A pesquisa por trás do GNOME 40

A pesquisa por trás do GNOME 40

Bem, 2021 pode não ser o ano do Linux no desktop, mas provavelmente é um dos anos mais importantes para o Linux no desktop em geral, com projetos open source que estão em constante mudança e recebendo um “hype” de toda a comunidade.

Projetos como o GNOME 40 estão entre os principais “hypes” da comunidade, pois oferecem um redesign completo na experiência do usuário ou UX (User Experience) , inclusive já temos bastante conteúdo sobre ele no blog.

Trazendo um novo conceito em design e produtividade, muitos usuários se perguntam sobre como a equipe do GNOME  desenhou essa mudança, e, a resposta é: pesquisa, muita pesquisa.

Quer saber um pouco mais sobre como o projeto GNOME realizou essa pesquisa? Então sente-se confortavelmente, prepare sua bebida favorita e vamos falar sobre o GNOME 40!

Nada mais fácil do que perguntar…

Com uma comunidade de usuários bastante ativa, perguntar o feedback de alguns usuários da interface não é uma ideia ruim, e é essa uma das principais características da mudança de design no GNOME 40. 

Essa pesquisa informou todos os rumos do projeto que foram tomados até o presente momento, resultando nas escolhas e mudanças de design que certamente estão deixando a interface mais bonita e funcional.

O que foi realizado na pesquisa?

A equipe realizou exercícios de pesquisa separados que caminharam lado a lado com o desenvolvimento do projeto, para que os feedbacks sobre o novo design fossem ouvidos e implementados ao projeto.

Esses exercícios eram bastante pequenos e limitados, para que a equipe tivesse um bom feedback, estes dados foram complementados com uma pesquisa paga, conduzida por uma empresa externa.

A equipe do GNOME informou que os dados ainda não estão disponíveis publicamente no momento, já que possuem informações pessoais sobre alguns participantes e que não podem ser compartilhadas, porém, a equipe está trabalhando em uma versão dos dados para compartilhar com a comunidade.

Os processos da pesquisa

Vamos falar um pouco sobre os processos de pesquisa que a equipe do GNOME utilizou para realizar o novo design.

Começando pelas entrevistas

O primeiro passo da pesquisa do GNOME foi uma entrevista com sete usuários da interface que a utilizavam há um certo tempo e possuíam conhecimento técnico. Esses participantes mostraram sua configuração do GNOME e como eles a utilizavam.

A equipe realizou algumas perguntas para descobrir como o GNOME Shell funcionava para cada um dos usuários e descobriram muitas informações valiosas com essas pequenas entrevistas.

Grande parte dos usuários entrevistados disseram que gostam bastante do GNOME, principalmente por seu “minimalismo” e falta de distrações.

Pesquisa comportamental, como as pessoas usam o GNOME?

Com o feedback de alguns usuários, a equipe já tinha um pequeno material para trabalhar, porém, é preciso bem mais que algumas entrevistas para poder gerar uma nova interface. Para isso, a equipe desejava saber o quanto as pessoas usavam o GNOME.

A intenção agora é saber quantos aplicativos e áreas de trabalho em média são utilizados pelos usuários, para saber como o novo design deve comportar.

001 workspaces

Essa pesquisa foi bastante rápida e em pouco tempo a equipe do GNOME tinha os dados. Foi descoberto que a maioria das pessoas utiliza uma média de 8 janelas abertas e que o uso de vários espaços de trabalho (acima de seis) é bastante raro. 

Teste externo de usuários

Com o apoio da Endless, a equipe do GNOME teve a oportunidade de contratar alguns trabalhos de pesquisa que foram realizados pela Brooks Bell sob o guarda-chuva da Fundação GNOME.

A pesquisa consistia em 20 sessões moderadas de usuários, que foram realizadas de forma remota. Cada participante testou o GNOME 3.38 e em seguida um protótipo do novo design ou do Endless OS.

Os participantes foram entrevistados sobre seu uso diário do computador e foram convidados a recriar uma sessão de desktop típica no ambiente de teste, onde são solicitados a realizar algumas tarefas básicas e dar feedback sobre os dois desktops utilizados.

O teste correu bem e mostrou uma boa aceitação do novo design, principalmente os espaços de trabalho horizontais, que são bem mais envolventes e intuitivos quando comparados com os espaços de trabalho verticais do GNOME 3.38.

Estudo diário 

Mesmo com vários testes realizados por usuários, a equipe ainda poderia deixar alguma coisa passar e o estudo diário veio com o intuito de identificar esses pequenos problemas que poderiam ter sido “deixados de lado” nos experimentos.

Os espaços de trabalho e uso de vários monitores foram o principal foco para esse exercício e os participantes foram escolhidos com base no uso desses recursos. Cinco participantes instalaram a implementação do novo design e o utilizaram por uma semana.

Os participantes eram constantemente entrevistados e mantinham um registro com suas experiências sobre o novo design. Esse estudo não apresentou nenhum problema específico quanto ao uso de vários monitores ou espaços de trabalho.

Como em quase todas as pesquisas, os participantes tiveram uma resposta positiva ao novo design e o preferiram em relação ao antigo.

Testes e feedbacks comunitários

Embora os testes comunitários não sejam estritamente parte da pesquisa, eles são uma parte muito importante dessa nova fase do GNOME, e, algo que a equipe conseguiu realizar com bastante sucesso foi criar maneiras fáceis de testar o novo design.

A equipe tentou ser bastante compreensiva com todos os feedbacks e tiveram inúmeras conversas sobre as sugestões dadas pela comunidade. Caso você esteja testando o novo design do GNOME, sempre que possível ofereça um feedback detalhado sobre algo que aconteceu durante seus testes, isso irá ajudar bastante no desenvolvimento.

Você utiliza o GNOME? O que achou da forma que o novo design foi desenvolvido? Deixe para gente nos comentários e até o próximo artigo!


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