O Solus, uma distro Linux rolling release independente e relativamente pouco conhecida, acaba de entrar oficialmente em uma nova fase de desenvolvimento. Batizada de “Polaris”, esta atualização marca o início de um novo “epoch”, um marco técnico e simbólico que redefine a base de pacotes do sistema e abre o caminho para grandes mudanças.
O anúncio, feito pelo desenvolvedor Evan Maddock, descreve o Polaris como o “começo de uma nova era” para a distro. A decisão vem logo após o sucesso da migração Usr-Merge realizada no ano anterior, que unificou os diretórios do sistema sob o /usr, simplificando a hierarquia e preparando o terreno para uma base mais moderna e limpa.
O que é um “epoch”?
No contexto do Solus, um epoch é uma nova versão binária do repositório principal da distribuição. Criar um novo epoch significa reiniciar a base de pacotes a partir de um estado consistente, garantindo que todos os sistemas usuários estejam sincronizados antes de receber grandes mudanças.
Em termos práticos, o Solus está migrando do repositório “Shannon” para o novo repositório “Polaris”. O nome segue a tradição náutica do projeto, afinal, Polaris é a Estrela do Norte, símbolo de orientação e estabilidade.
Essa mudança permite que os desenvolvedores introduzam atualizações estruturais importantes, como versões mais recentes do systemd e do baselayout, que melhoram o gerenciamento de consoles virtuais e removem limitações técnicas herdadas de componentes antigos.
Adeus, Python 2
Um dos destaques do novo epoch é o fim definitivo do bom e velho Python 2 no Solus. Essa versão da linguagem, descontinuada oficialmente em 2020, ainda permanecia na distro porque o antigo Software Center (responsável por instalar e atualizar pacotes) era escrito em Python 2.
Removê-lo antes representaria risco de quebrar sistemas durante atualizações, já que o próprio gerenciador de pacotes dependia dele. Com o novo epoch, o Solus consegue remover o componente de forma segura e substituí-lo por ferramentas modernas, como a GNOME Software ou o KDE Discover.
Como será a transição
A migração para o Polaris será quase totalmente automatizada. Um novo pacote chamado usysconf-epoch executará, durante a inicialização do sistema, um script que verifica se o computador está pronto para a mudança e, em seguida, realiza a transição.
Usuários mais experientes podem optar por testar antecipadamente ativando o epoch manualmente:
echo EPOCH_ENABLE=yes | sudo tee /etc/sysconfig/epochO script já está disponível no repositório Unstable, e será sincronizado com o Shannon (Stable) em 17 de outubro. Se tudo correr bem, todos os usuários serão migrados automaticamente para o Polaris a partir de 24 de outubro.
Com a migração concluída, o projeto se preparará para atualizar o GNOME para a versão 49, que depende de APIs mais novas do systemd. Depois disso, o Solus entrará em feature freeze para preparar novas ISOs, permitindo novas instalações já baseadas no novo epoch.Aproveite que está aqui e confira nossa análise (um tanto antiga) do Solus e entenda o diferencial desse sistema!




