Imagine só: você compra um console portátil, faz uma análise honesta no YouTube e, de repente, a polícia invade sua casa, confisca seus equipamentos e ainda ameaça te prender. Essa é a realidade do youtuber italiano Francesco Salicini, conhecido como Once Were Nerd, que agora enfrenta um processo criminal por… resenhar consoles Android com jogos de emuladores pré-instalados.
Pois é, na Itália, a Guardia di Finanza (a polícia financeira do país) decidiu que analisar dispositivos como Anbernic, Powkiddy e Trimui — aqueles portáteis que vêm cheios de ROMs de jogos clássicos é equivalente a promover pirataria. E o pior? Francesco pode pegar de 6 meses a 3 anos de prisão se for condenado.
O que exatamente ele fez de “errado”?
Francesco, assim como centenas de outros YouTubers no mundo, faz reviews desses consoles, focando principalmente no hardware e na experiência de uso. Ele nunca vendeu os aparelhos, nem distribuiu ROMs ilegais. Apenas falou sobre produtos que qualquer um pode comprar na Amazon ou no AliExpress.
Mas, segundo a acusação, ele violou o Artigo 171 da Lei de Direitos Autorais italiana, uma legislação de 1941 (sim, da época mais controversa do país) que criminaliza a “divulgação de material protegido”. Ou seja, só por mostrar os jogos pré-instalados nos consoles, ele está sendo tratado como um criminoso perigoso.
O caso levanta questões importantes:
- Por que só na Itália? YouTubers do mundo todo fazem reviews desses consoles sem problemas;
- Quem está por trás da denúncia? A lei italiana protege o anonimato do denunciante, mas suspeita-se que alguma grande empresa de jogos (talvez alguma cujo nome começa com um grande N) possa estar envolvida;
- Por que tanta força? Seis policiais foram até a casa de Francesco, reviraram seus pertences e até confiscaram seu celular por dois meses, atrapalhando seu trabalho.
Francesco, que já enfrentou terremotos, pandemia e burocracias estatais, agora vê seu canal — construído com anos de trabalho — ameaçado de ser totalmente apagado antes mesmo do julgamento.
Se um youtuber pode ser criminalizado por analisar um produto disponível ao público, qual é o limite?
Enquanto isso, Francesco já criou um segundo canal e avisa outros criadores italianos: “Cuidado, a Justiça pode bater na sua porta a qualquer momento.”
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