Os jogos já não são mais uma curiosidade dentro do ecossistema Linux. Graças ao trabalho da Valve com o Proton, ao crescimento do Steam Deck e ao amadurecimento dos drivers gráficos, jogar no sistema do pinguim se tornou uma realidade para milhões de usuários.
Mas, em meio a tantas distribuições focadas em games, temos uma pergunta recorrente: existe realmente uma distro Linux melhor para jogar?
Linux ultrapassa 4,5% dos usuários do Steam
Os dados mais recentes do Hardware Survey da Valve mostram que o Linux alcançou cerca de 4,5% dos usuários da plataforma. O número pode variar de um mês para outro, mas representa uma participação cada vez mais relevante dentro do mercado de jogos para PC.
É importante lembrar que a pesquisa do Steam não representa todos os jogadores de Linux. Usuários que não utilizam a plataforma, que optam por não compartilhar dados ou que jogam em outras lojas ficam fora da estatística. Ainda assim, trata-se da fonte mais abrangente que temos para acompanhar a evolução do Linux nos games.
Ao mesmo tempo, o macOS continua perdendo espaço nesse cenário. Apesar dos esforços recentes da Apple para atrair desenvolvedores, a remoção do suporte a aplicativos 32 bits e a dependência da App Store para muitos lançamentos reduziram significativamente a biblioteca disponível para jogadores da plataforma.
Distribuições gamer ou distribuições comuns?
Nos últimos anos surgiram diversas distribuições voltadas especificamente para jogos, como o Bazzite, Nobara, CachyOS, Regata OS e Garuda Linux. A proposta dessas distribuições é entregar uma experiência pronta para jogar, com Steam, Proton, drivers, codecs e ferramentas de otimização já configurados.
Porém, isso não significa que elas sejam obrigatórias para quem deseja jogar no Linux. A maior parte dos jogos roda da mesma forma em distribuições tradicionais como Ubuntu, Fedora, Debian, Linux Mint ou openSUSE. Em muitos casos, a diferença está mais na conveniência do que no desempenho. Para muitos usuários, uma distribuição gamer apenas economiza tempo de configuração inicial.
A maioria dos jogadores provavelmente não vai notar diferença
Uma discussão comum nas comunidades Linux envolve comparações de desempenho entre distribuições. Alguns testes mostram ganhos ou perdas de poucos quadros por segundo na maioria dos casos, dependendo da configuração utilizada.
Para entusiastas que buscam extrair cada frame possível do hardware, essas diferenças podem ser relevantes. Porém, para a maioria das pessoas, a experiência prática costuma ser praticamente idêntica. Se o jogo está rodando de forma fluida, acima dos 60 FPS e sem travamentos, poucos jogadores perceberão uma diferença de dois ou três quadros por segundo entre uma distribuição e outra.
Por isso, muitas vezes faz mais sentido escolher uma distro com a qual você já está familiarizado do que migrar apenas por promessas de desempenho.
O hardware ainda faz mais diferença que a distribuição
Quando surgem problemas de compatibilidade, frequentemente a causa não está no Linux em si, mas no suporte oferecido pelos fabricantes.
Usuários de placas mais antigas da NVIDIA e AMD podem enfrentar dificuldades devido ao estado dos drivers disponíveis. Em alguns casos, jogos recentes deixam de funcionar corretamente não por limitações da distribuição utilizada, mas porque o hardware já não recebe o mesmo nível de atenção dos fabricantes.
Além disso, o mercado de jogos para PC como um todo tem exigido cada vez mais recursos. Títulos modernos frequentemente recomendam 16 GB ou até 32 GB de memória RAM, além de placas de vídeo relativamente recentes.
Esse cenário afeta usuários de Windows e Linux da mesma forma.
Hoje existe uma opção para cada perfil
Talvez a principal vantagem do cenário atual seja a variedade de escolhas. Quem deseja uma experiência semelhante a um console pode optar por distribuições como Bazzite ou até mesmo adquirir dispositivos dedicados, como o Steam Deck.
Quem prefere um computador mais versátil pode utilizar uma distribuição tradicional e simplesmente instalar o Steam.
Também existem soluções de streaming local, como o Steam Link, permitindo jogar em tablets, notebooks ou outros dispositivos utilizando o computador principal como servidor. No fim das contas, a melhor plataforma para jogar continua sendo aquela que atende às suas necessidades.
Se você joga títulos competitivos que dependem de sistemas anti-cheat incompatíveis com Linux, talvez o Windows ainda seja a escolha mais prática. Se sua biblioteca é composta principalmente por jogos compatíveis com Proton, o Linux pode oferecer uma experiência excelente. E se o seu foco são alguns títulos específicos disponíveis para macOS, essa também pode ser uma opção válida.
Felizmente, diferente de alguns anos atrás, o Linux deixou de ser apenas uma alternativa experimental para jogos. Hoje ele já faz parte da conversa principal quando o assunto é gaming no PC.
Este artigo é um corte do Diocast. Assista ao episódio completo onde conversamos sobre o estado atual do Linux gamer, sobre como Linux roda jogos hoje em comparação com alguns anos atrás, sobre a diferença entre compatibilidade técnica e experiência prática, sobre como o discurso da comunidade mudou nos últimos anos, e também sobre o quanto o Steam Deck acabou alterando completamente a percepção do mercado sobre jogos no Linux.



