Seja bem-vindo a mais um Diolinux News! Nesta edição, vamos falar sobre as mudanças que o GIMP está preparando para o futuro, incluindo um novo formato de arquivo para substituir gradualmente algumas limitações do tradicional XCF. Também tem novidades para quem acompanha o KDE Plasma, uma situação curiosa envolvendo o JustWatch e o Google, além de outras notícias do universo Linux, open source e tecnologia. E isso é só o começo.
GIMP prepara um novo formato de arquivo para projetos
Isso não acontece com tanta frequência, mas, de vez em quando, aparece alguma novidade realmente interessante sobre o desenvolvimento do GIMP. E dessa vez temos uma mudança que acompanha o programa praticamente desde o começo de sua história.
A próxima grande atualização do GIMP, a versão 3.4, deve introduzir um novo formato de arquivo para projetos. Desde 1997, o formato padrão utilizado pelo GIMP é o XCF. Ele acompanhou o aplicativo durante praticamente toda a sua trajetória e, durante muito tempo, cumpriu bem o seu papel.
Só que o fluxo de trabalho de muitos usuários mudou. Imagens maiores, mais camadas, mais recursos de edição não destrutiva e fluxos de trabalho cada vez mais complexos começaram a expor algumas limitações da estrutura atual. Por isso, os desenvolvedores decidiram preparar uma mudança bastante significativa.
O novo formato deve utilizar uma estrutura baseada em XML compactado em um arquivo ZIP. E uma das principais vantagens dessa abordagem está na maneira como o GIMP poderá salvar os projetos.
Hoje, dependendo da alteração realizada, salvar um arquivo pode exigir que uma quantidade considerável de informações seja regravada. Com o novo formato, a ideia é que apenas as partes modificadas do projeto precisem ser atualizadas.
Além de potencialmente tornar o processo mais eficiente, isso abre caminho para algo que muitos usuários provavelmente gostariam de ver há bastante tempo: um sistema de salvamento automático. Ainda não significa que o recurso necessariamente estará disponível já no GIMP 3.4, mas a nova estrutura foi pensada de forma a tornar esse tipo de funcionalidade possível no futuro. De todo modo, o suporte ao XCF continuará existindo.
Edição não destrutiva continua recebendo atenção
Outra área que deve receber melhorias importantes é a edição não destrutiva. Esse é um dos focos do GIMP 3 desde o início do desenvolvimento da nova geração do aplicativo. A ideia é permitir que determinadas alterações possam ser aplicadas sem modificar permanentemente os pixels originais da imagem.
Na versão 3.4, por exemplo, será possível aplicar filtros de maneira não destrutiva também em máscaras de camada. A ferramenta de gradiente também deverá ganhar suporte a esse tipo de edição.
Compatibilidade com Photoshop e PDFs também melhora
O GIMP 3.4 também deve trazer melhorias para quem precisa trabalhar com arquivos produzidos em outros programas. A compatibilidade com PSD, o formato utilizado pelo Adobe Photoshop, receberá aperfeiçoamentos.
Outra novidade interessante é a possibilidade de editar normalmente textos presentes em arquivos PDF.
Windows e macOS terão integração mais natural
Quem utiliza o GIMP no Windows ou no macOS também deve perceber uma melhoria bastante prática. O programa finalmente passará a utilizar os seletores de arquivos nativos desses sistemas. Ao abrir ou salvar um arquivo, a interface utilizada será mais integrada ao ambiente em que o usuário está trabalhando.
KDE Plasma 6.6 ganha, inesperadamente, o selo de LTS
E falando em mudanças de planos, parece que o KDE também resolveu nos entregar um pequeno plot twist. Desde 2025, o projeto KDE deixou de lançar versões oficialmente classificadas como LTS, ou seja, de suporte de longo prazo.
Segundo os desenvolvedores, poucas distribuições realmente utilizavam essas versões específicas do Plasma. O Kubuntu era praticamente o principal projeto apostando nesse modelo. Além disso, o suporte estendido não cobria todo o ecossistema KDE. Alguns componentes importantes continuavam fora da promessa de manutenção prolongada.
A solução encontrada foi abandonar as versões LTS e aumentar o período de manutenção das versões normais, que passou de quatro para seis meses. Só que agora temos uma exceção: O KDE Plasma 6.6 será considerado uma versão de longo prazo. Mas isso não significa exatamente que o projeto voltou atrás em toda a decisão anterior.
Kubuntu Focus está financiando o suporte prolongado
A mudança acontece graças ao financiamento de uma iniciativa chamada Bullet-proof KDE Initiative, apoiada pelo Kubuntu Focus. Os recursos estão sendo direcionados para a Techpaladin Software, responsável pelo desenvolvimento e manutenção de correções relacionadas ao Kubuntu 26.04.
A diferença é que, desta vez, o suporte de longo prazo não ficará restrito apenas ao ambiente gráfico. Além do Plasma 6.6, o KDE Frameworks 6.24 e o KDE Gear 25.12, componentes que fazem parte da base do Kubuntu 26.04, também receberão suporte prolongado.
Isso torna essa iniciativa bem mais interessante. Para quem gosta do KDE Plasma, uma das dificuldades das versões LTS anteriores era justamente a ideia de que apenas uma parte do ecossistema recebia suporte estendido.
