A tecnologia avança, a inteligência artificial aprende, e os tribunais ficam cada vez mais movimentados. Desta vez, o alvo é a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, que está enfrentando uma acusação pesada: usar filmes adultos pirateados via BitTorrent para treinar seus modelos de IA.
Duas produtoras de conteúdo “adulto”, Strike 3 Holdings e Counterlife Media, entraram com uma ação na Justiça dos EUA alegando que a Meta baixou e compartilhou ilegalmente mais de 2.396 filmes protegidos por direitos autorais. E alguns desses conteúdos podem ter sido distribuídos para menores de idade em estados norte-americanos onde a verificação etária é obrigatória.
Vamos entender esse caso polêmico, desde as estratégias questionáveis da Meta até os possíveis impactos no futuro da inteligência artificial e dos direitos autorais.
BitTorrent, IA e o “toma lá, dá cá” digital
A acusação principal é que a Meta usou o BitTorrent, uma rede peer-to-peer (P2P) conhecida por distribuir arquivos grandes de forma descentralizada, para baixar terabytes de dados, incluindo filmes “adultos” (por motivos de SEO, evitaremos o nome correto). Mas não parou por aí.
O protocolo BitTorrent funciona em um sistema de “tit-for-tat” (algo como “toma lá, dá cá”), onde os usuários que mais compartilham arquivos recebem prioridade nos downloads. Segundo a Strike 3 Holdings, a Meta não apenas baixou os filmes, mas também continuou compartilhando-os por dias, semanas ou até meses.
Ao distribuir conteúdo popular (como filmes “adultos” recém-lançados), a Meta conseguia acelerar o download de outros dados necessários para treinar seus modelos de IA.
A queixa sugere que a Meta escolheu deliberadamente filmes “adultos” porque eles estão entre os arquivos mais baixados do BitTorrent. Isso permitiria que a empresa otimizasse sua largura de banda e baixasse milhões de outros arquivos mais rapidamente.
IPs corporativos e um funcionário suspeito
As produtoras alegam ter identificado 47 endereços IP vinculados à Meta que estavam envolvidos na distribuição ilegal de seus filmes. Esses IPs foram rastreados usando ferramentas proprietárias da Strike 3 Holdings, como o VXN Scan, e confirmados por meio do MaxMind, um serviço líder em geolocalização de IPs.
Mas a coisa fica ainda mais estranha:
- A Meta teria usado “Virtual Private Clouds” (VPCs) para esconder sua atividade no BitTorrent, criando uma “rede secreta” de endereços IP não vinculados diretamente à empresa.
- Um funcionário da Meta teria usado seu IP residencial para baixar e compartilhar os filmes, possivelmente para dificultar o rastreamento.
Ou seja: se as acusações estiverem corretas, a Meta não apenas pirateou conteúdo, mas também tentou encobrir seus rastros usando infraestrutura externa e até um empregado como “laranja”.
IA “a dulta”?
A princípio, a Meta teria utilizado o material para acelerar o fluxo de download daquilo que realmente interessava. Mas e se a companhia foi além?
As produtoras temem que, se tiver treinado seus modelos de IA com filmes “adultos”, a Meta possa criar um concorrente artificial.
Afinal, esses filmes contêm cenas complexas, expressões faciais únicas e movimentos corporais que são difíceis de replicar sem referências reais. Se a IA da Meta aprender a gerar conteúdo similar, os estúdios poderiam perder mercado para filmes “adultos” sintéticos, completamente personalizados, produzidos a custo quase zero.
A Strike 3 Holdings e a Counterlife Media argumentam que não podem competir com uma gigante como a Meta se ela distribuir seus filmes de graça e ainda usá-los para criar IA generativa.
Meta pode quebrar recordes judiciais
Se a Justiça considerar que a Meta agiu de forma intencional e maliciosa, a empresa pode ser condenada a pagar US$ 150 mil por obra infringida. Com 2.396 filmes envolvidos, o prejuízo total poderia chegar a US$ 359 milhões.
A Meta já se pronunciou brevemente, dizendo que “não acredita que as alegações sejam precisas”, mas ainda não apresentou uma defesa detalhada. Enquanto isso, o caso pode se tornar um marco legal na discussão sobre IA, direitos autorais e pirataria corporativa.
A Strike 3 Holdings tem histórico de acordos extrajudiciais em casos de pirataria, então é possível que a Meta tente negociar antes que o caso vá a julgamento.
Mas, se o processo avançar, teremos um duelo épico entre a indústria “adulta” e uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Atualmente, a Meta segue atrás no pódio do domínio da IA, mas em sua corrida para o topo, além dos truques sujos, há muito investimento.




