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GameHub leva o Proton ao macOS e muda a forma como usuários da Apple jogam

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Por muito tempo, jogar no macOS significou aceitar um catálogo bastante limitado. Embora a Apple tenha conseguido atrair alguns lançamentos importantes nos últimos anos, como Cyberpunk 2077 e Resident Evil Village, a realidade continua distante da encontrada no Windows ou no Linux. Grande parte da biblioteca disponível no Steam simplesmente não possui compatibilidade com o sistema da empresa.

É justamente nesse cenário que apresentamos o GameHub, um aplicativo que tenta simplificar a execução de jogos originalmente desenvolvidos para Windows em Macs, especialmente aqueles equipados com chips Apple Silicon. Embora o software seja proprietário e ainda esteja em fase beta, boa parte da tecnologia que torna essa proposta possível vem do universo open source — incluindo uma das ferramentas mais importantes criadas pela Valve.

Um projeto que nasceu fora dos computadores

O GameHub não surgiu pensando no macOS. Seu desenvolvimento começou na China como uma plataforma para executar jogos de Windows em dispositivos Android, impulsionado pelo crescimento dos portáteis baseados nessa plataforma. Com processadores ARM cada vez mais poderosos, esses equipamentos passaram a ter capacidade para rodar títulos de PC utilizando camadas de compatibilidade.

A ideia acabou sendo expandida para outra plataforma baseada em ARM: os Macs com processadores da linha Apple Silicon.

Em vez de depender exclusivamente das poucas versões nativas disponíveis para macOS, o aplicativo cria um ambiente onde jogos de Windows podem ser executados utilizando tecnologias de tradução de chamadas gráficas e bibliotecas de compatibilidade.

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O Proton está presente

O principal destaque técnico do GameHub é a utilização do Proton, a camada de compatibilidade desenvolvida pela Valve para o Steam no Linux.

O Proton combina diversas tecnologias, como Wine, DXVK e VKD3D-Proton, permitindo que milhares de jogos originalmente criados para Windows funcionem sem necessidade de modificações pelos desenvolvedores. Foi essa tecnologia que ajudou o Steam Deck a conquistar sua enorme biblioteca de jogos.

No macOS, entretanto, existe um desafio adicional. Enquanto o Linux utiliza Vulkan como principal API gráfica moderna, o sistema da Apple não oferece suporte nativo a ela. Em seu lugar existe o Metal, tecnologia proprietária da própria Apple.

Para contornar essa limitação, o GameHub adapta o Proton para trabalhar em conjunto com outra ferramenta bastante importante.

O papel do Apple Gaming Porting Toolkit

Grande parte da conversão gráfica é realizada através do Apple Gaming Porting Toolkit (GPTK). Originalmente, essa ferramenta foi criada para auxiliar estúdios interessados em portar seus jogos para o macOS. Ela permite que desenvolvedores executem versões de Windows durante o processo de testes, identificando incompatibilidades antes da criação de uma versão nativa.

Como acontece frequentemente no universo open source, a comunidade encontrou uma utilização diferente para essa tecnologia. Aplicativos como o GameHub utilizam o GPTK como intermediário para traduzir chamadas DirectX para Metal, permitindo que muitos jogos funcionem mesmo sem uma versão oficial para macOS.

Biblioteca integrada

Além da camada de compatibilidade, o GameHub procura funcionar como um launcher unificado. O aplicativo permite conectar contas do Steam, Epic Games Store e GOG, exibindo a biblioteca de jogos em uma única interface. Também é possível utilizar recursos como Steam Cloud, preservando saves sincronizados entre diferentes computadores.

Outro recurso interessante é a possibilidade de instalar os jogos diretamente em SSDs externos, algo particularmente útil para usuários de MacBooks e Mac minis com pouco armazenamento interno.

Cada jogo também possui uma página própria com avaliações de compatibilidade feitas pela comunidade. Os relatos incluem hardware utilizado, desempenho obtido, configurações empregadas e eventuais problemas encontrados, criando uma espécie de banco de dados semelhante ao ProtonDB.

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Muitas opções

Usuários mais avançados encontram diversas opções de configuração. É possível escolher diferentes versões do Proton, alterar parâmetros de inicialização, instalar dependências adicionais, modificar variáveis de ambiente e selecionar diferentes modos de sincronização utilizados pelo Wine.

Também há acesso às configurações do GPTK, além de recursos como geração de quadros, monitoramento de desempenho e ajustes específicos para determinados jogos.

Apesar dessa flexibilidade, a intenção do aplicativo é que a maioria dos títulos funcione utilizando apenas as configurações padrão, deixando os ajustes finos apenas para casos específicos.

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Os resultados ainda variam

Como toda camada de compatibilidade, o desempenho depende bastante de cada jogo. Títulos relativamente leves podem funcionar praticamente sem problemas após o carregamento inicial. Já produções mais exigentes conseguem rodar, mas normalmente exigem alguma redução da qualidade gráfica ou da resolução para manter taxas de quadros estáveis.

Ainda assim, considerando que esses jogos sequer possuem versões oficiais para macOS, os resultados chamam atenção.

Outro aspecto positivo é que o aplicativo mantém um sistema de feedback integrado. Sempre que um usuário testa um jogo, ele pode registrar sua experiência, ajudando outros jogadores a saberem antecipadamente se determinado título funciona corretamente.

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Ainda existem limitações

O GameHub está em beta, e isso aparece em diversos detalhes. Algumas partes da interface ainda não estão totalmente traduzidas para inglês, existem pequenos comportamentos inconsistentes na biblioteca e o aplicativo exige a criação de uma conta própria para ser utilizado, algo que certamente desagradará parte da comunidade.

Além disso, ele continua sendo um software proprietário. Embora utilize projetos abertos em sua base tecnológica, seu desenvolvimento não acontece de forma aberta.

Mesmo assim, o projeto demonstra como a colaboração entre diferentes tecnologias pode ampliar significativamente as possibilidades de uma plataforma tradicionalmente vista como pouco amigável para jogos.

Talvez o maior mérito do GameHub não seja apenas permitir que alguns títulos de Windows rodem no macOS. Ele também evidencia como tecnologias criadas pela comunidade Linux — especialmente o Proton — ultrapassaram seu objetivo original e hoje influenciam soluções voltadas até mesmo para um sistema operacional concorrente. É um exemplo de como investimentos em software aberto acabam beneficiando um ecossistema muito maior do que aquele para o qual foram concebidos inicialmente.

A experiência de uso do GameHub lembra muito a de um aplicativo que vale a pena conhecer, tanto no Linux, quanto no Windows: o Heroic Games Launcher.

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Sobre o Autor
Redator, além de estudante de engenharia e computação.
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