A Mozilla, organização por trás do navegador Firefox, está passando por uma grande transformação. Em um anúncio recente, Mark Surman, presidente da Mozilla Corporation, revelou planos para enfrentar os “grandes desafios” que a empresa tem encontrado para crescer, gerar receita e manter sua relevância. A estratégia? Diversidade. Sim, a palavra que parte da comunidade ama odiar. Mas, antes que você role os olhos, vamos entender o que isso significa e como pode afetar o futuro do Firefox e da própria Mozilla.
O que está acontecendo na Mozilla?
A Mozilla está em uma encruzilhada. Enquanto o Firefox continua sendo seu produto mais conhecido e a principal fonte de receita (graças ao acordo com o Google para ser o mecanismo de busca padrão), a organização reconhece que precisa diversificar seus esforços para sobreviver no longo prazo.
Segundo Surman, a Mozilla planeja investir em três frentes principais:
- Publicidade que respeita a privacidade: Sim, anúncios. Mas, calma, a ideia é que sejam anúncios que não rastreiem seus dados como se fossem um episódio de Black Mirror;
- IA de código aberto: A Mozilla quer desenvolver recursos de inteligência artificial que sejam confiáveis e alinhados com sua missão de manter a web aberta e acessível;
- Campanhas de arrecadação de fundos: Prepare-se para ser lembrado de que a Mozilla precisa da sua ajuda financeira.
Para coordenar esses esforços, a Mozilla anunciou a criação de um Conselho de Liderança, composto por executivos de suas diversas organizações, incluindo a Mozilla Corporation, a Mozilla.ai, a Mozilla Foundation e a MZLA Technologies (responsável pelo Thunderbird). Além disso, novos presidentes foram nomeados para os concelhos da Mozilla Foundation, Mozilla Corporation e Mozilla.ai, todos com experiência em negócios, tecnologia e interesse público.
Uma mudança importante é a saída de Mitchell Baker, cofundadora do Firefox, que deixa seus cargos como presidente e membro dos conselhos da Mozilla Foundation e Mozilla Corporation. Baker foi uma figura central na criação da Mozilla, e sua partida marca o fim de uma era.
E o Firefox?
Apesar de ser a “galinha dos ovos de ouro” da Mozilla, o Firefox foi mencionado de forma bastante discreta no anúncio. Isso gerou algumas críticas, especialmente porque muitos veem o navegador como a razão de existir da organização.
A realidade é que o Firefox enfrenta uma concorrência feroz do Google Chrome e os derivados do Chromium, que dominam o mercado de navegadores. A Mozilla precisa encontrar maneiras de manter o Firefox relevante enquanto explora novas fontes de receita, afinal, nunca é bom colocar todos os ovos na mesma cesta.
Uma das estratégias anunciadas é a criação de campanhas de arrecadação de fundos para envolver a comunidade e garantir apoio financeiro. Surman reconhece que a Mozilla precisa de mais do que somente o acordo com o Google para se sustentar.
E aqui está o ponto: muitos usuários apaixonados estariam dispostos a pagar para ajudar o Firefox, se soubessem que o dinheiro seria usado de fato para o navegador, e não para os “projetos paralelos” da Mozilla.
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