A EA Games está sendo adquirida por US$ 55 bilhões
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A EA Games está sendo adquirida por US$ 55 bilhões

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A indústria de games testemunhou nesta segunda-feira (29/09) um dos maiores acordos de sua história. A Electronic Arts (EA), uma das mais icônicas publicadoras de jogos do mundo, dona de franquias como EA FC (antiga FIFA), The Sims e Battlefield, será adquirida por um consórcio de investidores por impressionantes US$ 55 bilhões – o maior buyout (aquisição alavancada) da história.

O grupo de compradores é formado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), pela gestora Silver Lake e pela Affinity Partners, empresa do genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner. A transação, totalmente em dinheiro, ocasionou uma valorização de 25% sobre o valor de mercado anterior da empresa, com acionistas recebendo US$ 210 por ação.

Um novo capítulo para uma lenda dos games

Fundada em 1982 por Trip Hawkins, ex-funcionário da Apple, a EA tornou-se pública em 1989, quando suas ações fecharam o primeiro dia de negociação a US$ 0,52 (ajustado por splits). Agora, 36 anos depois, a empresa encerra sua trajetória na bolsa de valores em um acordo que supera em valor o recorde anterior de buyout – os US$ 32 bilhões pagos pela TXU em 2007.

Para Andrew Wilson, CEO da EA que permanecerá no comando, o acordo representa uma “poderosa validação” do trabalho da empresa. “Nossas equipes criativas e apaixonadas na EA entregaram experiências extraordinárias para centenas de milhões de fãs”, declarou Wilson, acrescentando que a parceria permitirá “criar experiências transformadoras para inspirar as gerações futuras”.

O consórcio investirá aproximadamente US$ 36 bilhões em capital próprio, com os restantes US$ 20 bilhões sendo financiados por dívida assumida junto ao JPMorgan. O PIF, que já detinha 9,9% da EA, fará a conversão dessa participação no novo negócio.

Especialistas veem a movimentação como parte de uma estratégia mais ampla da Arábia Saudita para se estabelecer como potência global no setor de games. “O PIF tem sido um player muito ativo no mercado de videogames desde 2022”, observou Andrew Marok, da Raymond James. O fundo soberano já controla a Savvy Games Group e possui participações relevantes em outras gigantes como Nintendo, Take-Two e Embracer.

Impactos e preocupações

A transação posiciona-se como a segunda maior aquisição da história dos games, ficando atrás apenas da compra da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 69 bilhões em 2023. No entanto, diferentemente do acordo da Microsoft, que enfrentou intenso escrutínio regulatório, espera-se que esta operação tenha caminho mais livre, especialmente considerando as conexões políticas envolvidas.

Christopher Dring, especialista do setor, expressou preocupação com o nível de endividamento do acordo. “Há muita ansiedade na indústria em relação a este acordo”, comentou ao BBC. “A receita gerada por jogos grandes como EA Sports FC, Madden e Battlefield 6 será necessária para servir essa dívida, o que pode impactar a capacidade da EA de investir em novos jogos”.

Outra questão levantada refere-se à possibilidade de novos cortes de custos na empresa, já que os fundos de adquirentes tradicionalmente buscam maximizar retornos financeiros em prazos mais curtos.

A aquisição consolida a Arábia Saudita como uma força dominante na indústria global de entretenimento interativo. Apenas este ano, o PIF já havia adquirido a divisão de games da Niantic (controladora de Pokémon Go) por US$ 3,5 bilhões e a Scopely (dona de Monopoly Go) por US$ 4,9 bilhões em 2023.

O país também vem se posicionando como hub global de esports, sediando torneios importantes como o eSports World Cup e sendo escolhida para hospedar os Jogos Olímpicos de esports planejados para 2027.

O que esperar para o futuro da EA?

Com a saída da bolsa em uma transição para empresa privada, a EA ganha flexibilidade para reestruturar operações sem a pressão trimestral do mercado de ações. Isso pode ser particularmente valioso considerando que as receitas anuais da empresa permaneceram estagnadas entre US$ 7,4 e US$ 7,6 bilhões nos últimos três anos fiscais.

Alguns analistas, como Mike Hickey da The Benchmark Company, questionam se o preço de US$ 210 por ação realmente reflete o valor potencial da empresa. “Com o Battlefield 6 prestes a ser lançado e um pipeline que poderia adicionar mais de US$ 2 bilhões até 2028, o verdadeiro poder de ganhos da EA está apenas começando a emergir”, argumentou.

O acordo, previsto para ser concluído no primeiro trimestre de 2027, ainda depende de aprovações regulatórias e dos acionistas da EA. Se concretizado, marcará não apenas o fim de uma era para uma das mais tradicionais empresas de games, mas também um significativo realinhamento de poder em uma indústria que movimenta bilhões anualmente.

Para os jogadores, a grande questão é se essa mudança trará inovações e experiências mais ricas ou se o foco em retorno financeiro acabará por comprometer a já decrescente qualidade dos jogos que fizeram da EA uma lenda dos games.

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