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O salto histórico do Linux Mint 27, KDE Plasma 6.8 e mais

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O Diolinux News desta semana é um daqueles episódios imperdíveis, recheado de novidades em praticamente todas as frentes do mundo open source. Tivemos uma virada histórica de posicionamento no Linux Mint, a celebração de três décadas da comunidade KDE com o lançamento do Plasma 6.8, a chegada oficial do Ubuntu 26.10 apostando em inteligência artificial local, um tropeço no cronograma do Fedora e muito mais. Vamos às notícias!

Ubuntu 26.10 chegou com IA local

A Canonical oficializou o lançamento do Ubuntu 26.10, marcando a primeira versão semestral do sistema após a última LTS. Por se tratar de um lançamento intermediário, com suporte oficial garantido por 9 meses, esta é justamente a janela onde os desenvolvedores aproveitam para testar ideias arrojadas e mudanças estruturais no sistema.

O principal chamariz desta edição é a estreia da primeira ferramenta de inteligência artificial nativa do ecossistema Ubuntu: o Projeto Myna. Trata-se de uma tecnologia de ditado inteligente (speech-to-text), capaz de capturar o áudio do seu microfone e convertê-lo instantaneamente em texto em qualquer aplicativo ou campo de formulário do sistema.

O grande diferencial do Myna está na privacidade: o processamento é realizado por um modelo leve que roda 100% localmente no seu computador, sem enviar nenhum fragmento da sua voz para servidores remotos na nuvem. Vale reforçar que a Canonical não impõe o uso da ferramenta: o recurso fica inativo por padrão, só atua quando você decide acioná-lo manualmente e pode ser desinstalado ou desabilitado permanentemente se você não tiver interesse em IA.

Nos bastidores do terminal, o Ubuntu 26.10 conclui a esperada transição para utilitários escritos em Rust. O pacote Rust Coreutils agora assume o comando definitivo do sistema, de modo que binários clássicos como `cp`, `mv`, `rm` e `ls` deixaram para trás suas implementações antigas em C em prol de alternativas seguras contra falhas de corrupção de memória.

Para quem utiliza a edição principal com desktop padrão, o sistema traz o GNOME 51, focado em otimizações substanciais no compositor Mutter e fluidez nas animações. Todas as flavours oficiais do Ubuntu 26.10 já contam com o Kernel Linux 7.3 e a pilha gráfica Mesa 26.2, embora a variante Kubuntu venha com o Plasma 6.7, já que o congelamento de pacotes impediu a inclusão da novíssima versão 6.8 a tempo.

A ISO final do sistema já está disponível para download diretamente no site oficial da Canonical.

KDE Plasma 6.8 celebra 30 anos

Se o Kubuntu não chegou a tempo de embarcar o ambiente mais recente, a comunidade do KDE teve motivos de sobra para comemorar. No dia 14 de outubro, aniversário de 30 anos de fundação do projeto, a equipe liberou o KDE Plasma 6.8.

Área de trabalho do KDE Plasma 6.8 exibindo janelas abertas e o tema comemorativo de 30 anos
Figura 1: O KDE Plasma 6.8 comemora três décadas de software livre combinando refinamento visual com inovações sob o capô / Fonte: [KDE Community](https://kde.org/pt-br/announcements/plasma/6/6.8.0/)

A versão de aniversário vai muito além da celebração histórica, trazendo um pacote robusto de recursos que facilitam o dia a dia de quem busca produtividade e controle.

Um dos maiores beneficiados foi o Monitor do Sistema: agora, você pode gerenciar a afinidade de CPU de qualquer tarefa diretamente pela interface gráfica, atribuindo processos que exigem processamento pesado a núcleos específicos do seu processador. Para quem joga ou trabalha com renderização, a ferramenta também passou a exibir a ocupação da memória da placa de vídeo (VRAM) de forma simples e intuitiva, expressa diretamente em porcentagem.

Monitor do Sistema do KDE Plasma 6.8 com recurso de afinidade de CPU para tarefas pesadas
Figura 2: Novo Monitor do Sistema permite restringir processos a núcleos específicos do processador e exibe o consumo de VRAM em porcentagem / Fonte: [KDE Community](https://kde.org/pt-br/announcements/plasma/6/6.8.0/)

Outro setor que deu um salto de qualidade foi a experiência de Área de Trabalho Remota (RDP) nativa do Plasma. Ela agora conta com um algoritmo adaptativo de latência para conexões lentas, suporte à sincronização bidirecional de área de transferência e o aguardado modo exclusivo, que bloqueia a tela física do computador servidor e oferece ao cliente conectado uma tela virtual espelhada fielmente à sua resolução.

