  • Redistribuir: O usuário tem a liberdade de redistribuir cópias do software para ajudar outros usuários.
  • Modificar: O usuário tem a liberdade de redistribuir o projeto com modificações, para que a comunidade possa ser beneficiada com as mudanças.

Para um software ser considerado software livre, é necessário atender a estes requisitos. Vale ressaltar que software livre (free software) é diferente de software de código aberto (open source). Caso você queira saber a diferença entre os dois termos, temos um artigo aqui no blog, além de um vídeo no canal explicando as diferenças.

Free Software Foundation e as licenças de software

A Free Software Foundation é uma organização sem fins lucrativos criada por Richard Stallman no ano de 1985. Ela é patrocinadora do projeto GNU e gerencia as licenças GNU existentes, visando defender o software livre.

Até meados da década de 1990, a FSF se dedicava à escrita do software, porém, como  hoje em dia existem vários projetos independentes, a fundação atualmente se dedica mais aos aspectos legais e estruturais do software livre, aperfeiçoando as licenças de software e documentação.

O Kernel Linux está embaixo da licença GNU GPL, que foi idealizada por Richard Stallman em 1989. A principal característica desta licença se deve ao fato de que um trabalho derivado de um projeto que utiliza a licença GPL, só pode ser distribuído se utilizar essa licença.

A história do GNU/Linux

O Linux é apenas um Kernel e embora seja a principal parte do sistema, ele ainda não é um sistema operacional completo. O Projeto GNU tinha como primeiro objetivo criar um sistema operacional composto apenas por software livre que fosse compatível com o Unix.

Stallman e vários outros programadores que abraçaram a causa começaram a desenvolver algumas peças fundamentais de um sistema operacional em 1984. Em 1985, a FSF ajudou a levantar fundos para o projeto GNU.

Em 1992 o sistema operacional GNU já estava quase completo, faltando apenas o Kernel. O projeto vinha desenvolvendo um Kernel chamado de Hurd, porém um estudante finlandês decidiu mudar a licença de seu Kernel para uma licença livre compatível com a GPL do GNU.

O kernel que ficou conhecido como Linux, era capaz de utilizar todas as ferramentas desenvolvidas pelo Projeto GNU e permitiu, pela primeira vez após o fechamento do código do Unix, que fosse possível rodar um sistema operacional totalmente livre.

Como Linux não é um sistema operacional, mas sim um Kernel, algumas pessoas chamam o sistema de GNU/Linux, enquanto outros abreviaram apenas para Linux. Como Linus Torvalds disse, não importa o nome.

A mascote do mundo Linux

Bem, é impossível pensar em linux e não pensar em um pinguim certo? Você sabe a história por trás do pinguim mais famoso do mundo? Então “senta que lá vem a história”…

Mas porque um pinguim?

Torvalds chegou a conclusão que seria uma boa ideia encontrar uma mascote para o sistema, tanto em questões visuais quanto comerciais, já que isso poderia se tornar uma febre.

Depois de ser mordido por um pinguim durante um passeio na Austrália, Linus admite ter contraído “penguinitis”, uma doença que cria afeto por essas criaturas fofas e adoráveis. Embora a parte da doença seja uma piada, Linus realmente foi mordido por um pinguim.

Teve até concurso!

Após escolher a mascote, era necessário uma imagem certo? A partir da idéia de um pinguim, foi aberto um concurso de logotipos para escolher o pinguim que mais agradasse a Linus Torvalds.

Linus torvalds tinha como inspiração uma foto que encontrou em um site FTP que mostrava um pinguim bastante parecido com o da curta-metragem Creature Comforts.

Cena da curta metragem Creature Comforts

O vencedor do concurso foi Larry Ewing, com seu pinguim sempre gordo e satisfeito. A primeira versão do Tux foi desenhada na versão 0.54 do Programa de Manipulação de Imagens do GNU, o nosso querido GIMP.

Primeira versão do TUX

De onde veio o nome Tux?

O nome do mascote possui diferentes especulações quanto a sua origem. Há quem diga que o nome seria derivado de “Torvalds UniX” e outros dizem que o nome vem apenas do fato de pinguins aparentarem usar um smoking (Tux em inglês).

