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Conheça meu homelab que virou um pequeno data center e tornou a nuvem opcional

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Quem entra no universo dos homelabs costuma começar de maneira simples: um computador antigo reaproveitado, um Raspberry Pi ou um pequeno NAS para armazenar arquivos. Pouco tempo depois, porém, é comum perceber que aquele projeto inicial começou a crescer. Surge um servidor novo para testar máquinas virtuais, outro para armazenar backups, um terceiro para executar aplicações de automação… quando se percebe, o que era apenas um hobby passou a ocupar um rack inteiro.

Esse fenômeno acontece porque um homelab dificilmente serve apenas para aprender sobre servidores. Conforme novos serviços entram na rotina, eles deixam de ser experimentos e passam a desempenhar funções importantes no dia a dia. Aplicativos de backup, gerenciamento de fotos, automação residencial, servidores multimídia e ambientes de desenvolvimento acabam substituindo serviços na nuvem e dando ao usuário um controle muito maior sobre seus próprios dados.

Esse também foi o caminho percorrido pelo Dio. Depois de quase seis anos expandindo sua infraestrutura, o laboratório doméstico hoje reúne quatro servidores principais — além de uma quinta máquina que está prestes a ser aposentada — formando um verdadeiro mini data center voltado tanto para produtividade quanto para aprendizado.

O servidor que iniciou tudo

O equipamento mais antigo continua sendo um dos mais importantes. Trata-se de um Synology DS218j, um NAS relativamente simples para os padrões atuais, mas que continua desempenhando uma missão essencial: servir como destino de backup para contas do Google Drive e diversos outros arquivos importantes.

Grande parte dessa facilidade vem do próprio DSM, sistema operacional desenvolvido pela Synology. Entre seus aplicativos está o Cloud Sync, uma ferramenta capaz de conectar diferentes serviços de armazenamento em nuvem e manter cópias sincronizadas automaticamente.

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Basta adicionar uma conta do Google Drive, Dropbox ou outro serviço compatível para que os arquivos sejam copiados continuamente para dentro do NAS. Essa aparente simplicidade, entretanto, esconde uma armadilha.

Durante uma reorganização de arquivos, uma configuração incorreta fez com que arquivos apagados localmente também fossem removidos do Google Drive. O resultado foi a exclusão praticamente completa da conta de armazenamento em nuvem.

Felizmente, o Google Drive ainda havia movido esses arquivos para a lixeira em vez de eliminá-los definitivamente. Além disso, existia uma segunda cópia armazenada em outro servidor do homelab, tornando possível recuperar todos os dados.

A experiência serviu como um lembrete importante: sincronização não é sinônimo de backup.

Quando dois locais permanecem perfeitamente sincronizados, um erro cometido em um deles também pode ser replicado para o outro. Um backup verdadeiro precisa existir de forma independente, permitindo recuperar versões antigas mesmo depois de um acidente.

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O coração do armazenamento

Se o Synology cuida das cópias externas, o verdadeiro centro de armazenamento do homelab é um servidor executando TrueNAS.

Construído sobre um ZimaCube, ele reúne quatro discos rígidos de 10 TB cada, totalizando 40 TB de capacidade física. Como um dos discos é dedicado à redundância, cerca de 30 TB permanecem disponíveis para armazenamento efetivo, enquanto o restante protege os dados caso um dos HDs apresente defeito.

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É nesse equipamento que ficam armazenados os backups mais importantes do canal Diolinux, além de bibliotecas de filmes, séries, músicas, livros, audiolivros, fotografias e diversas informações utilizadas por outras aplicações espalhadas pelo laboratório.

Assim como acontece no Synology, o TrueNAS também realiza sincronizações com serviços de armazenamento em nuvem. A configuração é um pouco menos amigável, exigindo mais atenção durante a criação das tarefas, mas oferece bastante flexibilidade para quem deseja automatizar rotinas de backup.

Embora o hardware seja suficientemente poderoso para executar praticamente todas as aplicações do homelab, essa acabou não sendo a estratégia escolhida.

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Quando a teoria encontra a prática

Quem conhece o TrueNAS sabe que ele oferece suporte à execução de aplicações em contêineres e máquinas virtuais. Em teoria, isso permitiria centralizar praticamente todos os serviços em um único equipamento. Na prática, a experiência nem sempre foi positiva.