Na parte de criação de conteúdo, o utilitário de capturas Spectacle agora permite gravar a tela capturando simultaneamente o áudio interno do sistema e o som do seu microfone. Isso significa que você pode gravar tutoriais narrados completos diretamente pelo Spectacle, dispensando a instalação de aplicativos mais complexos como o OBS Studio para gravações simples.

Por fim, o compositor KWin recebeu um refinamento estético muito bem-vindo: agora é possível aplicar sombras profundas, contornos suaves e cantos arredondados de maneira consistente inclusive em janelas que não oferecem suporte nativo a decorações do sistema operacional, como é o caso notório do cliente Steam.

Janela do cliente Steam no KDE Plasma 6.8 com sombras e cantos arredondados aplicados pelo KWin
Figura 3: O KWin agora aplica sombras, contornos e cantos arredondados elegantes até em aplicativos de terceiros sem suporte nativo, como a Steam / Fonte: [KDE Community](https://kde.org/pt-br/announcements/plasma/6/6.8.0/)

O Plasma 6.8 já está disponível em código aberto e começará a chegar progressivamente aos repositórios dos usuários nas distribuições que acompanham os pacotes mais recentes, como Arch Linux, openSUSE Tumbleweed e Fedora.

Linux Mint muda regras do jogo: salto para a versão 27 e app de alarmes

A equipe liderada por Clement Lefebvre pegou todo mundo de surpresa no mais recente relatório mensal de desenvolvimento do Linux Mint. O projeto decidiu quebrar múltiplos paradigmas estabelecidos há quase duas décadas para priorizar a qualidade técnica das suas entregas.

Historicamente, o Mint seguia um ritmo semestral: quando a base Ubuntu mudava, o número principal avançava, e as atualizações seguintes com a mesma base tornavam-se versões fracionadas de point release (como 22.1, 22.2 e 22.3). Como o projeto passará a adotar um ciclo anual de desenvolvimento, essa nomenclatura foi totalmente abandonada.

Em vez de seguir para um hipotético “Linux Mint 23”, a versão com lançamento previsto para o Natal deste ano dará um salto direto para o Linux Mint 27, alinhando o número do sistema diretamente com o ano seguinte (2027). A partir de então, os lançamentos seguintes avançarão ano a ano com números inteiros (28, 29, 30).

A tradição de codinomes também passou por uma reformulação. Desde 2006, o Linux Mint sempre utilizou nomes femininos organizados em ordem alfabética. Tendo alcançado a letra Z na versão recente Zena, a equipe decidiu reiniciar o alfabeto, mas agora adotando nomes masculinos. A estreia dessa nova fase acontecerá sob o codinome “Adrien”.

Tela inicial do novo aplicativo Clocks do Linux Mint exibindo opções de despertador
Figura 4: O aplicativo Clocks traz uma interface limpa inspirada no Android e gerenciamento eficiente de alarmes no Linux Mint / Fonte: [The Linux Mint Blog](https://blog.linuxmint.com/?p=5086)

No lado dos aplicativos, a grande novidade é o anúncio do Clocks, o novo utilitário de gerenciamento de alarmes e temporizadores desenvolvido sob o guarda-chuva do projeto Clockenstein. Claramente inspirado na usabilidade do Android, o aplicativo foi desenhado para ser intuitivo e extremamente prático.

Configuração de alarme e repetições no aplicativo Clocks
Figura 5: O Clocks permite configurar alarmes recorrentes e alertas sonoros que disparam pontualmente mesmo com a janela fechada / Fonte: [The Linux Mint Blog](https://blog.linuxmint.com/?p=5086)

O Clocks permite configurar múltiplos alarmes com repetições programadas e toques sonoros personalizados. O grande trunfo da integração está no daemon em segundo plano do Clockenstein: as notificações e os alertas sonoros funcionam pontualmente mesmo se a janela do aplicativo estiver totalmente fechada.

O Linux Mint 27 “Adrien” será construído sobre a sólida base do Ubuntu 26.04 LTS e estará disponível nas suas três tradicionais edições de interface: Cinnamon, Xfce e MATE. Para aguçar ainda mais a curiosidade da comunidade, Clem revelou que a equipe está finalizando outros três projetos inéditos chamados Superlight, Unfold e Velocitty, cujos detalhes serão revelados no próximo mês.

