Há alguns anos, conseguir um PC ou laptop de ponta no Brasil era uma verdadeira missão. Quem desejava algo mais avançado precisava contar com aquele amigo que viajava para os Estados Unidos e trazia o equipamento na mala. Por aqui, o que encontrávamos eram geralmente versões defasadas ou modelos básicos, longe do que o mercado internacional oferecia. Essa realidade, felizmente, está mudando, mesmo que lentamente.
Desafios históricos e produção local
Em nossa conversa com representantes da AMD, nos foi revelado que um dos maiores entraves para a diversificação de produtos no Brasil sempre foi a produção local. Como explicado no episódio, fabricantes precisam fazer escolhas difíceis devido aos impostos e à complexidade logística. Isso limita o portfólio disponível para o consumidor brasileiro, que acaba tendo acesso a um mix menor comparado a outros países da América Latina. Ainda assim, a situação melhorou significativamente: hoje temos opções mais variadas e tecnologicamente avançadas, embora com um certo delay em relação ao lançamento global.
Enquanto o mercado de componentes baseados em tecolgia AMD, como placas de vídeo e processadores tem um share maior e mais estabilidade, o canal de laptops precisou ser reativado após seis anos fora do Brasil. A estratégia incluiu parcerias com fabricantes e um trabalho intenso de marketing para reposicionar a marca. Hoje, há uma sinergia clara entre os dois segmentos: o usuário que monta seu PC com componentes AMD muitas vezes também busca laptops da marca para mobilidade e produtividade.
Um dos temas mais quentes é a chegada dos laptops com NPU (Unidade de Processamento Neural), como os equipamentos com processadores Ryzen AI. Inicialmente, esses dispositivos eram importados e tinham preços proibitivos. Hoje, marcas como Asus, Acer e Lenovo já possuem modelos montados no Brasil com essa tecnologia, tornando-a mais acessível. A expectativa é que, até o final do ano, novos lançamentos, incluindo a linha Ryzen AI 300, cheguem ao mercado para “brigar” por espaço e conquistar usuários que buscam essa inovação.
A NPU pode ser um game-changer para dispositivos móveis. Enquanto em desktops a combinação de um processador Ryzen com uma placa de vídeo da série RX 7000 já garante capacidade robusta para IA, nos laptops a integração da NPU permite eficiência energética e desempenho otimizados para recursos como o Copilot+ da Microsoft.
Acessibilidade e conscientização do mercado
O brasileiro está descobrindo o potencial da IA. Seja em aplicativos de banco, ferramentas de trabalho ou criatividade, a tecnologia já está presente no dia a dia. O desafio agora é democratizar o acesso, e as empresas estão trabalhando para oferecer produtos nacionais com preços mais competitivos. Apesar das dificuldades fiscais e logísticas, a indústria se esforça para trazer inovação com desempenho, eficiência energética e, claro, valor para o consumidor.
O mercado brasileiro de tecnologia percorreu um longo caminho desde os tempos em que dependíamos de “muambas” trazidas dos EUA até a era dos laptops com IA fabricados localmente. Ainda há desafios, mas a colaboração entre fabricantes, varejo e comunidade está pavimentando um futuro mais inclusivo e tecnologicamente avançado. Para saber mais sobre essa conversa fascinante, confira o episódio completo do Diocast!




