NotíciasVídeo

Siri com Gemini, VPN espiã e adblock ilegal

Acesse nossos conteúdos exclusivos!

Sejam bem-vindos a mais um Diolinux News, uma seleção de notícias que estão movimentando o mundo da tecnologia e do open source. Nesta edição, navegaremos por temas que vão desde os bastidores nebulosos de extensões aparentemente inofensivas até as grandes negociações que podem redefinir o ecossistema de inteligência artificial em nossos dispositivos. 

Quantas gotas consome uma IA?

Quando o assunto é inteligência artificial, um tópico frequente é o seu impacto ambiental, mas recentemente tem chamado a atenção uma polêmica sobre o consumo de água utilizado no resfriamento dos enormes data centers que sustentam essas operações. Enquanto críticos destacam números alarmantes, o Google apresentou uma figura que busca minimizar essa percepção. 

Segundo a empresa, um único prompt realizado em seus modelos de IA consumiria aproximadamente 0,26 mililitros de água, uma quantia que equivale a meras cinco gotas. Para contextualizar, o gasto energético associado a essa operação é comparado ao de assistir a menos de nove segundos de televisão.

No entanto, a comunidade científica especializada no tema levanta sérias objeções a essa afirmação. Pesquisadores argumentam que a metodologia do Google é incompleta, pois considera exclusivamente a água diretamente utilizada no resfriamento dos servidores, um conceito conhecido como “consumo hídrico operacional”. 

O que fica de fora dessa equação, e que é considerado crucial para uma avaliação honesta, é o “consumo hídrico indireto”. Este último termo refere-se a toda a água utilizada na geração da energia elétrica que abastece esses data centers, desde usinas hidrelétricas até termelétricas, que possuem uma pegada hídrica significativa.

A crítica central é que o comunicado do Google, ao focar em um número tão ínfimo e específico, pode estar apresentando uma visão fragmentada da realidade, mostrando apenas a ponta de um iceberg. É importante notar que o documento em que o Google baseia essas afirmações ainda não passou pelo crivo da revisão por pares. A empresa, contudo, declarou estar aberta a submeter suas descobertas a esse processo no futuro.

Google e Apple negociam para integrar o Gemini na Siri

O universo da inteligência artificial pode estar prestes a testemunhar uma colaboração surpreendente. Segundo a Bloomberg, a Apple e o Google estariam em discussões avançadas sobre a possibilidade de utilizar o modelo Gemini, do Google, como o motor por trás de uma futura reformulação da Siri.

A assistente virtual da Apple há muito é alvo de críticas por seu desempenho considerado aquém das concorrentes. A empresa de Cupertino promete há anos uma revitalização profunda da Siri, mas até o momento, essas promessas não se materializaram. A solução, portanto, pode residir em uma parceria estratégica, terceirizando o seu cerne de inteligência artificial para uma das líderes do setor.

Nada foi oficialmente confirmado pelas empresas. Relatos indicam que a Apple também estaria avaliando modelos de outras empresas especializadas, como a Anthropic e a OpenAI, além de continuar a investir no desenvolvimento de seus próprios modelos internos. 

Isca digital

A máxima que alerta “se o produto é grátis, o produto é você” encontrou mais uma prova alarmante nos últimos dias. Um caso envolvendo uma extensão para o Google Chrome serve como um lembrete severo sobre os perigos escondidos em softwares que prometem benefícios sem custo algum. A extensão em questão, chamada FreeVPN One, acumulava mais de 100 mil instalações e ostentava até mesmo o selo de “Em Destaque” da loja oficial do Chrome, um sinal que, em tese, deveria transmitir confiança.

A realidade, porém, era que, sob o disfarce de um recurso de “detecção de ameaças por IA”, a extensão operava um esquema sofisticado de vigilância. Seu mecanismo de funcionamento consistia em capturar screenshots de absolutamente todas as páginas web acessadas pelo utilizador. 

