Reino Unido aposta em pagamentos bancários diretos e lembra o caminho do Pix
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Reino Unido aposta em pagamentos bancários diretos e lembra o caminho do Pix

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Durante muito tempo, fazer um pagamento online significava pegar um cartão de crédito, digitar uma sequência de números, informar a data de validade, inserir o código de segurança e esperar chegar a fatura no final do mês. Esse processo se tornou tão comum que muita gente passou a enxergá-lo como a forma natural de pagar por serviços digitais. Mas nem todos os países estão seguindo esse caminho.

O governo do Reino Unido anunciou uma mudança importante em sua plataforma de pagamentos digitais, o GOV.UK Pay, que permitirá aos cidadãos pagar diversos serviços públicos diretamente por transferência bancária, sem precisar utilizar cartões de crédito ou débito.

Para quem vive no Brasil, a novidade pode soar familiar. Embora as tecnologias sejam diferentes, a direção é parecida com a que levou ao sucesso do Pix: simplificar pagamentos, reduzir intermediários e permitir transferências diretas entre contas bancárias.

Uma troca de fornecedores

A mudança começou com a substituição da Stripe como uma das processadoras de pagamento utilizadas pelo governo britânico. A empresa holandesa Adyen assumirá parte das operações do GOV.UK Pay em um contrato de três anos que pode alcançar 25,3 milhões de libras.

À primeira vista, a notícia parece apenas mais uma troca de fornecedor tecnológico. Porém, o detalhe mais interessante está nos recursos que a mudança permitirá implementar. Entre eles está o chamado “Pay by Bank”, um sistema baseado em Open Banking que possibilita transferências diretas entre contas bancárias.

Dessa maneira, o usuário pode autorizar um pagamento diretamente em seu banco sem precisar informar dados de cartão.

O que é o GOV.UK Pay?

Criado em 2016, o GOV.UK Pay funciona como uma plataforma centralizada para pagamentos digitais de órgãos públicos britânicos. Em vez de cada prefeitura, delegacia, repartição ou órgão governamental desenvolver sua própria solução de cobrança, o governo oferece uma infraestrutura compartilhada.

Segundo os números divulgados pelo próprio serviço, mais de 137 milhões de transações já foram processadas pela plataforma, movimentando cerca de 9,2 bilhões de libras. 

Atualmente, mais de 1.700 serviços públicos utilizam o sistema. Isso inclui desde taxas municipais até pagamentos relacionados a forças policiais e outros órgãos governamentais.

Menos cartões, mais transferências

A principal novidade da nova fase do GOV.UK Pay é justamente a introdução dos pagamentos bancários diretos. O objetivo é eliminar parte da complexidade do processo tradicional.

Em vez de preencher formulários com dados do cartão, o cidadão escolhe seu banco, autoriza a transação e conclui o pagamento utilizando os mecanismos de autenticação já oferecidos pela instituição financeira.

Além da praticidade, existe uma questão econômica. Pagamentos por transferência bancária costumam envolver menos intermediários do que operações com cartão, reduzindo custos para quem recebe os recursos. Esse é um dos motivos pelos quais governos e empresas ao redor do mundo têm demonstrado interesse crescente em modelos baseados em Open Banking.

A inevitável comparação com o Pix

Embora seja tentador afirmar que o Reino Unido está criando sua própria versão do Pix, a realidade é um pouco mais complexa. O Pix é uma infraestrutura nacional operada pelo Banco Central do Brasil, criada especificamente para transferências instantâneas entre instituições financeiras.

Já o modelo britânico utiliza os mecanismos de Open Banking existentes no país para conectar diferentes bancos e iniciar pagamentos diretamente entre contas. 

As tecnologias são diferentes, mas a filosofia possui pontos em comum. Nos dois casos, a ideia central é reduzir a dependência dos cartões como intermediários para pagamentos digitais.

O sucesso do Pix mostrou que consumidores rapidamente adotam soluções que exigem menos etapas e oferecem confirmação quase imediata das transações. O Reino Unido parece caminhar em uma direção semelhante, ainda que utilizando uma arquitetura técnica diferente.

Quando o Open Banking começou a ser implementado em diversos países, muita gente associou a iniciativa apenas ao compartilhamento de dados financeiros entre instituições. Mas a proposta sempre foi mais ampla.

A possibilidade de iniciar pagamentos diretamente a partir de aplicações externas é uma das funcionalidades mais promissoras desse modelo. Em vez de depender exclusivamente das bandeiras de cartão e de seus ecossistemas, empresas e órgãos públicos passam a ter novas formas de receber pagamentos.

Para os usuários, isso pode significar menos formulários, menos senhas e menos informações financeiras circulando por diferentes sistemas.

Poucas pessoas pensam na infraestrutura por trás de um Pix ou de uma compra por aproximação. O que importa é que o dinheiro chegue ao destino rapidamente e sem complicações. O movimento do governo britânico parece seguir exatamente essa lógica.

Segundo os responsáveis pelo GOV.UK Pay, a migração de cerca de mil serviços para a nova plataforma deverá ocorrer sem mudanças perceptíveis para a maioria dos cidadãos.

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