O Ubuntu 25.10 “Questing Quokka” chegou no dia 9 de outubro de 2025, cumprindo o ciclo semestral da Canonical. É uma versão de curto prazo (STS) com suporte até julho de 2026, pensada para quem gosta de novidades e já quer ir esquentando os motores para a próxima LTS, a 26.04, prevista para 2026. No pacote vêm o GNOME 49, kernel Linux 6.17, novos apps padrão, uma leva de componentes reescritos em Rust e ajustes de segurança e desempenho que miram diretamente a base da próxima versão de longo suporte.
Se você pretende instalar do zero ou fazer upgrade a partir do 25.04, este guia traz um panorama sobre o que mudou na interface, quais as novidades técnicas, o que melhora para quem usa NVIDIA, Raspberry Pi e ARM/ARM64, além de dicas rápidas de download e atualização.
O que muda no desktop: GNOME 49, Wayland “full time” e novos apps
A cara do Ubuntu 25.10 é a do GNOME 49. O Shell está mais polido, com animações mais suaves, controles de mídia na tela de bloqueio, ajustes finos no escalonamento fracionado (mais nítido em telas de alta densidade) e pequenas conveniências, como a possibilidade de definir aplicativos para iniciar automaticamente após o login, direto das configurações.

Mas a grande mudança estrutural é que o Ubuntu removeu a sessão “Ubuntu on Xorg”: agora o desktop oficial roda exclusivamente em Wayland. Os aplicativos X11 continuam funcionando via XWayland, então a compatibilidade prática é mantida. A Canonical também habilitou a função de suspend/resume no driver proprietário da NVIDIA, reduzindo riscos de travamentos ao acordar o sistema.

Dois aplicativos entram como padrão consolidando a transição do ecossistema GNOME/GTK para tecnologias mais modernas:
Ptyxis, um terminal atualizado, acelerado por GPU e com foco nos fluxos de trabalho do momento (containers com Toolbx, Distrobox, Podman). Ele substitui o GNOME Terminal.

Loupe, o novo visualizador de imagens “touch-friendly”, com decodificação rápida via Glycin e foco em segurança ao abrir arquivos. Ele substitui o Eye of GNOME.

No dia a dia, outro refinamento bem-vindo: o Software Updater ficou menos intrusivo. Em vez de “tomar a tela” quando há atualizações, o sistema apenas notifica e deixa um ícone na bandeja para você decidir se abre o gerenciador ou se instala tudo rápido dali mesmo.
E se você ficou curioso sobre os novos papéis de parede dessa edição, aqui estão:








“Por baixo do capô”
Kernel, gráficos e bases do sistema
O kernel 6.17 habilita uma série de recursos e suportes de hardware recentes (com atenção especial a Intel e às frentes de computação confidencial e virtualização aninhada em Arm), além de melhorias gerais de desempenho e estabilidade. As o pacote de driver gráficos Mesa 25.2.x acompanham a atualização, com otimizações e suporte aos chips mais novos. Junto a isso, o Ubuntu passa a usar o Dracut para gerar o initramfs na edição Desktop, abrindo caminho para um boot mais moderno e com suporte nativo a Bluetooth e NVMe-oF no early userspace.
APT 3.1 e toolchains
O APT 3.1 estreia no Ubuntu com um novo resolvedor de dependências e comandos úteis como os apt why / apt why-not (para explicar as decisões do solver) e um histórico embutido, facilitando a entender “por que” algo foi instalado e depurar ambientes de desenvolvimento. Em paralelo, as toolchains foram atualizadas: GCC 15, Python 3.13, Rust 1.85 (com o 1.88 disponível), Go 1.25, LLVM 20/21, OpenJDK 21 como padrão (com o 25 disponível) e Zig chegando oficialmente aos repositórios.

Mais Rust
A Canonical vem reduzindo superfícies de ataque por classes inteiras de bugs de memória. O Ubuntu 25.10 adota por padrão:
• sudo-rs — reimplementação do sudo em Rust, mantendo o sudo clássico nos repositórios para compatibilidade;
• rust-coreutils — reimplanta as coreutils com equivalência funcional e foco em segurança de memória.
São mudanças “invisíveis”, mas com impacto direto na postura de segurança do sistema e no caminho rumo à LTS.
Chrony e criptografia com TPM
O 25.10 liga o NTS por padrão no Chrony (no lugar do timesyncd), significando uma sincronização de hora autenticada por TLS, com menos exposição a manipulações maliciosas de tempo. Já a criptografia de disco com TPM (FDE) fica mais fácil de ativar no instalador e mais simples de gerenciar pelo Security Center. É um recurso marcado como “experimental/adiantado” por enquanto.
Problemas conhecidos (e como contornar)
O ritmo acelerado das versões de curto prazo traz novidades, mas também alguns poréns. Entre os principais, destacamos a instalação offline com drivers NVIDIA, que pode acabar usando Nouveau; o ideal é instalar online ou trocar o driver logo após a instalação.
No geral, os relatos de bugs críticos no lançamento são poucos e as equipes publicam correções nos dias seguintes. Se você depende do computador para trabalho e não gosta de surpresas, vale aguardar uma ou duas semanas. Mas se você curte novidades e o impacto do Wayland e das bases em Rust te interessam, a experiência parece madura o suficiente para uso diário.
Arquiteturas e sabores
Além do tradicional x86_64 (AMD64), a imagem ARM64 evoluiu no suporte ao Secure Boot (importante para laptops Snapdragon e afins). No mundo RISC-V, o Ubuntu adota o perfil RVA23 como base para o 25.10; na prática, isso significa incompatibilidade com hardware RISC-V mais antigo, mas garante que o ecossistema avance de forma mais previsível rumo à 26.04 LTS. Enquanto isso, o Raspberry Pi ganha boot A/B e imagem Desktop mais “enxuta”, com menos apps pré-instalados.
Os sabores oficiais (Kubuntu, Xubuntu, Ubuntu MATE, Budgie, Unity, Cinnamon etc.) acompanham o kernel e base atualizados, além das suas próprias novidades. O Kubuntu 25.10, por exemplo, segue a trilha do Wayland por padrão em instalações novas, alinhado ao upstream.
Download, upgrade e requisitos
Você pode baixar o Ubuntu 25.10 para AMD64 e ARM64 nas páginas oficiais. O ISO tem cerca de 5,3 GB, então use um pendrive de pelo menos 8 GB. Se você já está no 25.04, pode atualizar via Software Updater quando o aviso aparecer (normalmente até alguns dias após o lançamento). Prefere o terminal? Lembre-se de atualizar tudo via apt update && apt upgrade e fazer um backup antes de rodar o do-release-upgrade.
Os requisitos mínimos seguem modestos e inalterados em relação às versões anteriores: CPU dual-core 2 GHz, 4 GB de RAM e 25 GB de espaço. A maioria dos PCs e notebooks dos últimos anos tem mais do que o suficiente para uma experiência boa, especialmente se tiver SSD.
Vale a pena atualizar agora?
Se você está no Ubuntu 25.04 e quer um desktop mais fluido com o GNOME 49, novos apps padrão, kernel 6.17 e um foco renovado em segurança, sem se importar com o Wayland obrigatório o 25.10 é um passo sólido antes da LTS. Para quem precisa de estabilidade de longo prazo, o Ubuntu 24.04 LTS segue como a escolha certa.
Aproveite que está aqui e descubra o que o Ubuntu 24.04 LTS tem a oferecer!




