Linus Tech Tips voltou a testar Linux. Desta vez, o desafio foi outro
Quando o Linus Tech Tips resolveu dar mais uma chance ao Linux, muita gente ficou curiosa para saber se a experiência seria diferente daquela que ficou famosa anos atrás, quando pequenos tropeços renderam uma enorme discussão sobre a experiência de novos usuários no sistema.
Desta vez, a proposta não era simplesmente instalar uma distribuição Linux e usá-la no dia a dia. O desafio consistia em cumprir uma série de tarefas comuns dentro de um tempo limitado, sem recorrer ao Windows ou a máquinas virtuais para escapar dos problemas.
A ideia chamou a atenção da comunidade Diolinux. Em uma discussão no fórum, surgiu uma sugestão interessante: e se alguém com muitos anos de experiência em Linux tentasse exatamente os mesmos desafios? A proposta foi aceita.
Depois de mais de 15 anos utilizando Linux diariamente, seria fácil imaginar que todas as tarefas seriam concluídas sem qualquer dificuldade. Mas a informática costuma ser mais democrática do que parece. Experiência ajuda bastante, mas não substitui a prática. Existem inúmeras funções que simplesmente não fazem parte da rotina de todo usuário, independentemente do tempo de uso. Foi justamente isso que tornou o experimento interessante.
O desafio
As regras eram simples: resolver cada atividade em até 15 minutos, utilizando apenas Linux. Entre as tarefas estavam:
- Adicionar ou remover programas da inicialização automática;
- Gravar um vídeo no celular e transferi-lo para o computador sem usar serviços de nuvem;
- Editar esse vídeo e exportá-lo;
- Salvar o arquivo diretamente em um servidor na rede;
- Acessar remotamente outro computador;
- Executar um jogo protegido por anticheat compatível;
- Formatar um pendrive em FAT32.
Nenhuma delas é particularmente complexa isoladamente. Porém, quando existe um cronômetro correndo, qualquer pequeno detalhe pode se transformar em um obstáculo inesperado.
Algumas tarefas são mais simples do que parecem
O gerenciamento de programas que iniciam junto com o sistema foi resolvido rapidamente através das configurações do KDE Plasma. Em interfaces modernas, esse tipo de configuração normalmente está disponível de forma gráfica, sem necessidade de recorrer ao terminal.
Já a transferência do vídeo gravado no celular foi feita utilizando o LocalSend, um aplicativo multiplataforma bastante popular entre usuários Linux.
Como toda a comunicação acontece pela rede local, não há necessidade de enviar arquivos para serviços de armazenamento na nuvem. Basta que ambos os dispositivos estejam conectados à mesma rede para que a transferência aconteça em poucos segundos.
Esse tipo de ferramenta demonstra como o ecossistema Linux passou a oferecer soluções bastante maduras para necessidades do cotidiano.

Editar vídeos no Linux já deixou de ser novidade
Outra tarefa envolvia editar rapidamente o vídeo recém-gravado. A escolha foi o Kdenlive, editor de vídeo open source que acompanha muitos usuários Linux há anos. O desafio consistia apenas em remover um trecho do vídeo e exportar o resultado, algo realizado sem grandes dificuldades.
Aproveitando a oportunidade, o arquivo final foi salvo diretamente em um servidor de arquivos da rede, cumprindo duas etapas do desafio ao mesmo tempo. Hoje, seja utilizando o Kdenlive, o DaVinci Resolve ou outros editores disponíveis para Linux, a edição de vídeo deixou de ser uma limitação para a maioria dos criadores de conteúdo.

O maior problema veio justamente onde menos se esperava
Curiosamente, a tarefa que mais consumiu tempo não envolvia edição de vídeo nem jogos. O acesso remoto acabou sendo o maior obstáculo. Inicialmente, a ideia era utilizar um cliente VNC no Android para acessar o computador Linux. Entretanto, incompatibilidades entre aplicativos acabaram impedindo a conexão.
Depois de várias tentativas, ficou evidente que o problema não estava no servidor VNC do Linux, mas sim no cliente utilizado no celular. Ao repetir o teste utilizando outro computador, a conexão funcionou normalmente.
Em seguida, outra alternativa entrou em cena: a combinação entre Sunshine e Moonlight, hoje bastante utilizada para streaming remoto e até para jogos. Após alguns ajustes, tudo voltou a funcionar, mas o tempo limite já havia passado.
Esse foi um exemplo clássico de um problema que qualquer usuário pode enfrentar, independentemente do sistema operacional utilizado. Nem sempre o erro está na plataforma principal; muitas vezes ele aparece justamente em um aplicativo de terceiros.

Jogos continuam evoluindo
Outro desafio consistia em executar um jogo protegido por sistemas anticheat. Embora ainda existam soluções incompatíveis com Linux, principalmente aquelas que dependem de componentes em nível de kernel, muitos títulos baseados no Easy Anti-Cheat já oferecem suporte oficial por meio do Proton.
O jogo escolhido foi Albion Online, que iniciou normalmente. Isso ilustra uma mudança significativa nos últimos anos. A compatibilidade de jogos no Linux evoluiu rapidamente graças ao trabalho da Valve com o Proton e à colaboração de diversas desenvolvedoras. Ainda existem exceções importantes, mas a lista de jogos compatíveis cresce continuamente.

Até uma tarefa simples pode gerar dúvidas
O último desafio envolvia apenas formatar um pendrive em FAT32. A operação foi realizada pelo gerenciador de partições do KDE, embora uma pequena diferença de nomenclatura tenha causado certa confusão.
Enquanto uma ferramenta exibia “FAT32”, outra mostrava “VFAT”. De toda forma, tratava-se exatamente do mesmo sistema de arquivos.

O Linux mudou, mas os desafios também
Ao final da experiência, ficou evidente que boa parte das tarefas foi resolvida rapidamente. O único contratempo realmente relevante foi o acesso remoto, justamente uma funcionalidade que não faz parte da rotina diária de muitos usuários.
A experiência também mostra uma diferença importante em relação ao famoso primeiro desafio do Linus Tech Tips. Naquela época, grande parte das dificuldades estava relacionada à maturidade do próprio ecossistema Linux.
Hoje, muitas dessas barreiras praticamente desapareceram. Ferramentas para compartilhamento de arquivos, edição de vídeo, jogos, gerenciamento do sistema e integração entre dispositivos evoluíram bastante.
Ao mesmo tempo, o desafio deixa uma lição interessante: conhecer um sistema operacional por muitos anos não significa dominar absolutamente todas as suas ferramentas.
Assim como acontece no Windows ou no macOS, existem recursos que simplesmente não fazem parte do uso cotidiano. Quando eles aparecem pela primeira vez, até usuários experientes precisam pesquisar, testar alternativas e, às vezes, errar algumas vezes antes de encontrar a solução.
Talvez essa seja justamente a maior demonstração da maturidade atual do Linux: hoje, na maioria das situações, os desafios já não estão no sistema operacional em si, mas nas tarefas específicas que cada usuário escolhe realizar.
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