Aplicações como o Jellyfin apresentaram instabilidades ocasionais, exigindo recriações de contêineres e novas configurações após determinadas atualizações. Nenhum desses problemas era impossível de resolver, mas a manutenção constante acabava consumindo tempo demais para um servidor cuja principal responsabilidade deveria ser proteger dados.

A solução encontrada foi separar funções. Hoje o TrueNAS continua concentrando o armazenamento, enquanto a maior parte das aplicações roda em outro servidor dedicado especificamente a esse papel.

Mesmo assim, alguns serviços permanecem instalados diretamente nele por fazerem sentido dentro dessa arquitetura.

Kasm: navegando em segurança

Um dos aplicativos que continuam no TrueNAS é o Kasm Workspaces. À primeira vista, ele parece apenas mais uma plataforma de virtualização. Na realidade, sua proposta é bastante diferente.

O Kasm permite executar aplicações gráficas completas dentro de contêineres Linux acessíveis diretamente pelo navegador. Isso significa que é possível abrir um navegador Firefox isolado, utilizar distribuições Linux inteiras ou executar programas específicos sem instalar nada diretamente na máquina principal. Embora existam inúmeras possibilidades de uso, uma delas merece destaque por sua utilidade cotidiana.

Sempre que surge a necessidade de abrir um link desconhecido ou potencialmente suspeito, em vez de utilizar o navegador instalado no computador principal, basta iniciar um navegador dentro do Kasm.

Caso aquela página contenha algum código malicioso ou tente explorar vulnerabilidades do navegador, o impacto tende a ficar restrito ao ambiente isolado criado pelo contêiner, reduzindo significativamente os riscos para o restante do sistema.

É uma camada adicional de segurança bastante interessante para quem costuma testar softwares, abrir arquivos enviados por terceiros ou simplesmente navegar por sites menos conhecidos.

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Downloads direto no destino

Outro aplicativo hospedado no TrueNAS é o qBittorrent. Pode parecer um detalhe pequeno, mas executá-lo diretamente no servidor de armazenamento elimina uma etapa inteira do processo.

Em vez de baixar arquivos para o computador pessoal e depois copiá-los para o NAS, tudo já é salvo diretamente na pasta definitiva. Além de economizar tempo, essa abordagem reduz transferências desnecessárias pela rede local e simplifica a organização dos arquivos.

A VPN que conecta tudo

Fechando a lista de serviços instalados no TrueNAS está o Tailscale. Baseado na tecnologia WireGuard, ele cria uma VPN privada entre dispositivos, permitindo acessar servidores domésticos de qualquer lugar com segurança e sem a necessidade de abrir portas no roteador.

Isso permite administrar todo o homelab mesmo estando fora de casa. O Tailscale também facilita o acesso aos demais servidores da infraestrutura, funcionando como uma espécie de porta de entrada para todos os outros serviços hospedados localmente.

Essa simplicidade é justamente um dos motivos pelos quais ele permanece instalado nessa máquina há tanto tempo. Depois de configurado, praticamente não exige manutenção e consome poucos recursos.

Separar funções também aumenta a confiabilidade

Uma das decisões mais importantes na elaboração dessa infraestrutura foi evitar concentrar todas as responsabilidades em um único servidor extremamente poderoso. Embora isso pudesse reduzir o consumo de energia ou simplificar o gerenciamento inicial, também aumentaria o impacto de qualquer problema.

Ao separar armazenamento, aplicações e virtualização em máquinas diferentes, fica muito mais fácil realizar atualizações, testar novos softwares e corrigir eventuais falhas sem interromper todos os serviços ao mesmo tempo.

Essa filosofia lembra bastante o funcionamento de ambientes corporativos, onde diferentes servidores assumem responsabilidades específicas para aumentar disponibilidade, facilitar manutenção e reduzir riscos.

O servidor que concentra a maior parte das aplicações

Se o TrueNAS é o coração do armazenamento, um TerraMaster F8 SSD Plus executando o ZimaOS é o cérebro da maior parte dos serviços utilizados diariamente. Antes dele, essas aplicações rodavam em um hardware mais modesto, mas a chegada do novo servidor trouxe mais desempenho e estabilidade para uma quantidade crescente de contêineres.

