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Testamos o novo launcher da Epic Games no Linux

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O ecossistema Linux consolidou-se em definitivo como uma plataforma para jogos eletrônicos nos últimos anos. Muito desse sucesso deve-se ao trabalho pioneiro da Valve com a camada de compatibilidade Proton e com o sucesso de vendas do Steam Deck. No entanto, em meio a essa expansão, uma das maiores lojas digitais de jogos do planeta mantinha uma postura historicamente distante do sistema do pinguim: a Epic Games.

Embora projetos comunitários notáveis, como o Heroic Games Launcher, tenham assumido com maestria o papel de permitir o acesso às bibliotecas da Epic no Linux, a desenvolvedora do Unreal Engine nunca havia disponibilizado um cliente próprio e oficial para o sistema operacional. Esse cenário começou a mudar com o anúncio público de uma versão inteiramente reconstruída do inicializador da empresa, trazendo compilação oficial para Linux (ao lado de versões para Windows e macOS) e sinalizando o aguardado suporte ao fenômeno Fortnite.

Uma reconstrução ágil

A apresentação da nova versão foi realizada através de um comunicado oficial no blog da empresa. No texto de introdução, a equipe da Epic Games adota um tom bem-humorado ao afirmar que “programar é difícil” e que o novo inicializador foi construído no formato vibe coding com o auxílio de inteligência artificial generativa para entregar uma aplicação muito mais enxuta, rápida e responsiva que o cliente tradicional.

Comunicado oficial no blog da Epic Games Store anunciando a versão Preview do novo inicializador
Figura 1: Postagem oficial anuncia a nova arquitetura do cliente da Epic Games Store / Diolinux

Como se trata de uma edição preliminar, o software foca estritamente nas funções primordiais de um cliente de jogos: navegar pela loja, pesquisar títulos no catálogo, realizar compras com carrinho integrado e acessar a biblioteca para baixar e executar jogos. Recursos secundários mais complexos do launcher clássico foram temporariamente omitidos para priorizar estabilidade e agilidade de carregamento.

Nos testes comparativos de inicialização a frio (tempo cronometrado desde o clique inicial no executável até o carregamento completo da vitrine da loja), a Epic afirma que o novo launcher atinge a marca de 5,47 segundos, em comparação aos 10,07 segundos exigidos pelo cliente do Steam. Esse ganho de aproximadamente 46%, embora a comparação possa não ser tão justa, pela diferença de funcionalidades entre os dois.

Fortnite e o Easy Anti-Cheat Linux v2: adeus aos drivers invasivos de kernel

Além da chegada do inicializador ao Linux, o detalhe mais impactante do comunicado reside na confirmação de que a Epic Games está trabalhando ativamente para viabilizar o Fortnite no sistema operacional. Historicamente, a ausência do jogo no ecossistema sempre foi atribuída pelo CEO Tim Sweeney a preocupações de segurança com trapaças em distribuições Linux customizáveis.

A solução encontrada pela engenharia da Epic consiste na reformulação completa da sua tecnologia anti-trapaça, chamada de Easy Anti-Cheat Linux v2 (EAC v2). Conforme detalhado em artigos técnicos da empresa, a nova versão do EAC no ecossistema aberto abandona a abordagem tradicional de drivers invasivos operando em nível de anel zero (ring-0 / kernel mode).

Em vez disso, a Epic Games está colaborando diretamente com mantenedores das principais distribuições Linux para explorar opções modernas já presentes no ecossistema:

  • *Módulos de Inicialização Segura (Secure Boot):* Garantem que componentes não autorizados não sejam injetados no estágio de boot do computador;
  • Criptografia via TPM 2.0: Vincula a integridade do sistema operacional e do cliente de jogos a hardware criptográfico dedicado na placa-mãe;
  • Kernels assinados criptograficamente: Asseguram que os binários centrais do sistema permaneçam inalterados por ferramentas externas de trapaça.

Embora o Fortnite ainda não esteja liberado para partidas online no momento presente do Preview, a criação de uma arquitetura segura sem a necessidade de um rootkit anti-cheat estabelece um precedente fundamental não apenas para o battle royale da Epic, mas para diversos outros jogos competitivos multiplayer que hoje ainda barram o ecossistema Linux.

Requisitos de sistema e empacotamento universal via AppImage

Para assegurar compatibilidade imediata entre a ampla fragmentação de distribuições, a Epic Games optou por distribuir o novo launcher oficial no Linux através do formato AppImage. Dessa forma, basta acessar a página oficial de download do Epic Games Launcher, baixar o arquivo executável, conceder permissão de execução nas propriedades e abri-lo diretamente, sem exigir repositórios externos adicionais.

Tabela comparativa com os requisitos mínimos oficiais de hardware e sistemas operacionais suportados
Figura 2: Requisitos oficiais de sistema divulgados pela Epic Games para Linux, Windows e macOS / Diolinux

A página de download lista os seguintes requisitos oficiais recomendados no ecossistema Linux:

EspecificaçãoRequisito Oficial Epic Games
Distribuições SuportadasUbuntu 22.04 LTS (ou superior), Fedora 43 (ou superior) e Debian 12 (ou superior)
Arquitetura e Processador64-bit (x86_64), processador dual-core de 2.0 GHz ou mais rápido
Memória RAMMínimo de 4 GB
Armazenamento Livre2 GB de espaço em disco para a instalação base
ConexãoConexão ativa com a internet para login, download e recursos online

O fato de a documentação citar distribuições de referência não restringe o funcionamento em sistemas derivados (como Linux Mint, Pop!_OS ou Manjaro), mas delimita os ambientes nos quais a equipe de suporte e engenharia da Epic realiza testes.

