O mercado de plataformas de comunicação para equipes costuma ser dominado por serviços centralizados, como Slack, Microsoft Teams e Discord. Embora ofereçam uma experiência bastante completa, essas soluções normalmente exigem que empresas e comunidades armazenem suas conversas na infraestrutura dos próprios fornecedores.
O Chatto tem uma proposta diferente: entregar uma plataforma moderna de comunicação que qualquer pessoa pode hospedar em seu próprio servidor. Após cerca de um ano de desenvolvimento, o projeto acaba de se tornar open source e está disponível gratuitamente para auto-hospedagem.
Implantação simplificada
Um dos principais diferenciais do Chatto está na facilidade de instalação. Enquanto diversas alternativas auto-hospedadas dependem de bancos de dados, proxies, containers e vários serviços auxiliares, o Chatto pode ser iniciado por meio de um único executável.
O próprio servidor também fornece a interface web, permitindo que os usuários acessem a plataforma diretamente pelo navegador sem a necessidade de componentes adicionais. Para ambientes mais complexos, o projeto também oferece suporte a implantações com Docker Compose e outras ferramentas de orquestração, mas essa configuração é opcional.
O Chatto disponibiliza binários para Linux nas arquiteturas x86_64 e ARM64, além de versões para Windows e macOS.

Apesar da proposta enxuta, o conjunto de funcionalidades acompanha o que se espera de uma plataforma de colaboração atual. O Chatto oferece canais de texto, compartilhamento de arquivos, reações em mensagens, incorporação de vídeos, gerenciamento de permissões, chamadas de voz, videoconferências e compartilhamento de tela.
As chamadas recebem atenção especial em relação à privacidade. Voz e vídeo utilizam criptografia de ponta a ponta, enquanto o número máximo de participantes depende exclusivamente da capacidade do servidor utilizado, sem limitações artificiais impostas pelo software.
Privacidade como prioridade
A proteção dos dados é um dos pilares do projeto. As informações pessoais dos usuários e o conteúdo das conversas permanecem criptografados no servidor utilizando chaves individuais. Caso uma conta seja removida, sua chave correspondente pode ser destruída, tornando os dados armazenados inacessíveis.
Outro diferencial é a ausência de mecanismos de rastreamento ou coleta de dados por terceiros. Como toda a infraestrutura permanece sob responsabilidade do administrador da instância, empresas e organizações mantêm controle sobre onde suas informações são armazenadas, característica importante para ambientes que precisam atender requisitos internos de segurança ou conformidade.
Servidores independentes
Diferentemente de projetos federados, o Chatto trata cada servidor como uma comunidade independente. Não existe sincronização automática entre diferentes instâncias.
Usuários que participam de várias comunidades simplesmente se conectam diretamente a cada servidor, enquanto administradores podem executar múltiplas instâncias para manter ambientes completamente separados.
Próximos passos do projeto
Atualmente o Chatto está na versão 0.4. Embora o desenvolvedor considere o software estável para uso em produção, ainda podem ocorrer mudanças incompatíveis até a chegada da versão 1.0, prevista para os próximos seis a doze meses.
A atualização 0.5 deverá concentrar esforços em ferramentas de moderação, denúncias de conteúdo e melhorias na experiência para quem utiliza vários servidores simultaneamente.
Além da edição auto-hospedada, o desenvolvedor prepara o lançamento do Chatto Cloud, um serviço de hospedagem gerenciada para oferecer apenas a infraestrutura, mantendo todos os recursos disponíveis também para quem optar por hospedar o próprio servidor. O serviço promete atualizações sem interrupção, backups automáticos e infraestrutura inicialmente localizada na Europa, preservando a compatibilidade total entre servidores hospedados na nuvem e instalações próprias.
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