Montar o próprio celular parece uma daquelas ideias que pertencem mais a um laboratório de eletrônica do que ao cotidiano. O MAKERphone 2.0, porém, tenta aproximar esse conceito de quem nunca soldou um componente na vida. Criado pela CircuitMess, o aparelho é um telefone 4G que chega desmontado, pode ser montado em cerca de duas horas e foi projetado para ser programado e modificado pelo próprio usuário.
A proposta é uma evolução do MAKERphone original, lançado em 2018. Na primeira versão, a montagem levava cerca de sete horas e exigia soldagem. Agora, os componentes são encaixados, parafusados ou conectados, com guias ilustrados e em vídeo para orientar o processo.
Um celular de verdade, mas com espírito de laboratório
Por trás da aparência de projeto educacional existe um telefone funcional. O MAKERphone 2.0 utiliza um ESP32-S3 de dois núcleos, acompanhado de 4 MB de armazenamento flash e 4 MB de PSRAM. A conectividade móvel fica por conta de 4G LTE Cat-1, com suporte a 2G como alternativa.
O aparelho aceita Nano-SIM e permite fazer chamadas e enviar mensagens SMS. A interface fica em uma tela colorida de 1,77 polegada, com resolução de 160 × 128 pixels, teclado numérico de 12 teclas, joystick e quatro botões de função.
Também há Wi-Fi, Bluetooth, leitor de cartão microSD, USB-C para carregamento e programação, entrada para fones de 3,5 mm, alto-falante, microfone, relógio de tempo real e LEDs RGB. A bateria tem 1.000 mAh. O conjunto mede 11,5 × 6 × 1,8 cm e pesa 104 gramas.

A parte mais interessante está no código
É aqui que o projeto se distancia de um celular convencional. O MAKERphone 2.0 foi pensado como uma plataforma programável, compatível com Arduino e preparada para desenvolvimento em MicroPython e C++.
Isso permite criar aplicativos, jogos e automações próprios. A CircuitMess também oferece o VibeBoy, um ambiente que utiliza inteligência artificial para ajudar nesse processo. A ideia é descrever em linguagem comum aquilo que você quer criar, receber o código correspondente e transferi-lo para o telefone. Depois, o usuário pode analisar e modificar o resultado ou partir diretamente para Python e C++.
O aparelho já vem acompanhado de mais de dez jogos retrô, além de funções como contatos, histórico de chamadas, alarmes, notas, calendário, música e gerenciamento de arquivos.
O celular também pode ganhar novos componentes
A CircuitMess pretende ir além do hardware básico com um sistema de módulos de expansão. Um pacote adicional inclui seis opções: câmera, alto-falante maior, lanterna, sensor de temperatura e umidade, emissor infravermelho e uma placa perfurada para que o usuário crie seus próprios circuitos.
Os módulos são conectados por meio do sistema UMAX e podem ser identificados automaticamente pelo telefone, que disponibiliza os recursos correspondentes no menu.
Existe ainda o MAKERband, um relógio inteligente baseado no ESP32-C3, também com arquitetura RISC-V. Ele pode ser pareado ao telefone ou a dispositivos Android e iOS para mostrar notificações, controlar músicas, funcionar como disparador remoto da câmera e executar pequenos jogos.

Um projeto para aprender fazendo
O valor do MAKERphone 2.0 está em devolver ao usuário uma parte do controle que normalmente desaparece quando compramos um aparelho pronto. Em vez de abrir a caixa e simplesmente começar a usar, a proposta é montar, entender, programar e expandir. Isso torna o dispositivo especialmente interessante para educação, makers e para quem quer transformar um telefone em um ponto de partida para aprender eletrônica e programação.
O projeto está em campanha no Kickstarter e já ultrapassou com folga a meta de financiamento. Segundo a campanha, o hardware final já existe e o software está em fase final de testes. O objetivo do financiamento é viabilizar a produção em escala.
Infelizmente, para quem mora no Brasil, quem quiser aprender com o MAKERphone 2.0 precisará lidar com taxas e custos extras elevados. Mas há projetos nacionais com propostas similares. Um deles é o videogame Lupi, cujo criador nós conversamos no Diocast!