Primeiro contato e visão geral da interface

Ao executar o AppImage pela primeira vez, o aplicativo realiza a checagem de integridade e efetua o download automático de eventuais patches de atualização (durante nossos testes, a aplicação inicializou na versão preliminar 0.95.2). O processo de autenticação direciona o usuário para o navegador web padrão do sistema para concluir o login com credenciais ou autenticação em dois fatores, retornando em seguida à interface do launcher.

Painel de configurações do novo inicializador da Epic Games destacando opções gerais de personalização
Figura 3: Menu de configurações gerais com opções de abas iniciais, inicialização e nuvem / Diolinux

O menu de preferências do inicializador revela:

  • Geral: Permite escolher qual seção deve carregar na inicialização (Loja, Biblioteca ou Desenvolvimento), alternar idioma, habilitar salvamentos automáticos em nuvem e ativar relatórios de depuração detalhados;
  • Navegação: Permite simplificar a barra superior ocultando legendas textuais ou alternar a exibição entre perfis de uso voltados a “Jogadores” ou “Desenvolvedores” (este último dando acesso a ferramentas voltadas à Unreal Engine);
  • Integração de Bibliotecas: Inclui funcionalidades preliminares capazes de identificar jogos instalados através do Steam na mesma máquina, facilitando a visualização centralizada de catálogos locais;
  • Gerenciador de Downloads: Oferece limitadores manuais de largura de banda (em Mbps ou MB/s), agendamento de horários para atualizações em segundo plano e opções automáticas para verificação de integridade dos arquivos após instalações.

Jogando títulos de Windows no Linux: camada Proton automatizada

A maior surpresa positiva do aplicativo no Linux envolve o suporte a jogos desenvolvidos originalmente apenas para o ecossistema Windows. O cliente oficial incorpora uma camada de compatibilidade baseada no Proton, sem exigir qualquer configuração por parte do usuário.

Ao mandar instalar um jogo nativo de Windows (como o título de ação e aventura Tunche), a aplicação apresenta os requisitos de download e espaço final exigido no sistema de arquivos.

Janela de detalhes e preparação para download de títulos na biblioteca da Epic Games
Figura 4: Painel de detalhes do título indicando tamanho do instalador e espaço final em disco / Diolinux

No instante em que o usuário clica para iniciar o jogo pela primeira vez, o inicializador abre uma janela informativa de “Configuração única”. Nela, o launcher avisa que precisa baixar componentes adicionais para permitir a execução de softwares do Windows no Linux, realizando o download da camada de compatibilidade (um pacote em torno de 490 MB) sem demandar configurações manuais.

Janela de configuração única realizando o download automático da camada de compatibilidade
Figura 5: Instalação automática da camada de compatibilidade para títulos de Windows no Linux / Diolinux

Concluída essa etapa inicial, o jogo é executado diretamente na tela com mapeamento completo de controladores e som, dispensando intervenções técnicas por parte do jogador.

O status do Fortnite na biblioteca e limitações da versão Preview

A versão Preview ainda evidencia arestas típicas de um estágio inicial de desenvolvimento. Durante os testes, foi possível notar falhas pontuais de conexão em certificados TLS secundários da interface (que deixam quadros laterais temporariamente em cinza sem carregar trailers e capturas da loja), além da indisponibilidade temporária de mídias em páginas de certos jogos.

Página do Fortnite na biblioteca do novo inicializador indicando a presença do jogo no catálogo
Figura 6: Visualização do Fortnite dentro da biblioteca oficial no Linux / Diolinux

No caso específico do Fortnite Battle Royale, o jogo já pode ser localizado e até mesmo baixado. Todavia, a entrada em partidas continua bloqueada nos servidores até que a implementação final da camada Easy Anti-Cheat v2 seja liberada de forma estável pela Epic Games em conjunto com as distros parceiras.

Outra limitação é a ausência de um menu para alternar ou selecionar versões customizadas de compatibilidade (como o amplamente utilizado Proton GE). No momento, o aplicativo oficial adota uma versão fechada e padronizada do Proton gerenciada internamente pela Epic, o que pode dificultar a correção de erros visuais em títulos específicos.

Vale a pena abandonar o Heroic Games Launcher agora?

Para o dia a dia atual dos jogadores, o Heroic Games Launcher continua sendo uma ferramenta superior e indispensável. O cliente comunitário não só oferece suporte unificado às bibliotecas da Epic Games, GOG e Amazon Prime Gaming em um único lugar, como também entrega mais controle e flexibilidade para o usuário, como diferentes versões de Wine/Proton, sincronização flexível de saves, ferramentas de overlay (como o MangoHud) e otimizações refinadas que a versão oficial ainda levará meses para amadurecer.

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Sobre o Autor
Redator, além de estudante de engenharia e computação.
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