A AMD deu mais um passo no campo de renderização “neural” para games com o lançamento do FidelityFX SDK 2.0. Este pacote de desenvolvimento representa uma reestruturação da estratégia de software da empresa, servindo como a base de lançamento para todas as suas futuras tecnologias de renderização baseadas em machine learning (ML), começando pelo aguardado AMD FidelityFX Super Resolution 4 (FSR 4).
SDK 2.0 vs. SDK 1.1.4
A mudança mais significativa anunciada pela AMD é a divisão do seu ecossistema de desenvolvimento em duas linhas paralelas:
- FidelityFX SDK 1.1.4: Mantém todas as tecnologias existentes (como FSR 3.1.4 e anteriores) para desenvolvedores que precisam de suporte contínuo e estabilidade;
- FidelityFX SDK 2.0: É um conjunto totalmente novo de features, reconstruído desde a base para acomodar a próxima geração de hardware AMD e tecnologias baseadas em IA. Ele estreia com o FSR 4 (upscaling com ML) e o FSR 3.1.5 (geração analítica de frames).
A arquitetura do SDK 2.0 introduz um novo conceito: a atualização automática via driver. Com ele, futuras versões do software AMD Adrenalin Edition poderão atualizar automaticamente a tecnologia de upscaling e geração de frames usada dentro dos jogos, sem que seja necessária uma atualização específica do título pelo estúdio. Isso garante que os jogadores sempre tenham acesso à versão mais recente e aprimorada da tecnologia, tornando-a um recurso persistente e evolutivo em sua biblioteca.
Um salto de qualidade impulsionado por Machine Learning
O carro-chefe do novo SDK é, sem dúvida, o FSR 4. Diferente de suas versões anteriores, que utilizavam algoritmos analíticos, o FSR 4 é um upscaler treinado com ML em GPUs AMD Instinct, aproveitando os recursos de aceleração de hardware da arquitetura RDNA 4.
Os ganhos de qualidade de imagem prometidos são substanciais:
- Estabilidade temporal: Reduz significativamente o flickering em superfícies especulares e objetos finos;
- Preservação de detalhes: Capaz de extrair detalhes mais finos, melhorando a clareza geral da imagem em comparação com o FSR 3.1;
- Redução de Ghosting: Praticamente elimina o efeito de “fantasma” em objetos em movimento e artefatos de superfícies que ficam temporariamente ocultas (disocclusion);
- Efeitos de Partícula: Preserva a qualidade e os detalhes de sistemas de partícula em movimento, mesmo sem a necessidade de máscaras de reatividade ou transparência fornecidas pelos desenvolvedores.


Requisitos e compatibilidade
A AMD está claramente mirando no futuro com o FSR 4. A tecnologia tem requisitos específicos que a tornam, por enquanto, exclusiva para a elite do hardware. Isso porque as GPUs suportadas são a AMD Radeon RX 9000 Series (RDNA 4) ou superior. Donos de placas mais antigas, como as séries RX 7000 ou RX 6000, não poderão usufruir do FSR 4, mas o sistema automaticamente recorrerá ao FSR 3.1.5 nesses casos. O suporte é nativo para o DirectX 12 e há um plugin dedicado para a Unreal Engine 5 a partir da versão 5.1.
A geração de frames do FSR 3.1.5, também incluída no pacote, mantém sua compatibilidade com uma gama mais ampla de placas (Shader Model 6.2+) e continua funcionando com upscalers de terceiros, desde que receba os vetores de movimento e dados de profundidade necessários.
Integração simplificada
A AMD tornou a transição para o novo SDK o mais simples possível. Jogos que já integraram o FSR 3.1 ou superior são elegíveis para receber upgrades automáticos para o FSR 4 via drivers Adrenalin no futuro.
A integração agora é feita através de DLLs pré-compiladas e assinadas (amd_fidelityfx_loader.dll, amd_fidelityfx_upscaler.dll), garantindo maior segurança, estabilidade e facilidade de uso para os estúdios, que não precisam se preocupar com processos de portabilidade.
Um marco estratégico
O lançamento do FidelityFX SDK 2.0 e do FSR 4 pode ser um passo importante para a construção de uma base sólida para um ecossistema onde a inteligência artificial e o aprendizado de máquina seriam centrais para a experiência de jogo.Ele segue uma tendência tecnológica de aumento de eficiência, permitindo alcançar resultados superiores sem precisar substituir o hardware. E não é só no campo da computação pessoal, empresas com grandes servidores como a OpenAI também vem priorizando a eficiência em vez de apenas força bruta.