As variantes do Tux

Com o passar dos anos, novas versões do Tux surgiam. Uma versão que ficou bastante marcada foi a mascote do Kernel 2.6.29 chamada de Tuz. 

O Tuz foi apresentado em 2009 na conferência linux.conf.au. Ele se trata de um diabo-da-tasmânia (aquele do Looney Tunes) disfarçado de pinguim, já que ele era uma espécie ameaçada de extinção.

Ao decorrer dos anos foram apresentadas várias versões do Tux desde imagens 2D a imagens 3D.

O uso de Linux pelo mundo

Pode se dizer que Linux é uma febre mundial. O sistema é utilizado em vários servidores, smartphones, tablets e outros dispositivos, incluindo caixas bancários e até mesmo as urnas eletrônicas.

Ele foi bastante adotado não apenas em servidores, mas também em vários computadores pessoais, a partir de parcerias com fabricantes de hardware, como a Lenovo, Dell e muitas outras. Além de bastante usado por empresas para servidores, assumindo a maior fatia do mercado. Várias empresas como a gigante Google, Netflix e até mesmo a NASA, utilizam Linux em seus servidores.

Recentemente tivemos um Diocast com a presença do professor Marcos José Brusso falando sobre a utilização do Linux nos TOP 500 computadores do mundo. Vale a pena conferir esse episódio!

O Linux no Brasil

No Brasil, o uso do Linux não foi tão diferente assim. Embora ele seja bastante utilizado em servidores, a comunidade Brasileira criou distribuições dignas de reconhecimento mundial, focadas principalmente no usuário comum.

Vamos dar uma “palhinha” sobre como foi a ascensão do Linux no Brasil.

Conectiva Linux, uma distro histórica!

A conectiva foi uma companhia fundada em Agosto de 1995, na cidade de Curitiba no Paraná, por um grupo de amigos que em maior parte eram funcionários públicos do Banco do Brasil. juntamente com Arnaldo de Carvalho Melo, um pioneiro em Linux e software livre no Brasil e na América Latina.

Além do sistema Conectiva Linux, a empresa também providenciou o desenvolvimento de diversos produtos e serviços direcionados ao mercado de software livre, como livros, manuais e até mesmo softwares.

Em janeiro de 2005, foi anunciado que a MandrakeSoft (empresa por trás do Mandrake Linux) adquiriu a Conectiva por 1,79 milhões de euros, formando a empresa Mandriva, que trazia uma distribuição com o mesmo nome.

Uma curiosidade que talvez você não saiba, é que o gerenciador de pacotes Synaptic, foi desenvolvido pela Conectiva. Também temos um Diocast com o criador do Conectiva Linux que também vale muito a pena conferir!

Captura de tela do Conectiva

Kurumin, uma distribuição lendária!

Depois do Conectiva Linux, o Kurumin é um dos projetos brasileiros mais lembrados pelos usuários, por um motivo bastante interessante. Ele era baseado no Knoppix, uma distribuição baseada no Debian que foi projetada para rodar em modo Live, sem a necessidade de que fosse instalada para poder utilizá-la.

O projeto foi desenvolvido por Carlos Eduardo Morimoto para uso pessoal, porém ao anunciar a criação em seu site, vários usuários demonstraram interesse no projeto, incentivando Morimoto a levar o Kurumin adiante.

O nome Kurumin vem da língua Tupi, onde “curumim” significa criança, e embora o projeto utilizava KDE como interface gráfica, a letra K no início é uma referência ao Knoppix.

O logotipo do Kurumin também tem referências ao nome, sendo um pinguim com aspecto de criança, mais magro que o Tux. Outras características são as cores do cocar, que representam a bandeira do Brasil. 

Segundo o DistroWatch, o Kurumin era a distribuição Linux mais popular no Brasil, ao menos naquela época.

Captura de tela do Kurumin

BigLinux, uma distro que continua em desenvolvimento

O projeto iniciado por Bruno Gonçalves, começou como uma remasterização do Kurumin. Ao utilizar o Kurumin 3.3 em 2004, ele sentiu falta de alguns programas, e gerou um CD com customizações a seu gosto e resolveu disponibilizar na internet.

