A Linux Foundation (LF) consagrou-se como a principal casa global para projetos de código aberto, fornecendo um terreno neutro onde empresas concorrentes colaboram em desafios tecnológicos comuns. Desde a nuvem à inteligência artificial, a sua missão é fomentar a inovação colectiva. O lançamento da Linux Foundation India (LF India) marca um capítulo estratégico nesta missão, destinado a aproximar a inovação local da colaboração global.
Em entrevista exclusiva ao portal It’sFoss, Arpit Joshipura, líder da LF India, detalhou como a organização está impulsionando a transformação digital do país e a expandir o ecossistema de código aberto.
Transformação digital acelerada
A Índia implementou políticas de e-governança que explicitamente determinam a utilização de código aberto na sua Infraestrutura Pública Digital (DPI). A LF India posiciona-se como um catalisador nesta estratégia.
Segundo Joshipura, a fundação permite “a inovação local e a colaboração global em infraestruturas críticas”, abrangendo áreas como finanças, telecomunicações, blockchain, segurança, cloud e IoT. A presença local da equipe é fundamental ao permitir que os desenvolvedores colaborem em projetos e casos de uso específicos para o mercado indiano, acelerando significativamente o ritmo de inovação.
Joshipura confirmou que o país é já o segundo maior polo mundial de desenvolvedores de código aberto. Embora os Estados Unidos ainda liderem em inovação, a Índia registou o crescimento mais rápido de qualquer país em 2025, sustentado por um vasto banco de talentos e por uma adoção agressiva de tecnologias abertas.
Para além da comunidade técnica
O impacto do código aberto na Índia estende-se para além dos círculos técnicos. Joshipura destacou projetos concretos que afetam diretamente o cidadão comum. As tecnologias de “Confiança Descentralizada” (LF Decentralized Trust) são a base de soluções como o Digi Yatra (um sistema de embarque aeroportuário biométrico) e a e-rupee (a moeda digital do banco central), que simplificam processos do dia a dia para milhões de pessoas.
Os planos para os próximos anos são ambiciosos. A LF India conta já com o apoio de 11 subfundações dedicadas a diferentes vertentes tecnológicas, e espera-se que este número cresça. A organização planeia aumentar a dimensão e a frequência de eventos, desde grandes conferências como o KubeCon e o Open Source Summit até a encontros regionais e locais, democratizando o acesso à comunidade.
Paralelamente, a fundação antevê um aumento no número de projetos iniciados e contribuídos a partir da Índia.
Um dos focos estratégicos é garantir que a inovação em código aberto não fique confinada aos grandes centros urbanos. Joshipura enfatizou que os projetos são acessíveis independentemente da localização, bastando “um desenvolvedor qualificado e motivado”. Para facilitar este acesso, a LF disponibiliza um conjunto completo de cursos de formação e e-Learning sem custos, com todas as ferramentas colaborativas disponíveis online.
Startups e políticas públicas
Embora as startups indianas sejam grandes utilizadoras de tecnologias abertas, o caminho para se tornarem contribuidoras ativas ainda requer formação. Joshipura notou que os funcionários de empresas globais com centros de P&D na Índia já contribuem ativamente, servindo como um modelo a seguir.
O envolvimento com decisores políticos, educadores e empresas é profundo. Várias subfundações, como a LF Networking e a LF Decentralized Trust, trabalham diretamente com agências governamentais, universidades e empresas para compreender e guiar as soluções de código aberto necessárias no país, com projetos como o IOS-MCN e a e-rupee servindo como casos de estudo.
Uma visão não-técnica para o futuro
Para explicar o papel da Linux Foundation a um público não-técnico, Joshipura recorre ao tangível: “Os projetos de código aberto na LF dão suporte à tecnologia por trás de quase tudo o que tocamos diariamente: smartphones, carros, sistemas bancários, serviços de streaming, até mesmo hospitais”.
Sem esta colaboração aberta, a vida digital moderna seria fragmentada, mais lenta e consideravelmente mais cara, pois cada empresa teria de reinventar as suas ferramentas em vez de as partilhar. A missão da LF India é garantir que a Índia não só beneficie desta partilha, mas também assuma a liderança.
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