Mojo se torna totalmente open source após lançamento da versão 1.0
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Mojo se torna totalmente open source após lançamento da versão 1.0

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A Modular deu mais um passo importante no desenvolvimento do Mojo. Apenas alguns dias depois de apresentar a versão 1.0 da linguagem, a empresa liberou o código-fonte do compilador e das ferramentas de desenvolvimento, completando a abertura do projeto.

Para entender a importância da mudança, porém, vale voltar um pouco. O Mojo é uma linguagem de programação criada pela Modular visando combinar a facilidade de uso associada ao Python com recursos de desempenho encontrados em linguagens como C++ e Rust.

A linguagem foi projetada especialmente para aplicações de computação de alto desempenho, incluindo inteligência artificial, GPUs e outros aceleradores. A ideia é permitir que desenvolvedores trabalhem em diferentes níveis de abstração sem precisar abandonar a produtividade normalmente associada ao Python.

Uma linguagem inspirada no Python

O Mojo utiliza uma sintaxe familiar para quem já conhece Python, mas adiciona recursos voltados para situações nas quais o desempenho e o controle sobre o hardware são importantes. Isso inclui mecanismos de gerenciamento de memória, programação genérica e recursos destinados à execução eficiente de código em diferentes tipos de hardware.

A Modular também utiliza o Mojo dentro de sua própria plataforma de computação, especialmente em kernels voltados para inteligência artificial e aceleradores. O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de quatro anos com participação da comunidade, mas havia uma peça importante que continuava fechada: o compilador. Agora isso mudou.

Compilador e ferramentas chegam ao código aberto

O código-fonte do compilador, das ferramentas e dos demais componentes necessários para construir o Mojo está disponível no repositório principal da Modular no GitHub.

A abertura acontece poucos dias depois do Mojo 1.0, lançamento que estabeleceu a primeira versão estável da linguagem. Entre as novidades estavam a estabilidade do código-fonte, suporte a lambdas no estilo Python, melhorias no Language Server Protocol e verificações adicionais de segurança de memória.

A Modular já havia liberado anteriormente a biblioteca padrão do Mojo, ferramentas de desenvolvimento e centenas de milhares de linhas de código relacionadas aos kernels da plataforma. O compilador era, portanto, uma das últimas grandes partes ainda mantidas em código fechado.

É possível compilar o Mojo localmente

O projeto utiliza o Bazel para administrar o processo de compilação. Depois de clonar o repositório da Modular, o compilador pode ser construído com:

./bazelw run --config=build-mojo KGEN:mojo -- run hello.mojo

A opção build-mojo instrui o sistema a construir o compilador e a biblioteca padrão a partir do código disponível localmente. Quem não pretende modificar o compilador pode utilizar --config=prebuilt-mojo, que baixa uma versão pré-compilada do compilador.

Apache 2.0, mas contribuições ainda não

O Mojo foi publicado sob a licença Apache 2.0 com exceções do LLVM, uma licença permissiva que permite utilizar e distribuir o código em diferentes projetos, inclusive comerciais. A abertura, entretanto, ainda tem uma ressalva. A Modular não está aceitando contribuições externas para o compilador e as ferramentas neste momento.

A empresa afirma que pretende abrir esse processo até o fim de 2026. A biblioteca padrão, por outro lado, já recebe contribuições da comunidade desde 2024. Com a mudança, o Mojo passa a ter uma cadeia de desenvolvimento muito mais transparente, justamente no momento em que sua primeira versão estável acaba de ser lançada.

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