Algumas pessoas fizeram o download da distribuição e encorajaram que fossem realizadas melhorias no sistema. Pouco tempo após o lançamento da versão 1.4, o BigLinux começou a ser visto como uma distribuição e o fórum começou a ficar movimentado.

A partir da versão 2.0, o sistema começou a ser planejado para ser o mais completo possível. Ele vinha com três versões do Kernel (2.4.25, 2.4.27 e 2.6.8), quatro interfaces gráficas (KDE, GNOME, IceWM e Fluxbox) além de um painel de controle com várias automações.

A versão 3 do BigLinux utilizou o Ubuntu como base e trouxe apenas o ambiente KDE por escolha da comunidade, já que manter o GNOME e o KDE era inviável. Com o fim do KDE 3 e do Kommander, a equipe optou por usar o BigBashView, onde um navegador Web renderiza comandos Shell.

Atualmente a distribuição continua ativa com a versão 20.04 que está em beta, mas já é bastante utilizável. Temos um artigo no Diolinux Plus sobre essa versão do BigLinux. Caso você queira saber mais sobre a história do BigLinux, tem um artigo no fórum do BigLinux.

Captura de tela do BigLinux

Guia Foca, um projeto brasileiro

Guia foca não é o nome de uma distribuição em si, mas decidi fazer uma dedicatória a ele nesse artigo. O projeto foi criado em 1999 por Gleydson Maziolli e continua ativo até os dias de hoje.

O Guia Foca é uma apostila de Linux, que vai desde assuntos básicos do sistema, até administração e segurança. Ele possui três níveis sendo eles Iniciante, Intermediário e Avançado. O download dos livros pode ser realizado a partir do site oficial do projeto.

Ele continua sendo atualizado até os dias de hoje e é totalmente gratuito para que o usuário possa adquirir conhecimento sobre o sistema operacional Linux. Temos um Diocast com o autor do Guia Foca, falando sobre a volta do projeto.

Capa da 1ª edição do Guia Foca

Acontecimentos notáveis do mundo Linux

Pra finalizar com chave de ouro, vamos mostrar uma pequena linha do tempo com pequenas partes da história dos 29 anos do Linux.

Outubro de 1992

Peter MacDonald foi o primeiro desenvolvedor que criou uma distribuição Linux com instalador. O sistema era conhecido como Softlanding  Linux System (SLS) e foi usado de base por Patrick Volkerding para criar o Slackware.

Ian Murdock, decidiu criar um sistema operacional próprio após passar algumas frustrações com o SLS. Estamos falando do Debian.

Junho de 1993

A primeira versão do projeto de Patrick Volkerding é concluída  com a criação do Slackware, o primeiro sistema baseado em Linux com foco comercial.

Janeiro de 1997

Em janeiro de 1997, pode se dizer que o Linux “alcançou a fama e ganhou um hater”. Foi descoberto o primeiro vírus para Linux. Chamado de Bliss, ele atuava em qualquer sistema Unix.

Janeiro de 1998

A empresa Red Hat fundou o departamento Red Hat Development Labs, onde desenvolvedores recebiam para criar ferramentas gratuitas para a comunidade e sistemas operacionais.

Julho de 1998

O Samba 2.0 foi lançado. Graças ao processo de engenharia reversa aplicada em implementações no windows, foi possível integrar no samba todas funcionalidades do controlador de domínio da Microsoft no Linux.

A primeira versão do KDE foi anunciada e em janeiro de 1999, a briga entre o KDE e GNOME começou a esquentar. Todos sabemos que o GNOME é melhor hehe

Considerações finais

Temos muita história por trás do sistema operacional Linux, e quem sabe não possamos contar mais sobre ela em um futuro não tão distante? Caso você queira saber um pouco mais sobre a história do Linux, recomendo o Documentário Revolution OS, ele irá explanar seus conhecimentos sobre o sistema.

Caso você tenha gostado desse artigo e queira mais conteúdo nesse formato, deixe nos comentários temas para que possamos criar mais postagens como essa.

Fique a vontade para acrescentar mais conteúdo a partir dos comentários e se puder compartilhe para que mais pessoas saibam a história do Linux.

Nos vemos no próximo artigo!

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