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KDE vive polêmica com IA e Holanda testa Linux no governo

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Bem-vindo a mais um Diolinux News! Depois de uma semana de pausa, estamos de volta com novidades que vão do Peppermint OS trocando o Xorg pelo XLibre, passam pela polêmica envolvendo inteligência artificial dentro do KDE e chegam até a Holanda testando uma alternativa baseada em Linux para substituir o Windows nos computadores do governo. E tem muito mais, então prepara a pipoca, a bebida e vem conferir as notícias!

Peppermint OS está trocando o Xorg pelo XLibre

Enquanto boa parte do ecossistema Linux caminha em direção ao Wayland, o Peppermint OS decidiu seguir por um caminho um pouco diferente. A distribuição está testando a substituição do Xorg pelo XLibre, uma alternativa que nasceu justamente a partir do código do servidor gráfico tradicional do Linux.

O XLibre tem como proposta continuar o desenvolvimento do Xorg, modernizando partes do código, corrigindo problemas de segurança e limpando componentes considerados ultrapassados. A ideia é funcionar como um substituto direto do xorg-server, mantendo a compatibilidade com o software existente.

Para quem usa o Peppermint OS, portanto, a mudança deve ser praticamente invisível. A interface gráfica continuará sendo a mesma e os aplicativos não precisam ser adaptados simplesmente porque o servidor gráfico mudou. A intenção é justamente preservar essa compatibilidade enquanto o projeto trabalha na evolução do código.

A decisão também mostra uma característica interessante do ecossistema Linux. O Wayland vem ganhando espaço e já é a opção padrão em uma quantidade cada vez maior de distribuições e ambientes gráficos, mas isso não significa que todos os projetos precisem seguir exatamente o mesmo caminho ou no mesmo ritmo.

No caso do Peppermint, a migração para o XLibre ainda está em fase de testes e não existe, por enquanto, uma data definida para que a mudança chegue de forma ampla aos usuários. Ainda será preciso acompanhar como a alternativa se comporta antes de saber se ela realmente será adotada como padrão.

KDE se envolve em uma grande discussão sobre inteligência artificial

A relação entre projetos de código aberto e inteligência artificial continua rendendo discussões, e desta vez quem entrou no meio da confusão foi o KDE.

Tudo começou com uma reclamação de um desenvolvedor sobre a quantidade de merge requests contendo aquilo que a comunidade costuma chamar de AI slop, ou seja, contribuições produzidas com auxílio de ferramentas de IA sem o cuidado necessário por parte de quem as envia.

A partir daí, surgiu a ideia de estabelecer orientações mais claras sobre o uso de inteligência artificial no desenvolvimento do KDE. Inicialmente, a iniciativa parecia estar caminhando de maneira relativamente tranquila, com a comunidade discutindo o que seria aceitável e quais práticas poderiam prejudicar o processo de desenvolvimento.

A situação mudou quando foi descoberta uma apresentação aprovada para a Akademy 2026, evento anual do KDE, chamada “A Kind and Sovereign AI-Native KDE”, algo como “Um KDE amável e soberano nativo de IA”, em tradução livre.

A existência da apresentação acabou reacendendo a discussão sobre qual deveria ser a posição do projeto diante da tecnologia. A partir daí, o debate deixou de ser somente sobre como utilizar ferramentas de IA no desenvolvimento e passou a envolver questões muito mais amplas sobre os impactos da tecnologia.

Um segundo rascunho das orientações chegou a ser criado, mas a discussão rapidamente saiu do campo técnico. Usuários começaram a discutir a própria moralidade do uso de inteligência artificial e, em determinado momento, a situação chegou a níveis completamente inadequados para uma discussão comunitária, incluindo exposição de informações pessoais e até ameaças de morte.

No fim, toda a confusão não produziu uma conclusão definitiva. Até o momento, o KDE continua sem uma política oficial aprovada sobre o uso de IA no desenvolvimento, enquanto a comunidade segue tentando encontrar uma maneira de discutir o assunto sem transformar a questão em uma guerra interna.

Holanda testa Linux como alternativa ao Windows

De tempos em tempos, noticiamos sobre algum país europeu estudando maneiras de reduzir sua dependência do Windows e de outros softwares proprietários. Agora é a vez da Holanda, que está testando uma infraestrutura baseada em Linux para utilização no setor público.

A proposta é criar um ambiente de trabalho padronizado chamado DAWO, sigla em holandês para “Ambiente de Trabalho Digital Autônomo do Governo”. A ideia é construir uma plataforma que reúna sistema operacional, ferramentas de escritório, colaboração, serviços em nuvem e gerenciamento dos dispositivos utilizados pelos órgãos públicos.

Um detalhe particularmente interessante é que a base escolhida para esse ambiente é o NixOS, uma distribuição conhecida por seu modelo declarativo de configuração e por permitir que a estrutura do sistema seja reproduzida de maneira bastante controlada.

Por enquanto, o projeto está em uma fase inicial. Os primeiros testes estão sendo realizados em pequena escala por órgãos públicos de oito municípios, portanto ainda existe bastante caminho até que seja possível falar em uma substituição efetiva do Windows e do Microsoft 365.

A expectativa é que os testes avancem ao longo dos próximos meses e que uma eventual adoção mais ampla possa acontecer a partir de 2027. Por enquanto, não existe um cronograma definitivo para abandonar as soluções da Microsoft em todo o governo holandês.

