Linux 6.17 perde tecnologia de gravação de CDs e DVDs e corrige bug de 30 anos
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Linux 6.17 perde tecnologia de gravação de CDs e DVDs e corrige bug de 30 anos

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O pai do Linux, Linus Torvalds, anunciou oficialmente o lançamento do Kernel Linux 6.17, uma atualização que melhora o suporte a hardware moderno e traz uma série de otimizações. Em seu anúncio tradicional na Linux Kernel Mailing List (LKML), Torvalds foi caracteristicamente direto: “Nenhuma grande surpresa nesta última semana, então aqui estamos, com o kernel 6.17 pronto e disponível”.

O que torna esta versão particularmente interessante é seu timing. O Ubuntu 25.10, cuja versão beta foi lançada recentemente, já incorpora o novo kernel, enquanto os usuários do Ubuntu 24.04 LTS receberão a atualização como parte do próximo pacote HWE no início de 2026.

Analisemos o que há de novo no coração do Linux: desde melhoria de desempenho e suporte a novos hardwares até perda de uma tecnologia de gravação de CDs e DVDs e a correção de um bug que persiste há 3 décadas.

Gráficos e gaming

Uma das áreas mais notáveis de melhoria no Kernel 6.17 está no suporte a gráficos, especialmente para os mais recentes hardware Intel. Com os primeiros laptops da série Intel ‘Panther Lake’ prestes a chegar ao mercado, o kernel agora habilita por padrão os gráficos Intel Xe3 integrados, garantindo que quem adquirir esses novos modelos terá desempenho gráfico sólido desde o primeiro momento.

Para usuários de laptops com chips Core Ultra Série 2 (‘Lunar Lake’), o driver Intel IPU7 finalmente traz suporte adequado para webcams.

No front AMD, o kernel 6.17 introduz suporte para SmartMux em laptops com GPUs híbridas. Este sistema alterna automaticamente entre gráficos integrados e discretos baseado na carga de trabalho, economizando energia quando possível e entregando desempenho máximo quando necessário.

Os gamers também têm motivos para comemorar. Os drivers Lenovo WMI Gaming Series agora suportam tanto o Legion Go quanto o Legion Go S (baseado no SteamOS), abrindo portas para quem deseja executar outras distribuições Linux no portátil da Lenovo. Além disso, o kernel padroniza o keycode usado pela tecla “performance boost”, até então inútil para distros Linux, em laptops Dell e Alienware recentes, permitindo que sejam mapeadas para alguma função. 

Uma melhoria menos óbvia, mas igualmente importante para gamers, é a adição do suporte a DualPI2 no stack de rede. Este controle de congestão ajuda a reduzir a latência na fila de rede, beneficiando jogos online, streaming e chamadas de vídeo.

Sistemas de arquivos

Dentre as melhorias nos sistemas de arquivos no Kernel 6.17, talvez a mais significativa seja a capacidade do kernel de escrever zeros eficientemente sem operações de I/O reais em SSDs NVMe que suportam o bit DEAC e SSDs SCSI com suporte ao bit UMMAP.

A opção FALLOC_FL_WRITE_ZEROES para fallocate() marcará regiões de armazenamento como preenchidas com zeros internamente em SSDs modernos. Isso não apenas melhora o desempenho, mas também reduz o desgaste, considerando que SSDs têm uma margem finita de leitura/escrita, menos operações de escrita significam maior durabilidade.

O sistema de arquivos EXT4, padrão no Ubuntu, vê uma evolução na escalabilidade de alocação de blocos. Benchmarks mostram benefícios de desempenho notáveis sob tarefas intensivas em I/O, como consultas a bancos de dados ou cópia de grandes quantidades de arquivos.

O Btrfs também recebe atenção com suporte experimental a large-folio, que reduz a sobrecarga do gerenciamento de memória ao lidar com arquivos grandes. Combinado com o controle de compressão durante a desfragmentação, isso torna o Btrfs mais adequado para cargas de trabalho sensíveis ao desempenho.

O EROFS, por sua vez, ganha suporte a compressão de metadados e leitura mais rápida de diretórios, particularmente útil em sistemas com sistemas de arquivos raiz somente leitura ou em ambientes com muitos contêineres.

MacBooks e além

O suporte ao hardware da Apple continua evoluindo no Kernel 6.17. O driver Apple Silicon SMC agora permite uma reinicialização mais adequada de Macs com M1 e M2, enquanto a Touch Bar nos MacBook Pros baseados em Intel vê melhorias adicionais com patches para habilitar entrada por toque, ainda que com algumas peculiaridades restantes.

