5 motivos para 2018 ser um ano interessante para jogos no Linux

5 motivos para 2018 ser um ano interessante para jogos no Linux

O ano de 2018 está batendo à nossa porta e ele vai trazer ao “mundo Linux” muitas  coisas interessantes. Eis aqui 5 motivos porque 2018 pode ser um ano muito interessante para os gamers de Linux.

Este foi um belo ano para os jogadores que usam Linux, vários lançamentos, otimizações e muito mais. É claro que a estrada ainda é longa e existem muitas coisas que podem melhorar, mas isso não é necessariamente ruim, no mundo da tecnologia, a melhoria constante é a “lei”.

2018 vai nos trazer varias coisas interessantes, deixe-me listar alguns motivos para ficarmos otimistas com o mundo Gamer Linux.

1 – Vulkan sendo mais utilizado

Em 3 de Março de 2015 eu fazia um dos primeiros artigos sobre o Vulkan aqui no blog. Praticamente 3 anos depois dos primeiras investidas no desenvolvimento da nova API gráfica multiplataforma, finalmente ela está começando a ser implementada em jogos.

A nova versão do Android já dá suporte para o Vulkan e nesse ano nós tivemos o primeiro game a ser lançado somente com Vulkan no Linux, o F1 2017.

Em 2018 certamente teremos mais projetos utilizando o Vulkan e quanto mais ele for utilizado, mais ele tende a se desenvolver. Com melhor aproveitamento dos núcleos dos chips de processamentos e sendo uma via de alta qualidade para a produção de jogos para todos os sistemas operacionais, incluindo Linux, Windows, macOS e Android, podemos esperar boas coisas vindas daí no próximo ano.

2 – Novo Mesa Driver e Drivers AMD

Os drivers Nvidia devem continuar recebendo melhorias como sempre. Atualmente as “placas do lado verde” são a preferência do usuários Linux por conta do desempenho em jogos, no entanto, tivemos recentemente uma grande quantidade de código AMD acrescentada ao Kernel Linux, que deve melhorar a qualidade do suporte ao hardware da empresa. 

A entrevista que fizemos com Alfredo Heiss, representante da AMD no Brasil, pode nos dar um vislumbre de que coisas boas estão à caminho:

Quem sabe no próximo ano teremos a possibilidade de usar hardware gráfico AMD sem maiores problemas.

3 – Novo Wine com suporte para DX11, DX12 e Vulkan

Apesar de não ser o ideal, muitas pessoas se utilizam do Wine para jogar games que são nativos de Windows no Linux. Atualmente os games que rodam sobre DX9 e DX10 geralmente rodam tranquilamente no Linux pelo Wine, salvo exceções, no entanto, games mais recentes podem necessitar de versões mais recentes da API da Microsoft.

Leia também: Lançado Wine 3.0 RC1 com suporte para DX11

Com as novas versões do Wine, além do suporte para o DX11, o DX12 também deve ser suportado, mas ao contrário do que acontece atualmente, numa conversão para o OpenGL, o DX12 seria convertido em Vulkan.

Com a chegada de pacotes Snap e Flatpak com maior força, nada impede que as desenvolvedoras criem pacotes fechados com seus games rodando sobre o Wine, eliminando assim a necessidade de portar o game completamente para Linux, alterando binários, arquivos de configuração e disposição de pastas.

4 – Lançamento do Ubuntu 18.04 LTS

Querendo ou não, o Ubuntu é cara do Linux para o mercado mainstream, a chegada da nova versão de longo suporte, trazendo consigo as tecnologias Snap, Flatpak, Wayland e usando GNOME como padrão deverá ser uma boa coisa, podemos esperar uma maior unidade no desenvolvimento para Linux.

GNOME é atualmente o desktop padrão do mundo Linux, eu mesmo não tenho nele a minha preferência, mas sim, ele é. Agora Fedora, Ubuntu, Debian e openSUSE, que são as distros com maior apelo comercial atualmente, usam o GNOME como ambiente, algumas como padrão, outras como uma das principais alternativas.

O SteamOS, sistema da Valve, por baixo dos panos também roda um GNOME, então os desenvolvedores de games que atualmente focam no Ubuntu e no SteamOS na Steam, poderão desenvolver praticamente de forma unitária, o que é bom, pois o mercado precisa de padrões, gostemos ou não.

5 – Mais suporte para as Engines de jogos

Existem a cada dia mais Engines que exportam games multiplataforma, mas algumas são especialmente importantes por fazerem parte do dia a dia de várias pequenas e médias empresas produtoras de games. Por mais que os títulos triplo A chamem muita atenção, a maior parte do mercado é composta de jogos médios e pequenos.

A Unity Engine e a Unreal Engine por exemplo, aumentaram muito o suporte para Linux neste ano, dada a popularidade de ambas, é de se esperar que tenhamos mais jogos feitos com elas para a plataforma do pinguim em 2018

Outros fatores

Além dos itens já comentados, outro fator que pode influenciar nas empresas olhando para o Linux no mundo dos games, é a própria Microsoft.

Com o Windows 10 S, a empresa acabou dando um exemplo do que eles gostariam que ocorresse em seu ecossistema. Até para a segurança do Windows, apenas aplicativos disponíveis na própria Windows Store poderiam ser instalados. Como você talvez saiba, a própria Microsoft tem interesse em vender jogos através de sua plataforma, de uma forma parecida com o que a Google faz através do Android, o problema disso é que empresas que possuem plataformas próprias, para fins de maximizar seus lucros, como Valve (Steam), EA (Origin), UbiSoft (Uplay) e assim por diante, não gostaram muito da ideia, porque desta forma elas teriam que compartilhar os lucros com a Microsoft.

Tim Sweeney, da Epic Games, empresa que desenvolveu jogos como, Unreal Tornament, Fortinite e Gears of War, comentou o quão prejudicial esse tipo de medida poderia acabar sendo para os desenvolvedores, sugerindo que uma plataforma concorrente no PC seria algo muito bem-vindo.

Talvez (e só talvez) as empresas enxerguem esse tipo de manobra da Microsoft como um impulso para a necessidade de colocar os seus games de forma a atender todo o mercado, temos o macOS para isso, mas o Linux tende a ser mais acessível.

Não creio que vá haver uma mudança drástica no mercado, a maior parte dessas empresas certamente entraria em alguns acordos com a Microsoft ao longo do tempo, no entanto, não deixa de ser uma pedra no sapato, caso a Microsoft decida que somente Apps da Windows Store possam ser instalados no Windows, muitos desenvolvedores vão perder um pouco da liberdade de distribuição de seus softwares e causando um certo monopólio também. Como eu sempre digo, concorrência é sempre bem-vinda, até para evitar que coisas assim possam vir a acontecer.

Até a próxima!


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