A estabilidade do Rocky Linux cobra seu preço
Editorial

A estabilidade do Rocky Linux cobra seu preço

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Quando o assunto é um clone gratuito do RHEL (Red Hat Enterprise Linux), três nomes dominam a conversa: AlmaLinux, Rocky Linux e Oracle Linux, sendo os dois primeiros os favoritos da comunidade e de empresas que buscam uma alternativa sólida sem custos de licenciamento.

Mas há um problema. Enquanto o AlmaLinux oferece suporte oficial para atualizações entre versões principais, o Rocky Linux insiste que a única maneira segura de fazer isso é… reinstalar tudo do zero.

E isso, como bem aponta Bobby Borisov do Linuxiac, é um problema sério para uma distribuição que se apresenta como uma solução empresarial.

Por que atualizações “In-Place” são importantes?

Imagine administrar dezenas ou centenas de servidores em produção. Agora pense em ter que fazer backup de tudo, reinstalar o sistema operacional em cada máquina e reconfigurar manualmente todos os serviços. Soa trabalhoso, não?

É exatamente esse o cenário que usuários do Rocky Linux enfrentam a cada nova versão principal. Enquanto RHEL, AlmaLinux e Oracle Linux oferecem ferramentas como o Leapp e o ELevate para migrações suaves, o Rocky mantém sua política inflexível:

“Atualizações entre versões principais não são suportadas. A única maneira garantida de atualizar é reinstalar.”

Para servidores críticos em ambientes corporativos, essa abordagem é no mínimo questionável.

O Rocky Linux nasceu como resposta ao fim do CentOS tradicional, prometendo ser uma alternativa estável e de longo prazo para quem não quer (ou não pode) pagar pelo RHEL. E, de fato, ele cumpre esse papel muito bem… até que uma nova versão principal seja lançada.

A justificativa do projeto é que as mudanças entre versões principais são tão profundas que uma atualização in-place poderia causar instabilidade. Mas isso levanta uma pergunta óbvia:

Se RHEL, AlmaLinux e Oracle Linux conseguem fazer isso com segurança, por que o Rocky não?

A resposta oficial é que o Rocky prefere priorizar a estabilidade absoluta, mesmo que isso signifique sacrificar a conveniência. Mas, como bem observa Borisov, essa postura pode afastar justamente o público que mais deveria atrair: empresas que precisam de um sistema confiável e prático.

Curiosamente, o Rocky Linux não impede totalmente os usuários de tentarem atualizações in-place. No seu wiki, há uma menção ao ELevate, a mesma ferramenta usada pelo AlmaLinux para migrações entre versões.

Só que há um detalhe:

“Este método não é oficialmente testado ou suportado pelo Rocky Linux. Use por sua própria conta e risco.”

Ou seja, a ferramenta existe, mas se algo der errado, você está por conta própria.

Para uma distribuição que se orgulha de ser uma alternativa enterprise-ready, essa postura parece meio contraditória. Se o ELevate funciona bem no Alma (que compartilha a mesma base técnica), por que o Rocky não adota uma abordagem mais proativa?

Se você é um administrador de sistemas experiente, com pipelines de deploy bem estruturados e playbooks de Ansible afiados, talvez uma reinstalação completa não seja o fim do mundo.

Mas para pequenas empresas ou times com menos recursos técnicos, a falta de um caminho de atualização suave é um grande obstáculo.

E Agora?

O Rocky Linux continua sendo uma distribuição robusta, estável e bem mantida. Mas enquanto não resolver essa questão das atualizações, sempre haverá um ponto de interrogação sobre sua adequação para ambientes que precisam de flexibilidade a longo prazo.

Será que o projeto vai eventualmente adotar o ELevate como solução oficial? Ou continuará insistindo que reinstalar é o único caminho oficial? Enquanto isso, o AlmaLinux e o Oracle Linux seguem como opções mais amigáveis para quem não quer reinstalar tudo de tempos em tempos.

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