Agora, pelo menos nesse caso específico, a proposta é manter um conjunto maior de componentes. Então, para quem gosta do Plasma e prefere uma distribuição com um ciclo de manutenção mais longo, o Kubuntu 26.04 promete ser uma opção bastante interessante.
Diocast: por que um hardware funciona no Windows, mas não no Linux?
E já que estamos falando de sistemas operacionais, vamos para uma situação que provavelmente muita gente que usa Linux já enfrentou. Você instala uma distribuição, tudo parece funcionar perfeitamente, mas aí descobre que algum componente específico do computador simplesmente não funciona.
Pode ser o Wi-Fi, Bluetooth ou a placa de vídeo. Pode ser algum periférico completamente aleatório que você nem imaginava que poderia causar problema. E o pior é que, quando você reinicia no Windows, tudo está funcionando perfeitamente.
No episódio mais recente do Diocast, o Eddie e o Psygreg conversaram justamente sobre esse tipo de situação e sobre como entender e resolver problemas de compatibilidade de hardware no Linux.
O episódio já está disponível em vídeo no Diolinux Labs e também no Spotify. E, para quem prefere apenas ouvir, é só procurar por Diocast na sua plataforma de podcasts favorita. Confira todos os links!
JustWatch acusa Google de remover o site das buscas no Brasil
Se você já procurou no Google onde assistir a uma série ou filme, provavelmente já encontrou o JustWatch em algum momento. O serviço se tornou uma das principais ferramentas para descobrir em qual plataforma determinado conteúdo está disponível.
Porque, convenhamos, descobrir em qual dos trocentos serviços de streaming diferentes está aquela série que você quer assistir nem sempre é uma tarefa simples. Só que, aparentemente, encontrar o JustWatch pelo Google ficou muito mais difícil no Brasil.
A empresa afirma que seu domínio foi removido dos resultados da busca brasileira por conta de uma ordem judicial. Segundo as informações divulgadas, a situação afetou uma das principais fontes de descoberta do serviço no país.
O JustWatch afirma que a remoção representa uma perda de aproximadamente 80% do tráfego brasileiro. E estamos falando de uma plataforma que, segundo a própria empresa, recebe em média cerca de dois milhões de usuários por mês no Brasil.
Enquanto tenta reverter a situação, a empresa criou um novo endereço, o br.justwatch.com, para voltar a aparecer nos resultados de busca.
Google paga US$ 10 milhões por dados da Spirit para treinar IA
E essa não é a única notícia envolvendo o Google. Nos Estados Unidos, a empresa desembolsou US$ 10 milhões para adquirir um conjunto gigantesco de dados pertencentes à Spirit, companhia aérea que faliu recentemente.
E adivinha para que esses dados devem ser utilizados? Claro: treinamento de modelos de inteligência artificial.
O pacote adquirido inclui mais de 100 milhões de e-mails corporativos e mais de 500 milhões de mensagens trocadas através do Microsoft Teams.
Também fazem parte do material agendas, auditorias financeiras, campanhas de marketing e diversos outros documentos relacionados à operação da companhia.
A compra ainda inclui cerca de 30 milhões de linhas de código, além de metadados de desenvolvimento, modelos, algoritmos, dados de receita, métricas relacionadas à operação das aeronaves e relatórios de produtividade e recursos humanos.
Uma quantidade considerável de informação, mas existem limitações importantes. O contrato proíbe a transferência de informações pessoais de passageiros e clientes. Por isso, aproximadamente 97,5 milhões de perfis de passageiros e outros 50 milhões de registros relacionados ao programa de fidelidade ficaram fora da negociação.
A intenção do Google seria utilizar essas informações para ajudar seus modelos de IA em tarefas consideradas mais complexas, especialmente aquelas relacionadas ao funcionamento de empresas e processos executivos.
Agora, existe uma pequena ironia em treinar uma inteligência artificial para ser melhor em tarefas executivas utilizando os dados internos de uma empresa que acabou falindo.
Drops
GeForce NOW ganha Flatpak oficial e suporte ao Firefox
Se você tem um computador mais modesto e depende de serviços de streaming para jogar, temos algumas novidades interessantes. O GeForce NOW, serviço de jogos em nuvem da NVIDIA, agora possui uma versão oficial distribuída em Flatpak.
Com isso, usuários de praticamente qualquer distribuição Linux com suporte à tecnologia poderão instalar uma versão oficial do serviço sem depender de soluções alternativas. É uma notícia particularmente interessante para quem utiliza distribuições que não possuem pacotes específicos para determinadas aplicações ou prefere manter programas isolados do restante do sistema.
Mas e se você prefere simplesmente abrir o navegador e jogar? Também temos novidade.
O GeForce NOW passou a funcionar no Firefox. Oficialmente, porém, o suporte anunciado inicialmente é direcionado ao Firefox no Windows. Segundo um engenheiro da Mozilla, a funcionalidade também está operando no Linux, mas o suporte oficial para a plataforma deve chegar posteriormente.
Então, se você gosta de fazer tudo pelo navegador, talvez valha a pena testar.
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