Equipado com um processador Intel Core i3, 16 GB de memória RAM e um SSD de 1 TB, ele se tornou o principal ambiente para executar aplicações self-hosted. O ZimaOS também funciona como um painel centralizado, facilitando a instalação e o gerenciamento dos serviços.

A lista de aplicativos é extensa, mas eles podem ser divididos em três grandes categorias: privacidade, produtividade e entretenimento.

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Privacidade que vai além da nuvem

Entre todos os serviços, talvez o mais importante seja o Immich. Nos últimos anos, o Google Photos acostumou muita gente com backups automáticos de fotos e vídeos, sincronização entre dispositivos e recursos de busca. O Immich oferece uma experiência bastante semelhante, mas com uma diferença fundamental: todas as imagens permanecem sob controle do próprio usuário.

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Existe um aplicativo para Android e iPhone que envia automaticamente as novas fotos para o servidor doméstico, sem depender de serviços externos. O processamento da aplicação acontece no servidor com ZimaOS, enquanto o armazenamento propriamente dito fica no TrueNAS, aproveitando toda a capacidade disponível para guardar anos de fotografias. Outro serviço indispensável é o Home Assistant.

Embora muitas casas inteligentes funcionem utilizando exclusivamente servidores dos fabricantes, o Home Assistant permite centralizar automações localmente. Isso significa criar rotinas, integrar dispositivos de diferentes marcas e reduzir a dependência da internet para funções básicas da automação residencial.

Além do ganho em privacidade, também existe um benefício importante de longevidade. Caso um fabricante encerre um serviço na nuvem, boa parte da automação continua funcionando normalmente.

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Ferramentas que aceleram o trabalho

Nem tudo em um homelab precisa estar relacionado à infraestrutura. Muitos aplicativos acabam sendo instalados simplesmente porque tornam a rotina mais eficiente. Um exemplo é o Excalidraw, uma ferramenta colaborativa para desenhar diagramas, fluxogramas e rascunhos rapidamente.

Pelo Dio, ele é utilizado para criar esboços de thumbnails e explicar ideias para o restante da equipe. Em vez de descrever visualmente uma composição apenas por texto, basta abrir o navegador, desenhar alguns elementos e compartilhar o resultado.

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Outro aplicativo que ganhou espaço rapidamente foi o Stirling PDF. Quem trabalha frequentemente com documentos sabe como tarefas aparentemente simples podem exigir diversos programas diferentes. Juntar PDFs, separar páginas, converter formatos, aplicar OCR, proteger arquivos com senha ou editar metadados são operações reunidas em uma única interface web.

É um daqueles aplicativos que parecem dispensáveis até o momento em que surge a primeira necessidade.

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O próprio Tailscale também aparece novamente nesse servidor, funcionando como uma redundância da instalação presente no TrueNAS e garantindo acesso remoto caso algum dos serviços fique temporariamente indisponível.

O lado divertido do self-host

Nem tudo precisa resolver um problema crítico. Uma das vantagens de montar um homelab é justamente experimentar aplicações que talvez nunca fossem instaladas em um ambiente corporativo, mas que tornam o uso diário muito mais agradável.

É o caso do Kavita, utilizado para organizar e ler bibliotecas de e-books. Já o Audiobookshelf desempenha papel semelhante para audiolivros e podcasts, oferecendo uma interface bastante organizada para acompanhar o progresso de leitura, coleções e histórico.

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Outro destaque é o Swing Music, um servidor de streaming musical que transforma uma coleção pessoal em algo muito parecido com a experiência oferecida por plataformas como Spotify ou YouTube Music.

São exemplos de aplicações que dificilmente seriam consideradas essenciais, mas que demonstram a enorme diversidade do ecossistema self-host.

Jellyfin e Jellyseerr: uma dupla poderosa

Entre todos os aplicativos instalados, poucos recebem tanta atenção quanto o Jellyfin. O projeto se tornou uma das principais alternativas livres para organizar bibliotecas de filmes, séries, músicas e vídeos pessoais, oferecendo uma interface moderna e suporte para praticamente qualquer dispositivo.

Para quem possui uma coleção de mídias físicas ou prefere manter seus próprios arquivos organizados, o Jellyfin oferece uma experiência bastante próxima da encontrada em grandes serviços de streaming.

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Ao seu lado está o Jellyseerr, uma aplicação que complementa essa experiência. Muitas pessoas utilizam o Jellyseerr integrado ao ecossistema Servarr para automatizar solicitações e gerenciamento de downloads. Entretanto, essa está longe de ser sua única função.

