Com a chegada do GNOME 49, usuários mais nostálgicos ou habituados ao antigo aplicativo GNOME Screenshot podem ter uma surpresa desagradável: o programa simplesmente não funciona mais no Ubuntu 25.10 e em qualquer sistema que utilize essa versão do ambiente gráfico.
Não se trata de um bug ou regressão inesperada, mas sim de uma decisão deliberada do projeto GNOME, que marcou oficialmente o fim de suporte a esse software. A justificativa é direta: o aplicativo é considerado obsoleto, não mantido e já não fazia parte do conjunto principal do GNOME desde 2021.
O que aconteceu com o GNOME Screenshot?
Até o GNOME 48, o aplicativo ainda funcionava em algumas distribuições, mesmo sem manutenção ativa. Isso acontecia porque ele utilizava uma API privada de captura de tela presente no GNOME Shell. Com o lançamento do GNOME 49, essa permissão foi revogada.
Segundo os desenvolvedores, não havia mais motivos para que o GNOME Screenshot fosse tratado de forma diferente de outros aplicativos de terceiros. Se uma ferramenta quer capturar telas em Wayland, deve utilizar os portais do sistema ou APIs públicas, o que o antigo app nunca chegou a implementar.
Sem acesso à API interna, o GNOME Screenshot se tornou incapaz de capturar qualquer conteúdo da tela.
O impacto é relativamente pequeno porque o GNOME Shell já conta com uma ferramenta integrada de capturas e gravação de tela, acessível pelo botão de configurações rápidas ou pela tecla Print Screen. Essa ferramenta é Wayland-friendly, moderna e já cobre as necessidades da maioria dos usuários.
No entanto, há pontos em que o antigo app ainda era preferido. O GNOME Screenshot oferecia:
- Timer configurável para capturar telas com atraso, útil para registrar menus suspensos ou tooltips;
- Linha de comando (CLI), permitindo automação e integração com scripts;
- Opções de salvar diretamente na área de transferência ou definir o destino exato dos arquivos.
A atual ferramenta integrada do GNOME ainda não traz todas essas possibilidades. Existe um atraso automático ao usar a tecla Print Screen antes de abrir a interface gráfica, mas ele não é configurável. Para quem dependia dessa flexibilidade, a ausência pode pesar.
Alternativas disponíveis
Apesar da descontinuação, o cenário não é desolador. Diversos aplicativos modernos funcionam bem em Wayland e utilizam corretamente os portais, como:
- Flameshot – popular por seus recursos avançados de edição e anotações;
- Ksnip – multiplataforma, também com suporte a anotações;
- Shutter (mantido pela comunidade) – com opções de delay e manipulação avançada.
O fim do suporte ao GNOME Screenshot marca mais um passo da transição do projeto para uma base tecnológica moderna e coerente com o Wayland. O caminho agora é usar a ferramenta integrada do GNOME ou migrar para soluções de terceiros que já se adaptaram às novas regras do jogo.Fique por dentro das principais novidades da semana sobre tecnologia e Linux: receba nossa newsletter!