Fedora 45 sofre adiamento de uma semana

Nem todas as notícias da semana foram motivos de comemoração. Quem estava na expectativa de conferir a versão final do Fedora 45 no dia 20 de outubro precisará ter um pouco mais de paciência: o lançamento foi adiado em pelo menos uma semana.

Atrasos em lançamentos de novas versões do Fedora estão longe de ser uma novidade, mas desta vez o motivo não decorreu de falhas ou bugs críticos no software. O impedimento foi puramente processual e logístico: a infraestrutura de compilação da distribuição (o ambiente Koji) sofreu gargalos de processamento que impediram a consolidação e a publicação do Release Candidate dentro da janela estipulada para os testes de homologação.

Diante do cenário, o conselho de engenharia e a equipe de garantia de qualidade (QA) optaram com responsabilidade por declarar status “NO-GO”, garantindo que a versão só chegue às mãos do público quando estiver devidamente validada.

A nova previsão de lançamento aponta para o dia 27 de outubro, existindo ainda uma janela de contingência que pode se estender até o início de novembro caso surjam imprevistos adicionais na infraestrutura.

Diocast debate o polêmico projeto Artcraft

Você já imaginou ter uma suíte open source completa com o objetivo explícito de recriar todos os aplicativos da Adobe no Linux com o auxílio de inteligência artificial? Esse é exatamente o propósito do projeto Artcraft, uma das iniciativas mais comentadas e debatidas pela comunidade de tecnologia nas últimas semanas.

No mais recente episódio do Diocast, Dio e Eddie se reuniram para analisar a fundo o que é o Artcraft, até onde essas ferramentas conseguem entregar recursos reais para profissionais de design e audiovisual e qual o impacto que esse tipo de movimentação pode causar no mercado tradicional de softwares proprietários.

O episódio completo já está disponível em vídeo no canal Diolinux Labs e no Spotify, além de estar acessível em versão de áudio em qualquer agregador pelo endereço diocast.com.br.

Drops

Steam para Linux finalmente é atualizada para 64 bits

O cliente Steam no Linux carregava uma herança histórica: grande parte dos seus binários principais ainda operava em arquitetura de 32 bits. Essa dependência de bibliotecas antigas, contudo, está oficialmente com os dias contados.

Na atualização lançada no canal beta no dia 15 de outubro, a Valve migrou o cliente para 64 bits nativo e implementou a execução do aplicativo diretamente dentro do container Steam Runtime. O objetivo da mudança é garantir que o cliente se comporte de forma totalmente padronizada e imune a inconsistências entre diferentes distribuições Linux, do mesmo modo que os jogos da biblioteca já rodam há tempos. Como a novidade ainda se encontra em testes no beta, o lançamento estável deve ocorrer nas próximas semanas.

Epic Games Store chega ao Linux e prepara terreno para o Fortnite

Depois de anos de promessas e rumores, a Epic Games Store deu seus primeiros passos oficiais no ecossistema do pinguim ao disponibilizar uma versão preview nativa do seu inicializador. Por meio dele, os jogadores já podem gerenciar seus títulos e baixar jogos no Linux, com o cliente aplicando camadas de compatibilidade automaticamente para os títulos desenvolvidos originalmente para Windows.

Junto a esse lançamento, a Epic confirmou que está desenvolvendo em parceria com grandes distribuições a versão 2 do Easy Anti-Cheat (EAC), integrando recursos modernos de segurança como Secure Boot, TPM 2.0 e módulos do kernel para viabilizar a chegada oficial do Fortnite ao Linux. Embora o Steam Deck tenha ficado de fora desta etapa inicial por particularidades do SteamOS, as negociações entre a Epic e a Valve seguem abertas para o futuro.

Jogo da semana: Festival “Vem Aí” da Steam traz centenas de demos gratuitas

Para fechar a semana de novidades com chave de ouro, a nossa recomendação gamer não é apenas um único jogo em desconto, mas sim uma oportunidade imperdível de abastecer a sua lista de desejos.

Está no ar o festival Steam Vem Aí (Steam Next Fest), um dos eventos mais aguardados da plataforma da Valve. Durante o evento, centenas de estúdios independentes e grandes desenvolvedoras liberam versões de demonstração gratuitas de títulos que serão lançados nos próximos meses. Você pode filtrar por gêneros, de simuladores a RPGs de ação, jogar as demonstrações diretamente no seu PC ou Steam Deck e decidir com calma em quais apostar quando o lançamento oficial chegar.


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Sobre o Autor
Redator, além de estudante de engenharia e computação.
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