Mesmo sem qualquer automação desse tipo, ele consegue analisar a biblioteca existente, sugerir novos filmes e séries, criar listas de interesse e informar em quais plataformas determinado conteúdo está disponível oficialmente.

O resultado é uma experiência de descoberta muito mais agradável do que simplesmente navegar por uma pasta cheia de arquivos.

Ainda assim, vale destacar um ponto importante: manter um servidor multimídia não significa abandonar completamente os serviços de streaming.

Muitos usuários continuam assinando plataformas como Netflix, Prime Video ou Disney+, utilizando o Jellyfin principalmente para conteúdos já adquiridos, mídias físicas digitalizadas ou obras que simplesmente deixaram de existir nos catálogos atuais.

Em muitos casos, possuir uma cópia local acaba sendo a única garantia de acesso permanente a determinados filmes e séries.

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Um servidor quase aposentado

Existe ainda uma quinta máquina que nem sempre entra oficialmente na lista do homelab. Ela foi montada exclusivamente para executar um LanCache, solução que armazena localmente downloads de jogos da Steam e de outras plataformas.

Quando um título é instalado pela primeira vez, ele fica armazenado nesse servidor. Depois disso, qualquer outro computador da rede consegue baixar exatamente os mesmos arquivos diretamente do cache local, economizando largura de banda e acelerando bastante instalações repetidas.

A ideia continua funcionando muito bem, mas faz cada vez menos sentido manter um computador inteiro dedicado apenas a essa tarefa. A tendência é que essa função seja absorvida pelo servidor mais recente da infraestrutura.

O verdadeiro laboratório

O quarto servidor representa a parte mais experimental de todo o projeto.Outro ZimaCube foi configurado para executar o Proxmox, uma das plataformas de virtualização mais populares do universo Linux.

Enquanto os outros equipamentos possuem funções relativamente definidas, esse existe justamente para permitir testes constantes.

Novas distribuições Linux, servidores experimentais, ambientes de desenvolvimento, containers e máquinas virtuais aparecem e desaparecem regularmente conforme surgem novas ideias ou necessidades. É o espaço onde erros deixam de ser um problema e passam a fazer parte do aprendizado.

Recentemente, esse servidor recebeu uma GPU NVIDIA dedicada. A decisão pode parecer exagerada para um ambiente doméstico, mas faz bastante sentido considerando o objetivo do laboratório.

Grande parte dos experimentos atuais envolve modelos locais de inteligência artificial, geração de imagens, assistentes privados e ferramentas que dependem fortemente de aceleração por GPU.

Além disso, o passthrough de GPU permite que máquinas virtuais utilizem diretamente esse hardware, abrindo espaço para testes envolvendo jogos, processamento gráfico e diferentes distribuições Linux sem alterar o sistema principal.

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O que realmente vale a pena hospedar?

Depois de anos expandindo um homelab, fica claro que nem toda aplicação precisa ser executada localmente. O simples fato de existir uma versão self-hosted não significa que ela fará sentido para todas as pessoas.

Serviços de backup aparecem entre as escolhas mais fáceis de justificar. Ter uma cópia independente dos arquivos importantes reduz significativamente os riscos de perda de dados.

Servidores de fotos, como o Immich, também fazem bastante sentido para quem deseja preservar privacidade ou evitar mensalidades de armazenamento em nuvem.

Servidores multimídia continuam sendo excelentes opções para quem possui uma biblioteca própria de filmes, séries ou músicas.

Já outras aplicações dependem muito mais da rotina de cada usuário. Algumas resolvem problemas específicos, enquanto outras existem apenas pelo prazer de aprender algo novo.

Talvez essa seja justamente a maior característica de um homelab: ele dificilmente termina.

Cada novo serviço descoberto desperta curiosidade, leva ao aprendizado de uma tecnologia diferente e, quase sempre, cria uma boa desculpa para adquirir mais um servidor. O que começa como um simples hobby rapidamente se transforma em uma plataforma de experimentação, produtividade e independência tecnológica.

Mais do que substituir serviços na nuvem, um homelab ensina como a infraestrutura por trás deles realmente funciona. E esse conhecimento acaba sendo tão valioso quanto qualquer aplicação instalada dentro dele.

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