Diocast: conheça um console 100% brasileiro

E falando em projetos nacionais, você sabia que existe um console brasileiro desenvolvido do zero e com código aberto?

O Lupi Console é um projeto criado por Luiz Gustavo Lino que busca oferecer uma alternativa acessível e totalmente desenvolvida no Brasil. Nós conversamos com o próprio criador no episódio mais recente do Diocast, para entender como o projeto surgiu, quais são suas propostas e todos os detalhes por trás desse aparelho.

Meta apresenta seu “Tamagotchi de IA”

Se você sempre pensou que faltava um dispositivo dedicado para conversar com um agente de inteligência artificial, a Meta parece ter uma resposta para você.

A empresa anunciou o Muse Charm, um pequeno dispositivo que rapidamente passou a ser comparado a uma espécie de “Tamagotchi de IA”. A proposta é permitir que o usuário converse com o agente Muse sem precisar pegar o celular.

O aparelho conta com uma pequena tela e utiliza um sensor de impressão digital para identificar o usuário antes de iniciar a interação. Segundo Mark Zuckerberg, a ideia é fazer dele uma maneira rápida de conversar com o Muse e mostrar ao agente o que está acontecendo ao redor.

Essa última parte deixa uma dúvida interessante sobre o hardware. A descrição sugere que o dispositivo poderá observar o ambiente para responder perguntas sobre aquilo que o usuário está vendo, o que provavelmente exigiria algum tipo de câmera. A Meta, entretanto, ainda não revelou todos os detalhes do produto.

O Muse Charm também não está disponível comercialmente neste momento. A previsão da empresa é que ele chegue ao mercado em dezembro.

Agora resta descobrir se esse Tamagotchi de IA vai encontrar um público ou se será apenas mais um daqueles dispositivos que pareciam uma boa ideia em uma reunião de produto.

Microsoft abandona bloqueio a “Microslop” e aposenta selo Copilot+ PC

Lembra quando comentamos por aqui que a Microsoft estava bloqueando a palavra “Microslop” no servidor do Discord do Copilot? Pois aparentemente a empresa cansou da batalha.

O termo estava bloqueado desde março deste ano, e usuários que tentavam utilizá-lo recebiam uma mensagem de moderação. O problema é que, como qualquer pessoa que já passou alguns minutos na internet poderia imaginar, isso acabou estimulando a comunidade a procurar maneiras alternativas de escrever a palavra.

Vieram números no lugar de letras, variações no termo e outras tentativas de contornar a moderação. A situação chegou ao ponto de contas serem bloqueadas e o servidor acumular tantas restrições que a experiência de participação acabou ficando bastante prejudicada.

Agora, cerca de seis meses depois, a Microsoft aparentemente removeu silenciosamente o bloqueio. Ou seja, quem quiser chamar a empresa de Microslop no servidor do Copilot aparentemente está liberado para fazê-lo.

E essa não foi a única mudança discreta da empresa. A Microsoft também deixou de utilizar o selo Copilot+ PC em seus novos computadores.

A marca havia sido criada para identificar máquinas compatíveis com determinados recursos de inteligência artificial executados localmente, mas até mesmo novos dispositivos Surface passaram a aparecer sem o selo.

Isso não significa que os recursos desapareceram ou que os computadores deixaram de ser compatíveis. A Microsoft continua lançando máquinas com hardware capaz de executar essas funções, apenas sem destacar a compatibilidade com o antigo selinho Copilot+ PC.

Drops

Ubuntu finalmente reformula sua Wiki

A Wiki do Ubuntu existe desde 2004 e acumulou, ao longo dos anos, uma quantidade enorme de documentação sobre a distribuição e suas diferentes versões. O problema é que a plataforma estava começando a mostrar a idade.

Isso mudou com uma reformulação que levou a Wiki para o MediaWiki, plataforma bastante conhecida por quem já navegou ou colaborou com a Wikipédia.

Além de um visual mais moderno, a nova estrutura oferece ferramentas de edição mais adequadas para quem mantém documentação e facilita a navegação entre os conteúdos. A nova Wiki já está disponível para consulta.

GNOME vai permitir escolher o terminal padrão

Por algum motivo, o GNOME permite escolher navegador, cliente de e-mail e outros aplicativos padrão, mas não oferece uma opção equivalente para definir qual terminal deve ser aberto como padrão.

Isso pode estar prestes a mudar.

Um desenvolvedor do projeto revelou que está trabalhando justamente nessa possibilidade, que deverá aparecer nas configurações do ambiente. A iniciativa conta com apoio do Sovereign Tech Fund e, se tudo correr como esperado, poderá finalmente permitir que o usuário escolha seu terminal preferido sem precisar recorrer a configurações externas.

Promoção da semana

E para fechar o episódio, a promoção desta semana é de um jogo que eu terminei recentemente e recomendo demais: Hades 2.

Na sequência do premiado Hades, você controla Melinoe, princesa do Submundo, em uma nova tentativa de enfrentar Cronos, o Titã do Tempo. A estrutura continua baseada no gênero roguelite, então cada tentativa apresenta novas combinações de habilidades, armas e melhorias, permitindo que você avance cada vez mais nas próximas partidas.

Hades 2 está com 30% de desconto no Steam, saindo por R$ 62, e roda no Linux através do Proton, a camada de compatibilidade da Valve. No ProtonDB, o jogo possui classificação Platinum, indicando uma experiência muito próxima da esperada no Windows.

Até a próxima!

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