Esta ação permitia que os operadores mal-intencionados por trás do software vissem não apenas o histórico de navegação, mas qualquer informação sensível que transitasse pela tela: dados completos de cartão de crédito durante uma compra online, conversas íntimas em serviços de mensagem web, documentos confidenciais, literalmente tudo que fosse acessado através do navegador se tornava alvo.

O mais preocupante é que, no momento das primeiras denúncias, a extensão ainda permanecia disponível para instalação. É fortemente recomendado que todos verifiquem seus navegadores e, caso encontrem esta extensão, a removam imediatamente. 

Este episódio reforça a necessidade de extrema cautela com qualquer aplicativo ou extensão que se instala em uma máquina.

Uma virada geopolítica

As últimas semanas foram particularmente turbulentas para a gigante de semicondutores Intel. Os eventos começaram com uma demanda pública do ex-presidente Donald Trump para que o então CEO da empresa, Lip-Bu Tan, se demitisse imediatamente do cargo. A situação exigiu que Tan emitisse uma carta pública na tentativa de acalmar os ânimos, mas o desfecho tomou um rumo completamente inesperado e de grande magnitude.

Após um período de intensas especulações no mercado, o CEO permaneceu, mas a Intel anunciou uma mudança significativa em sua estrutura acionária. O governo dos Estados Unidos da América tornou-se oficialmente detentor de quase dez por cento das ações da empresa. Esta aquisição não se deu através de uma compra convencional no mercado de ações. Em vez disso, a participação foi concedida como contrapartida a um substancial subsídio governamental de 8,87 bilhões de dólares, liberado através da CHIPS and Science Act.

Esta lei federal pretende fortalecer a produção nacional de semicondutores nos Estados Unidos, reduzindo a dependência de fabricantes estrangeiros para garantir a segurança da cadeia de suprimentos de tecnologia. É importante salientar que esta nova participação acionária do governo não confere direito a voto nas decisões da empresa nem garante qualquer assento em seu conselho administrativo. Trata-se, sobretudo, de um movimento estratégico e geopolítico, simbolizando o profundo interesse do estado norte-americano em retomar a liderança na fabricação de chips.

Bloqueadores de anúncio sob ameaça de ilegalidade

Imagine um cenário onde utilizar uma extensão tão comum quanto um bloqueador de anúncios se tornasse um ato ilegal. Esta possibilidade está sendo seriamente debatida na Alemanha. A Mozilla Foundation, desenvolvedora do Firefox, emitiu um alerta sobre uma decisão judicial em curso no país que tem o potencial de proibir a utilização de adblockers com base em argumentos de violação de direitos autorais.

O caso foi movido por uma empresa de mídia digital chamada Axel Springer contra a Eyeo GmbH, empresa responsável pelo desenvolvimento do popular Adblock Plus. A alegação central da Axel Springer é que os bloqueadores de anúncios causam prejuízos financeiros diretos ao seu modelo de negócios, que depende da publicidade. Contudo, o argumento jurídico que mais chama a atenção é o de que estes bloqueadores violam leis de proteção aos direitos autorais.

A tese defendida pela empresa de mídia é que o código-fonte de um website constitui um programa de computador e, como tal, é protegido por leis de copyright como uma propriedade intelectual. Desta forma, quando um bloqueador de anúncio modifica ou interfere na forma como esse código é carregado e exibido no navegador do utilizador, estaria tecnicamente violando essa propriedade intelectual. 

O processo judicial ainda está em andamento e não há um veredicto final. No entanto, uma decisão favorável à Axel Springer poderia tornar os bloqueadores de anúncios ilegais na Alemanha, tornando-a o segundo país a adotar tal medida, após a China, e criando um precedente perigoso que poderia inspirar iniciativas semelhantes em outras nações.

Debian 13: uma conversa necessária

O lançamento do Debian 13 marca um momento significativo para a comunidade de software livre, coroando mais de dois anos de desenvolvimento da nova versão de uma das distribuições Linux mais fundamentais e influentes do mundo. A importância desta edição vai muito além das suas notas de lançamento; ela representa a base sobre a qual inúmeras outras distribuições e milhões de sistemas serão construídos nos próximos anos.

