A Microsoft finalmente decidiu trazer um pouco de transparência ao seu processo de desenvolvimento com o novo roadmap do Windows 11. A ideia é nobre: mostrar aos usuários e administradores de TI o que está por vir no sistema operacional. Só tem um problema – a maioria das atualizações anunciadas já está batendo na porta, e os recursos mais aguardados continuam perdidos no limbo do “em breve”.
A promessa de transparência
Segundo a Microsoft, o novo roadmap é um “passo importante para aumentar a transparência”. Afinal, quem nunca ficou frustrado ao descobrir que uma atualização quebrou a impressora só depois de instalá-la? A proposta é simples: listar os recursos em desenvolvimento, os que estão em preview e os que já estão disponíveis para o público geral.
Só que, ao olhar mais de perto, percebemos que essa transparência tem limites. O roadmap tem algumas funcionalidades marcadas como “em preview” sem data definida para lançamento, como o polêmico Recall (aquele que tira screenshots de tudo que você faz) e o Click to Do (que promete adivinhar o que você quer fazer antes mesmo de você saber).
Um dos grandes problemas do roadmap atual é que ele parece mais um aviso de última hora do que um planejamento estratégico. Muitas das atualizações listadas têm previsão de lançamento para abril de 2025 – e, no momento em que este artigo é escrito, abril já está aí.
Para piorar, boa parte dessas novidades só funciona em Copilot+ PCs, dispositivos com chips Snapdragon X, Ryzen AI ou Intel Core Ultra. Ou seja, se você ainda está usando um notebook comum, pode esquecer metade das novidades anunciadas.
A Microsoft tem um hábito curioso: deixar recursos em preview por meses (ou anos) sem nunca confirmar quando serão lançados oficialmente. O Recall, por exemplo, já está em testes desde novembro de 2024 e ainda não tem data para sair do estágio experimental.
E não é só isso. Várias funcionalidades anunciadas com pompa e circunstância em eventos como o Build 2024 continuam presas no limbo do “em breve”, enquanto os usuários ficam se perguntando se algum dia vão chegar.
Enquanto a Microsoft anuncia melhorias cosméticas – como ícones mais expressivos na bandeja do sistema e novas fontes chinesas –, os problemas crônicos do Windows 11 continuam sem solução. Por exemplo:
- Impressoras ainda quebram depois de atualizações;
- O menu do Alt+Tab fica completamente bugado se tiver um vídeo em tela cheia no YouTube;
- Bloqueios artificiais impedem migrações do Windows 10;
- O Windows Server 2025 continua um mistério.
Será que um dia o roadmap vai incluir um item do tipo “Corrigir problemas que só começaram com o Windows 11”?
O que esperar do futuro?
A Microsoft garante que “este é só o começo” e que o roadmap vai evoluir com o tempo. Mas, por enquanto, ele parece mais útil para saber o que vai chegar na próxima atualização mensal do que para planejar migrações de longo prazo.
Enquanto isso, os administradores de TI continuam na espera por um mapa realista – um que mostre não apenas quando o Windows vai ganhar novos emojis, mas também quando, finalmente, vai parar de surpreendê-los com bugs bizarros.
Afinal, transparência é ótima, ainda mais quando ela não se limita a avisar que a chuva já começou.
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