Mais de 80% do desenvolvimento do Linux é feito por companhias e não por voluntários

Mais de 80% do desenvolvimento do Linux é feito por companhias e não por voluntários

Se você é uma pessoa antenada, independente de usar Linux no desktop ou não, já deve ter reconhecido que o sistema do Pinguim é uma tecnologia onipresente, porém, você já se perguntou… quem desenvolve este Kernel?

O Desenvolvimento do Kernel Linux

A algum tempo atrás eu havia publicado um artigo aqui no Diolinux que trazia um dado muito curioso à respeito do Kernel Linux, tratava-se de quanto teria custado o Kernel se ele não fosse desenvolvido de maneira colaborativa e sim por uma empresa fechada.

Hoje estava lendo um artigo do Linux Veda que achei muito interessante e achei que deveria compartilhar com você acrescentando o meu ponto de vista.

Como eu comentei nas primeiras linhas do texto, alguém está fazendo este Kernel que é utilizado “em tudo que é lugar” e esse “alguém” a cada dia menos é o desenvolvedor voluntário.

Uma trabalho para hobbystas… não mais

Já faz bastante tempo que o Linux se tornou algo muito sério para muitas pessoas no mundo, ele virou fonte de renda e a melhoria em seu código, a melhoria em sua segurança beneficia muitas empresas que utilizando a base Linux para diversos projetos, até mesmo a Microsoft, porém, o que chamou a atenção do relatório da Linux Foundation do ano passado é que pouco mais de 11% do código incorporado ao Kernel foi feito por voluntários, ou seja, programadores sem remuneração, e praticamente todo o restante foi adicionado através da colaboração de várias companhias com seus programadores obviamente pagos para isso.

Entre as principais companhias contribuintes com o Kernel Linux com maior destaque estão:

– Intel 

– Red Hat

– Linaro

– Samsung

– IBM

– SUSE

– Vision

– Google

Obviamente o interesse destas empresas estão em melhorar o Linux para servir aos seus propósitos e não necessariamente a filosofia de colaboratividade, porém, aos que costumam criticar algumas distros por “abandonarem” o Linux isso acaba que sendo mais um contraponto, afinal de contas se você conecta o seu hardware hoje em dia no sistema e ele é reconhecido não é por mérito apenas dos desenvolvedores voluntários que fazem isso pela causa, aliás, sem querer desmerecê-los, claro, mas a colaboração deles é a cada dia menor.

Não há como negar que no parágrafo anterior eu me referi ao Ubuntu e a Canonical que sofrem duras críticas de usuário, normalmente antigos, do Linux por condenar determinadas atitudes da empresa, eu já tratei deste assunto no artigo “Ubuntu volte a ser software livre, estamos presos à liberdade” que gerou muitos comentários, passe por lá e dê uma lida se tiver um tempinho inclusive.

“Um tapa da cara da sociedade”

Ótimo relatório para mostrar que é possível sim ganhar dinheiro com Linux, mas que este ramo de negócio envolvendo softwares livres e softwares open source requer uma maneira de trabalhar diferente, não consiste em alguém vendendo um produto e sim oferecendo serviços.

Ótimo relatório para mostrar que não adianta o quanto os extremistas do software livre preguem que “não é assim que deve ser”, o mundo segue a regra do que “funciona” independente do código fonte, tanto que o modelo de desenvolvimento mais inteligente é o open source e não necessariamente o software livre.

Mas admito, seria muito legal que a maioria dos softwares que usamos todos os dias fosse de fato, livre, seria algo muito interessante para todos os que desejam estudar o funcionamento, talvez a grande dificuldade disso seja como monetizar o software livre, é possível sim ganhar dinheiro com ele, mas é necessário um pouco mais de esforço e um trabalho mais elaborado.

Parábolas do Dionatan

Se o software fosse uma abacaxi.

Código fechado: “Nós te damos o abacaxi descascado, não importa como produzimos ele e como descascamos, apenas saboreie.” Há uma venda direta de um produto final.

Open Source: “Veja como produzimos o abacaxi, existem várias maneiras de descascá-lo,  podemos até te dar o abacaxi de graça mas você vai ter que comprar a nossa super faca da descascar, ou descascar usando os dedos.” O produto final que a empresa entrega tanto pode ser um abacaxi com casca quanto sem, como o primeiro, mas possivelmente a empresa vai ganhar em cima de commodities para complementar o serviço, como o Google, que usa o Linux para fazer o Android, você não compra o Android, você compra o Smartphone e com isso acaba usando o serviços do Google.

Software Livre: “Olha, táqui o abacaxi, e aqui esta a melhor faca que dispomos no momento, pode não ser a melhor faca e nem o melhor abacaxi mas você pode levar, inclusive, aqui está a receita da produção deles, você pode melhorar se quiser e compartilhar com outros que tiverem interesse… podemos também te oferecer um abacaxi descascado mas provavelmente vai demorar um pouquinho pois não podemos usar uma lâmina feita pela tramontina.

O software livre pode ser utilizado de uma forma parecida do open source, porém nada impede que o seu cliente, ao qual você oferece um serviço, baixe o seu programa e crie uma solução própria para ele, não obstante, ele terá de fornecer este código melhorado para os demais, isso gera mão de obra para quem cria a solução e para quem possivelmente preste manutenção, ou seja, dá dinheiro, mas perto dos outros modos de desenvolvimento ele é o que menos dá com certeza e como nosso mundo é essencialmente capitalista já viu…


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A notícia da Microsoft juntando-se à Linux Foundation não chega a ser surpreendente, mas curiosamente eu falei sobre este assunto na semana passada, comentando justamente sobre a aproximação da empresa do mundo Linux e dizendo porque ela foi acolhida de braços abertos, acho que vale a pena a leitura, mas vamos à notícia.