Para analisar este lançamento com a profundidade merecida, gravamos um episódio especial do Diocast. A conversa gira em torno de uma questão central: estamos verdadeiramente prontos para adotar o Debian 13 em nossos fluxos de trabalho e lazer, ou ainda existem lacunas e ajustes que precisam ser observados? 

A discussão percorre as novidades, a estabilidade, a compatibilidade de hardware e o posicionamento da distro no cenário atual.

Firefox 142 traz PWAs

Uma das críticas mais persistentes dirigidas ao Mozilla Firefox no ambiente desktop tem sido a ausência de um suporte nativo e robusto para Progressive Web Apps (PWAs). Esta funcionalidade permite que os utilizadores “fixem” um website específico, como o WhatsApp Web ou o Spotify Web, em seu sistema operacional, fazendo com que ele se comporte como um aplicativo dedicado, com janela separada e ícone próprio, livre das abas e da interface tradicional do navegador.

Após anos de espera da comunidade, parece que esta realidade está prestes a mudar. A partir da versão 142 do Firefox, utilizadores na plataforma Windows poderão ter um primeiro contato com uma implementação inicial desta feature. Vale destacar que se trata de uma prévia accessível através da área de configurações experimentais. Como tal, é esperado que a funcionalidade não esteja completamente polida e possa exibir comportamentos erráticos ou bugs.

A implementação atual no Firefox apresenta particularidades que a distinguem das encontradas em navegadores baseados no Chromium. Embora o modo PWA no Firefox oculte elementos da interface como a barra de ferramentas principal, ele mantém visível a barra de endereços e oferece acesso a alguns menus, o que faz com que a experiência ainda se assemelhe mais a uma aba isolada do que a um aplicativo totalmente independente.

Drops

Um novo Steam Machine

Um rumor sugere que a Valve pode estar reconsiderando uma iniciativa que, no passado, não obteve o sucesso esperado: o Steam Machine. Desta vez, contudo, a empresa estaria muito melhor posicionada, graças ao avanço do Proton, sua camada de compatibilidade que permite executar uma vasta biblioteca de jogos Windows no Linux. 

Um resultado no benchmark Geekbench, mencionando um dispositivo “Valve Fremont” com hardware AMD customizado, alimentou essa especulação. Curiosamente, o sistema listado era o Windows 11 Pro, deixando mais perguntas do que respostas.

Hollow Knight 2

Uma notícia que trouxe euforia incontestável à comunidade gamer foi a confirmação de que Hollow Knight: Silksong, um dos jogos mais aguardados da última década, finalmente recebeu uma data de lançamento: 4 de setembro. Melhor ainda, foi confirmado que o título já está “Verificado” para o Steam Deck. 

A celebração é ainda maior pelo fato de que não se trata apenas de uma compatibilidade via Proton, mas sim de uma versão nativa para Linux, demonstrando um comprometimento admirável de um estúdio indie com a plataforma. O jogo não está disponível para pré-venda, mas já pode ser adicionado à lista de desejos nas lojas Steam e GOG.

Sugestão de jogo da semana

Para encerrar com uma sugestão de entretenimento, nossa promoção relâmpago da semana destaca o jogo The Many Pieces of Mr. Coo. Trata-se de uma aventura point-and-click que apresenta um humor peculiar e uma premissa surrealista, envolvendo a reconstrução de um personagem literalmente despedaçado. 

Com animações feitas à mão e quebra-cabeças inventivos, o jogo se encontra com um desconto de 75%, saindo por pouco mais de sete reais. Para os utilizadores de Linux, a experiência é garantida através do Proton, e o título também carrega a distinção de “Verificado” no Steam Deck.E se você quer se mentar informado com as principais notícias da semana sobre tecnologia e Linux, receba nossa newsletter!

Diolinux Ofertas - Aproveite os melhores descontos em diversos produtos!