Considerando que a Apple encerrará o suporte para Macs baseados em Intel após o macOS 26, o Linux se apresenta como uma opção viável para dar sobrevida a esses dispositivos.

Outros destaques incluem suporte inicial para laptops ASUS Zenbook A14 com Snapdragon X1 Plus/Elite, permitindo que mais distribuições Linux executem nesses dispositivos baseados na arquitetura ARM originalmente projetados para Windows. O Raspberry Pi 5 também ganha suporte para seu chip de I/O RP1.

Para entusiastas de hardware, foi incluído o sistema de monitoramento da fonte Corsair HX1200i (modelo 2025), wake-on-touch para o Intel Touch Host Controller (útil para tablets e dispositivos 2-em-1), e mapeamento adequado para teclas F13 até a F24 em teclados PS/2 (sim, teclados com mais de 12 teclas de função realmente existem).

O suporte ao HD Audio foi estendido para cobrir o Framework Laptop 13 com AMD Ryzen AI 300, laptops comerciais ASUS usando CS35L41 HDA e modelos HP EliteBook. O offloading de áudio USB, uma feature introduzida em versões recentes do kernel, agora cobre mais dispositivos móveis, incluindo o Fairphone 4.

Segurança e desempenho

Uma das mudanças mais significativas no núcleo do kernel é a integração de novos Controles de Vetor de Ataque, que simplificam o tratamento de segurança para vulnerabilidades conhecidas de CPU, como Spectre e Meltdown. Anteriormente, cada mitigação tinha sua própria opção de linha de comando no kernel. Na versão 6.17, há uma opção unificada.

Esta unificação não apenas facilita a vida dos administradores de servidores Linux, como também pode ajudar a recuperar quedas de desempenho que certas mitigações exigem, além de facilitar o gerenciamento do número crescente de “remendos” para vulnerabilidades de hardware.

Outra mudança arquitetural importante é a remoção do suporte para configuração uniprocessador do agendador do kernel. Agora, todas as máquinas, mesmo aquelas que executam em processadores single-core, executarão um kernel projetado para sistemas multicore.

Esta unificação não deve impactar negativamente sistemas single-core (que são cada vez mais raros em 2025), mas adotar uma abordagem de agendamento unificada em todas as CPUs deve reduzir a complexidade do código e tornar o comportamento do kernel mais confiável.

O Kernel 6.17 introduz suporte inicial para execução por proxy (proxy execution). Este novo recurso pode prevenir desacelerações quando um aplicativo de alta prioridade está aguardando um recurso. O sistema temporariamente dá um “boost” ao detentor do recurso, fazendo com que ele termine e libere o recurso mais rapidamente.

Em termos técnicos, isso resolve “problemas de inversão de prioridade” ao permitir que “tarefas de alta prioridade aguardando por locks doem contexto de execução para os detentores de locks”, reduzindo picos de latência em aplicativos.

O gerenciamento de memória vê várias otimizações através dos subsistemas do kernel, notavelmente com desempenho futex melhorada para aplicações intensivamente threadadas.

A adição da Interface de Feedback de Hardware (HFI) da AMD é particularmente interessante. Diversos modelos de processadores modernos misturam dois tipos de núcleos: desempenho e eficiência. No caso da AMD, o HFI dá ao kernel informações para ajudá-lo a decidir qual núcleo é mais adequado para quais tarefas, melhorando tanto o desempenho quanto o gerenciamento de energia.

Curiosidades e limpezas técnicas

Não seria um lançamento de kernel Linux sem algumas peculiaridades. O Kernel 6.17 remove finalmente o driver Pktcdvd para gravação em pacotes em mídias óticas. Deprecado em 2016, ele sobreviveu a uma tentativa de remoção em 2023, mas agora, em 2025, a gravação em pacotes para mídias óticas está definitivamente encerrada. Isso não significa que não é mais possível gravar CDs ou DVDs com o Linux, mas que essa tecnologia específica de gravação, utilizada em programas antigos, não será mais suportada. Em softwares modernos, você poderá seguir com suas gravações.

Mais impressionante é a correção de um bug relacionado ao manuseio de cabeçalhos de programa ELF que causava mau funcionamento de alguns aplicativos em certas condições. A peculiaridade? O problema existia desde 1993, levando 30 anos para alguém finalmente corrigi-lo adequadamente.Cada distro receberá a atualização do kernel conforme seu próprio calendário, sendo que as rolling release bleeding edge como o Arch Linux e o openSUSE Thumbleweed deverão estar entre as primeiras. Entenda o que é rolling release e bleeding edge!

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