Sistemas operacionais

Nitrux OS remove APT

Mudança de paradigma: o Nitrux OS “remove” APT como o seu gerenciador de pacotes e aposta na tecnologia Distrobox para acessar os repositórios de praticamente qualquer outra distribuição para instalar aplicativos. 

Como era o Nitrux OS

O Nitrux OS é uma distribuição Linux baseada no Debian Unstable (sid) e em pacotes adicionais extraídos dos repositórios do Ubuntu LTS. Por padrão, o principal ambiente gráfico é o NX Desktop, um desktop baseado no KDE Plasma personalizado com “plasmoids” para obter mais estética e funcionalidade.

Os mesmos desenvolvedores trabalham com o framework MauiKit, uma plataforma de aplicativos que deu origem a uma nova interface, a Maui Shell, mais voltada a dispositivos sensíveis ao toque e com navegação por gestos, mas que você pode testar diretamente da tela de login do Nitrux no seu computador.

O projeto faz uso intensivo de aplicativos no formato portátil AppImage, distribuídos na sua loja, a NX Software Center. Adotando também o OpenRC no lugar do Systemd como sistema de inicialização e o Calamares como instalador.

Como assim o Nitrux OS remove APT?

Novas funções? Novos aplicativos? Sim, mas o que chama a atenção na nova versão 2.6.0 (Forbidden Fruit ou Fruto Proibido) do Nitrux OS é a remoção de alguns componentes: dpkg, APT e PackageKit. O Live ISO ainda inclui o APT e o dpkg porque o instalador Calamares depende deles, mas eles são removidos do sistema instalado.

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Área de trabalho do Nitrux OS 2.6.0.

A escolha do codinome mostra como esta versão pode ser vista como uma antítese de uma distribuição Linux convencional organizada em torno do seu gerenciador de pacotes. O Nitrux OS remove APT e os outros mecanismos de gerenciamento para adotar uma nova abordagem.

Semelhantemente ao Vanilla OS, os aplicativos não são mais instalados nas pastas da própria distribuição, mas em contêineres Docker gerenciados pelo Distrobox. Os usuários têm acesso ao repositório DockerHub e podem usar simultaneamente contêineres de qualquer distribuição Linux como Arch, Fedora, Debian, openSUSE, NixOS, Gentoo e muitas outras, completamente integrados do Nitrux OS.

Isso significa que podem baixar e instalar aplicativos de qualquer destas distribuições e vê-los perfeitamente integrados ao menu de aplicativos, com seus temas e ícones.

A tecnologia do Distrobox permite que esses contêineres compartilhem não somente todo o hardware do sistema (host) como os dispositivos removíveis USB e o áudio, mas também os ambientes gráficos X11 e Wayland, a pasta ou partição HOME do usuário com todos os arquivos e configurações do sistema.

A ferramenta Distrobox permite utilizar uma distribuição “dentro” da outra, que usa os mesmos comandos do gerenciador de pacotes original. Os desenvolvedores prometem resolver quaisquer dependências dos componentes systemd.

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Ferramenta Distrobox dá acesso aos repositórios de (qualquer) outra distribuição.

Dessa forma, a partir de agora, o diretório raiz do Nitrux OS está marcado como imutável (via overlayroot), trazendo mais estabilidade à distribuição por evitar conflitos com aplicativos e dependências.

Outras novidades da versão 2.6.0

A recente versão 2.6.0 do Nitrux OS vem com mais novidades;

  • Firefox 108.0.1;
  • Flathub habilitado por padrão;
  • KDE Frameworks 5.101.0;
  • KDE Gear 22.12.0;
  • KDE Plasma 5.26.4;
  • MESA 23.0~git2301020600.fc0e23~oibaf~l;
  • O PipeWire é o gestor de áudio padrão (ao fazer login, você pode ouvir um som de “pop” para garantir que o PipeWire está funcionando, mas você pode substituir esse som padrão: $HOME/.local/share/sounds/pop1.wav);
  • Opção de login em Wayland, mas a sessão Plasma (X11) ainda é o padrão;
  • O instalador Calamares cria um layout personalizado ao selecionar a opção “Apagar disco”. O novo layout atribui 20% do disco para a partição root, 60% para a Home e 10% para duas partições /var/lib/flatpak e /Applications. Este layout destina-se a acomodar o novo processo de atualização, mas a opção padrão continua sendo “Particionamento manual”.

Os desenvolvedores alertam para os seguintes bugs, que deverão ser corrigidos em breve:

  • A criptografia de mais de uma partição com o Calamares pode quebrar a instalação do sistema;
  • A seção X11 falha no Live ISO e na instalação do disco no VirtualBox 7.0.xe ou no GNOME Boxes;
  • Ao iniciar o Live ISO no GNOME Boxes não se obtém nenhuma interface gráfica;
  • Falha na função grub loopback ao iniciar o arquivo ISO;
  • Falta de suporte exFAT no initrd;
  • Seleção de região e fuso horário no instalador Calamares com um nome de cidade com espaços;
  • Um monitor externo pode piscar aleatoriamente.

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