Uma mudança discreta no código do Chromium pode abrir caminho para uma opção que muitos usuários de Linux gostariam de ter: uma versão oficial do navegador distribuída como Flatpak. Ainda não há garantia de que isso vá resultar em um pacote oficial, mas o projeto já deu um primeiro passo nessa direção.
Chromium começa a experimentar com Flatpak
O código-fonte do Chromium recebeu o suporte experimental para a criação de um pacote Flatpak. A alteração já foi incorporada ao projeto e adiciona uma nova estrutura dentro dos scripts responsáveis pelo instalador Linux.
Por enquanto, entretanto, não existe um Flatpak oficial disponível para instalação. O recurso está desativado por padrão e depende de uma opção de compilação chamada enable_flatpak.
Quando ativada, ela permite que o sistema de compilação do Chromium produza uma versão preparada para o formato Flatpak, deixando de lado componentes específicos dos tradicionais pacotes DEB e RPM que não são necessários nesse modelo de distribuição.
Segundo Tom Anderson, responsável pela alteração, a ideia é experimentar o uso do Flatpak para obter um sandbox mais controlado e testar uma integração diferente entre o navegador e o ambiente de desktop por meio do sistema de permissões da tecnologia.
O próprio desenvolvedor, porém, deixa claro que a mudança não representa um compromisso do Chromium em lançar oficialmente um Flatpak.
Uma alternativa aos pacotes tradicionais
Atualmente, quem deseja utilizar o Chromium como Flatpak no Linux depende principalmente de pacotes mantidos pela comunidade. Existe uma versão disponível no Flathub, além do ungoogled-chromium, uma variante que remove componentes relacionados ao ecossistema do Google.
A versão comunitária do Chromium no Flathub já apresenta uma adoção considerável, com uma média superior a 27 mil downloads mensais. Um pacote mantido diretamente pelos desenvolvedores do Chromium poderia, portanto, simplificar a manutenção e oferecer maior previsibilidade para os usuários.
Isso porque questões como permissões do sandbox, atualizações e integração com o desktop passariam a ser tratadas pelo próprio projeto, em vez de depender exclusivamente de mantenedores externos.
A alteração também chama atenção por já contemplar identificadores de aplicativo tanto para o Chromium, org.chromium.Chromium, quanto para o Google Chrome, com.google.Chrome. Isso não significa que um Chrome em Flatpak esteja a caminho, mas indica que a infraestrutura criada poderia ser utilizada para os dois navegadores.
Flatpak não é uma solução perfeita
Um eventual pacote oficial também não eliminaria algumas das desvantagens do Flatpak. Aplicativos distribuídos nesse formato podem ocupar mais espaço em disco por carregarem bibliotecas que, em pacotes tradicionais, poderiam ser compartilhadas com outros programas do sistema.
O sandbox também impõe restrições ao acesso a arquivos, dispositivos e outros recursos do computador. Embora isso possa aumentar o isolamento do aplicativo, determinadas funções podem exigir permissões adicionais.
Ainda assim, a possibilidade de ter um Chromium oficialmente empacotado como Flatpak seria mais uma alternativa para os usuários Linux, ao lado dos formatos DEB e RPM.
Por enquanto, portanto, é melhor não tratar a novidade como o anúncio de um Flatpak oficial. O que existe é um experimento incorporado ao código do Chromium. Se a iniciativa avançar, porém, ela poderá representar uma mudança interessante na distribuição de um dos navegadores mais importantes do ecossistema Linux.
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